Os estudos ambientais apontam que formação do Rio Acre se deu há cerca de 1,6 milhões de anos, nascido dos igarapés Eva e das Pedras a oeste de Porto Maldonado no Peru. O Rio, a principal fonte de abastecimento de água da população e também o recebedor de todos os igarapés de Rio Branco estão sendo poluídos pelos esgotos gerados pela população.
As políticas públicas ambientais no discurso das atuais autoridades do Acre sempre foram voltadas à proteção do Meio Ambiente, mas as ações efetivas para a despoluição dos igarapés afetados pelos esgotos dos principais bairros de Rio Branco nunca tiveram obras concretas. Somente na área urbana da Capital acreana, mais de 10 igarapés cortam a cidade levando de forma in natura todo o esgoto para o Rio Acre.

Mananciais poluídos pelos esgotos gerados pela população/Foto: ContilNet
De acordo com o professor e especialista na área ambiental, Claudemir Mesquita, os impactos ao Meio Ambiente devem ser avaliados para envolver a sociedade no objetivo de apresentar alternativas de combater a grande poluição. Mesquita explica que as ações de reflorestamento, somente das margens do Rio, não resolvem o problema, falta, segundo ele, colocar em ação efetiva o Plano Estadual de Recursos Hídricos.
“Os trabalhos que estão sendo realizados não representam significativamente ações efetivas para garantir a médio ou longo prazo. Por exemplo, a diminuição da poluição domiciliar e química industrial. Precisamos dimensionar essa poluição e mapear todos os lugares que poluem nosso Rio para podemos trabalhar no combate e tratamento dos resíduos. Isso deve ser feito por meio de um trabalho conjunto entre Estado, Município, Câmara de Vereadores, associação de moradores e principalmente os parlamentares estaduais e federais”, explicou Mesquita.

O secretário Municipal de Meio Ambiente, Aberson Carvalho, promete mudanças/Foto: ContillNet
Para ser ter uma ideia do impacto ambiental, basta olhar para os mais de 10 igarapés que cortam a área urbana da cidade e identificar a quantidade de resíduos tóxicos levado pelo lixo e esgotos que sai dos principais bairros da Capital.
O secretário Municipal de Meio Ambiente, Aberson Carvalho, disse que nos próximos quatro anos de gestão do prefeito Marcus Alexandre (PT) será feito um trabalho para levantar todas as políticas públicas, buscar soluções e proteger os recursos hídricos. “Nos quatro anos desta atual gestão estaremos fazendo o mapeamento de todos os igarapés e microbacias principais e afluentes”, garante o secretário.
Ainda segundo o secretário, esse trabalho de mapeamento irá levar a atual gestão a criar políticas públicas para dar respostas à sociedade. “Esse trabalho é para pontuarmos todos os problemas, e junto com o saneamento básico, resolvermos essa poluição com a elaboração de projetos para construir até estações de tratamento. Estamos fazendo levantamento em toda a bacia do igarapé São Francisco e no próximo ano estaremos começando o trabalho na bacia do igarapé Judia, no Segundo Distrito de Rio Branco”, destacou Aberson.
Mas o fato, é que ações efetivas para conter a poluição dos igarapés estão nos debates e discursos das autoridades há cerca de 20 anos, e não existe nenhum tipo de intervenção concreta para a população ver como exemplo. Os igarapés continuam levando o lixo e esgotos dos bairros para o Rio Acre, seja pelo canal da maternidade, principal esgoto a céu aberto da Capital, ou pelos igarapés São Francisco, Judia e muitos outros.





