Cítrico
Aqui na Câmara Federal, os servidores são enquadrados em três categorias funcionais. O SP (Secretário Parlamentar) é o único desobrigado a assinar ponto. Tanto faz comparecer ao gabinete. Seu salário estará na conta, sem descontos, ao fim do mês. E é a este ponto que me apego na abertura da coluna de hoje. Aquele que se apresenta como secretário de Organização Partidária do PT, Cesário Campelo Braga, é lotado no gabinete do ex-presidente do partido e agora deputado federal Léo de Brito. Não chamaria a atenção se o rapaz, que usa as redes sociais para falar em nome do PT, ofender a honra de opositores, cumprisse seu expediente como todo trabalhador mortal, seja no Congresso Nacional, seja no escritório de representação parlamentar no Acre. Seu salário de Gaspazinho: R$ 9 mil mensais.
*Em palavras diretas: o partido remunera muito bem, com dinheiro do povo, um filiado kamikaze, e o protege.
Falsa moral
Me pergunto: é essa a moralização do serviço público ensinada pelo governo e seus apaniguados? Em tempos de arrocho fiscal, em que até quem está à beira da morte é taxado, não há quem se levante contra tamanha imoralidade? É justo suprimir e retardar direitos trabalhistas (seguro-desemprego, seguro defeso, auxílio doença, etc) enquanto o contribuinte é assaltado à mão armada nas latrinas do poder central?
*Sim, é você quem os paga…
À mão armada
Você, leitor, se não está espantado como eu, deve afirmar: “ah, isso acontece em todo gabinete”. Sim, é verdade. São raros os parlamentares que não nomeiam laranjais (mais conhecidos como a turma dos cítricos) para arrecadar verbas com fins de enricar ou financiar campanhas futuras. Não se engane: a oposição também tem seus fantasmas.
*Mas no cerne da questão está a rejeição à mão-de-obra qualificada, jovem, sedenta por oportunidades. Várias centenas de profissionais preparados, que querem, de fato, crescer e sustentar seus filhos, mas são preteridos. Prevalece o apadrinhamento.
A lei da Eliane
É preciso aplaudir a lei, de autoria da deputada Eliane Sinhasique, que obriga a Secretaria de Saúde a afixar em local visível a lista dos médicos plantonistas, enfermeiros, técnicos em enfermagem e odontólogos, com a respectiva carga horária,
*É conquista social. É fruto de um mandato, notoriamente, combativo.
Incompetentes
Mas faço minhas ressalvas, não à lei, mas a esta gestão fraudulenta, omissiva, degradante. Não deveria, num governo cujo mandatário é médico, haver a necessidade de intervenção do legislativo para garantir o amparo legal e obrigatório do estado a pacientes e seus familiares.
*Esse tipo de transparência é um ABC da saúde pública, lição primária, obrigação do gestor. Se, de Jorge Viana, passando por Binho Marque, até chegar em Tião, esta medida não foi adotada, fica claro o desleixo com Estado de Direito com o sofrimento de uma multidão que superlota as unidades de saúde todos os dias.
Os sem noção
Me impressiona ainda mais a lerdeza dos deputados e vereadores. Parlamentar precisa ter, antes de tudo, consciência de sua responsabilidade como fiscal da coisa pública. E, como tal, ninguém, nem a polícia, tem autoridade para barrar um político, legitimamente investigo em cargo eletivo, na porta de um hospital ou escola.
Lesmas
Não vejo, tampouco vi nos meus mais de 20 anos como jornalista, um deputado ou vereador apresentar-se, de corpo presente, numa unidade de saúde para verificar como os pacientes são tratados ali.
*Talvez por isso, os governos abafam as imperícias médicas, as imprudências, e tantas mortes motivadas por infecções hospitalares, falta de medicamentos, equipamentos quebrados. Que o eleitor seja, em 2016, mais crítico na escolha de seus representantes.
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