O monitoramento epidemiológico das síndromes respiratórias divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) apontou sinais de uma nova onda de Covid-19 no estado. Após um período de estabilização e oscilações nos registros ao longo do ano, os indicadores voltaram a subir de forma expressiva no mês de agosto.
Ao ContilNet, o médico infectologista Eduardo Farias explicou sobre o cenário de aumento de casos de Covid-19 e outras doenças respiratórias.
De acordo com o levantamento com base no boletim de vírus respiratórios, o ano havia começado com um volume elevado de buscas por atendimento e notificações médicas logo na primeira semana, cenário que diminuiu gradativamente entre as semanas 2 e 10.
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“O volume de notificações oscila significativamente, em momentos específicos (como nas semanas 14 e 15) A semana 1 registra o maior volume de busca por atendimento e notificações do período. Acompanhando esse movimento, a positividade também é alta. Porém, entre as semanas 2 e 10, nota-se uma tendência de queda oscilatória tanto nas notificações quanto na confirmação de casos positivos, indicando o encerramento ou estabilização de um surto prévio”, diz o boletim.
No entanto, o panorama mudou a partir da semana epidemiológica 32, quando a curva de testes positivos começou a subir. Com isso, a semana 33 registrou 133 casos confirmados, configurando o cenário típico de uma nova onda da doença no Acre.
“A partir da semana epidemiológica 29 do ano atual, observa-se a diminuição do número de casos notificados ao longo do período de 6 semanas, mostrando que o período sazonal dos vírus influenza e VSR estão terminando, porém segue em alta o Vírus Rinovírus e inicia a ascensão de casos do vírus Sars-Cov2 causador da Covid-19, a partir da semana 32, mês de agosto”, afirma a Sesacre pelo documento.
O médico explicou que o aumento de casos de Covid-19 é muito comum.
“Depois que saiu do estado de pandemia, você tem surtos localizados, porque o vírus continua circulando, por isso é importante manter o cinturão de vacinação bastante competente. Às vezes as pessoas começam a descuidar da vacina e vão tendo essas brechas, porque o vírus circula e como é um vírus de depósito humano, ele precisa de pessoas suscetíveis para poder se manter ali. Além do que, como essas vacinas ainda são de gerações ainda não tão eficazes, ele não tem uma proteção de 100%. O que ele evita são os casos mais graves, por isso que você tem aí um aumento de casos, mas você não tem óbito”, destacou.
O infectologista afirmou que o risco do aumento dos casos é chegar em pessoas com comorbidades e grupos mais sensíveis, como idosos e crianças, que podem registrar casos mais graves.
De acordo com Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), a Semana Epidemiológica 33 iniciou em 16 de agosto e finalizou dia 22 do mesmo mês.
“O boletim descreve a situação epidemiológica das Síndromes Respiratórias no estado do
Acre referente ao período de 2024 a 2026, visando orientar a tomada de decisões e demais ações de prevenção e controle, sobretudo da Covid-19, Influenza e Outros Vírus Respiratórios”, destaca o documento.
El Niño e os impactos na saúde
Ao ContilNet, o médico infectologista também lembrou que as questões ambientais e a sazonalidade de outros vírus também impactam diretamente na saúde.
“Nós estamos começando a entrar no período em que a umidade do ar cai, que a temperatura aumenta, em que as queimadas aumentam, principalmente queimadas urbanas, tem um problema, ela não faz só fumaça, ela faz uma fumaça tóxica, e como ela queima plástico, utensílios, vegetal, ela também queima lixo, então você tem de aumentar os processos respiratórios naquelas pessoas crônicas, asmáticos, DPOC, aquelas pessoas que já tem problema crônico do pulmão”, explicou.
Assim como o Boletim Epidemiológico da Sesacre traz sobre outros vírus que causam doenças respiratórias, o infectologista também alertou: “você tem essa sazonalidade também dos vírus, por exemplo, nesse período, nós estamos no período também do vírus sincicial respiratório, que é muito agressivo, principalmente nos extremos de idade. A Síndrome Respiratória Aguda Grave pode ser causada por qualquer um desses vírus. Nós estamos num período sazonal de queimadas, então nós vamos ter mais doenças respiratórias. O vírus sincicial respiratório está circulando, além dos influenza, rinovírus, esses outros vírus também que circulam”, destacou.
Cuidados e vacinação
Eduardo Farias também fez um alerta para cuidados necessários durante esse período do ano: “o mais importante agora é a prevenção. Evitar aglomerações, principalmente crianças nessa faixa de menores de 4 anos e idosos. Se for para um lugar tipo muita gente, usa máscara, álcool gel, que serve para todos esses vírus que eu estou falando, não só o Covid. É hidratar bem, manter as crianças e os idosos bem hidratados e em locais mais arejados”, destacou.
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O médico ressaltou que a vacina é importante para prevenir as doenças respiratórias. “Nós temos hoje, no mínimo, quatro vacinas que seriam importantes a gente destacar. Uma a vacina da gripe, da influenza, que todo idoso é importante tomar acima de 60 anos e as pessoas com comorbidade. Ela está disponível no SUS. Agora nós estamos tendo a vacina da vacina pneumocócica polissacarídica 23-valente (Pneumo 23), que também protege contra uma uma pneumonia bacteriana que também leva a morte e a doenças graves, além da vacina contra Covid-19”, disse.
Além disso, o médico destacou a vacina do vírus sincicial respiratório. Essa vacina deve ser tomada por todas as gestantes no último trimestre da gravidez para que o bebê nasça com anticorpos.
Todas as vacinas são disponíveis de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em unidades de saúde de Rio Branco e dos municípios do Acre.
Alerta da Fiocruz
O Acre continua, pela segunda semana seguida, fora da área considerada de alerta para a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). A avaliação faz parte da nova edição do Boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) nesta quinta-feira (3).
Além de estar fora da zona de risco, o estado apresenta uma tendência de queda nos casos para as próximas semanas. A estimativa aponta 75% de possibilidade de redução.
O levantamento também mostra que o vírus sincicial respiratório (VSR) continua sendo uma das principais causas de SRAG entre crianças pequenas. Já entre os idosos, os casos graves estão mais ligados à influenza A, ao rinovírus e ao VSR.
Em relação à Covid-19, o nível de circulação permanece baixo em todo o país. A Fiocruz também aponta que os casos de SRAG provocados pelo VSR seguem em queda na maior parte dos estados.



