Eletrocardiograma falhou na UPA; no Huerb, faltou vaga na UTI para Jorge Said

Por Suporte 15/06/2015 às 19:44

despreparo

saide morreddA atividade elétrica do coração do jornalista Jorge Said não foi testada na Unidade de Pronto Atendimento do Tucumã (UPA), na noite deste domingo (14). Os eletrodos e os sensores que identificam a frequência cardíaca não responderam porque o aparelho que faz exame de eletrocardiograma não funcionou. O jornalista foi transferido à Emergência Clínica do Pronto-Socorro de Rio Branco com o diagnóstico “ele está infartando” das médicas que atenderam o paciente.

As médicas pediram socorro imediato ao Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu). A ambulância também não dispõe de equipamentos, como desfibrilador. Ao chegar no Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb),  por volta de 22 horas, Jorge Said sofreu três paradas cardíacas, com intervalo de 5 a 10 minutos e permaneceu num leito comum.

Porém, um paciente naquele estado deveria seguir direto para a Unidade de Terapia Intensiva. “Não tinha vaga na UTI do hospital”, denuncia o cinegrafista Alex Oliveira, 34, que era um dos amigos mais próximos do jornalista. A versão é confirmada pela filha do jornalista, Lara Said. Segundo a estudante, o pai faleceu na terceira parada cardíaca. “Ele sofreu muito na enfermaria. As UTI´s estavam lotadas”, revela.

UPA
A reportagem de ContilNet voltou à UPA, por volta do meio-dia desta segunda (15) e obteve a confirmação de que o eletrocardiograma estava inoperante na noite de domingo. “Mas hoje está tudo normal”, de acordo com informações de uma enfermeira que acompanhou o atendimento ao jornalista. Três médicos assistiram Jorge Said desde que deu entrada pela primeira vez, às 14 horas, se queixando de dores abdominais.

Pelo Whatsap, o jornalista avisou à família que os exames de rins e fígado estavam em ordem. Ele recebeu alta, mas as dores evoluíram para o peito. O jornalista avisou que não estava bem e seguiu novamente com destino à UPA, após pegar carona com um amigo.

“Nós temos recursos para identificar alterações cardíacas mesmo sem o eletrocardiograma. O paciente foi monitorado e o pré-infarto diagnosticado”, disse a enfermeira. Segundo ela, a falta do aparelho não agravou o quadro clínico do jornalista.

upatucuma

Familiares, no entanto, contestam esta versão. “Ele passou muito tempo numa sala. Houve demora para identificar o problema cardíaco. Além disso, se tivesse UTI disponível o meu amigo ainda estava entre nós”, disse Alex Oliveira.

O diretor-geral do Huerb, pastor Rodson Souza, disse que “há um tempo para a liberação de UTI´s, mesmo quando há pacientes em estado crítico”.

O diretor do Huerb disse que não estava de plantão na noite de domingo e por isso precisava conferir a rotina de atendimento ao jornalista antes de se manifestar oficialmente.

A reportagem sugeriu que o Huerb emitisse uma nota de esclarecimentos, o que foi aceito pelo diretor da unidade. A redação ainda aguarda as explicações da Secretaria de Saúde, e possíveis contestações às denúncias apresentadas pela família do jornalista. A reportagem não foi mais atendida ao telefone pelo diretor.

Conteúdo Original / Fonte: Assem Neto, da ContilNet Notícias

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