O número de focos de queimadas disparou no Acre em agosto de 2026, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O estado saiu de 56 focos registrados em julho para 487 em agosto, um aumento de aproximadamente 770% de um mês para o outro.
A diferença representa 431 focos a mais em agosto.
O maior pico do mês foi registrado em 28 de agosto, quando o Inpe contabilizou 125 focos em apenas 24 horas.
Outros dias também concentraram grande quantidade de ocorrências, como 30 de agosto, com 123 focos, e 31 de agosto, com 51.
Apesar da alta expressiva em relação a julho, o total de agosto de 2026 ficou 5,8% abaixo do registrado em agosto de 2025, quando o Acre contabilizou 517 focos.
Os dados também mostram que as ocorrências se concentraram principalmente na reta final de agosto.
Entre os dias 27 e 31, foram registrados 247 focos, mais da metade de todo o acumulado do mês.
Qualidade do ar
O indíce de qualidade do ar tem piorado consideravelmente nos dias em Rio Branco, de acordo com a platafoma IQAir. Nesta terça-feira (1), o índice estava em 50 US AQI, com concentração de 14,1 µg/m³ de partículas PM2.5. Esse tipo de poluente é formado por partículas muito pequenas, que podem entrar no sistema respiratório.
A quantidade registrada representa cerca de 2,8 vezes o valor recomendado pela OMS para a concentração anual de PM2.5. A situação pode piorar ao longo do dia. A previsão indica que o índice de qualidade do ar pode chegar a 76 US AQI.
Acre entra no período mais crítico da seca
O Acre chega ao fim de agosto com uma combinação de indicadores que mantém o estado em alerta para os efeitos da estiagem: rios abaixo das cotas de referência, pouca chuva registrada nos últimos dias, previsão de precipitações abaixo da média e temperaturas acima do normal para os próximos meses.
Os números dos últimos boletins hidrometeorológicos da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) mostram que a situação dos rios varia de uma região para outra, mas o comportamento da Bacia do Rio Acre chama atenção. Em Rio Branco, por exemplo, o manancial continua abaixo da cota de estiagem e voltou a perder nível depois de uma breve recuperação.
A série dos boletins mostra essa oscilação. Em 21 de agosto, o Rio Acre estava em 2,07 metros na capital. No dia 24, subiu para 2,23 metros e, no dia seguinte, chegou a 2,38 metros. Já em 26 de agosto, voltou a cair, para 2,34 metros.
A cota de estiagem definida para a estação de Rio Branco é de 2,69 metros. Portanto, mesmo no ponto mais alto registrado nesses últimos dias, o rio permaneceu 31 centímetros abaixo do nível considerado de estiagem.
