22/08/2026

Golpes por manipulação já representam 40% das fraudes financeiras no Brasil

Criminosos usam falsas ligações, mensagens e até inteligência artificial para enganar vítimas

Por Sávio Buriti, ContilNet
Estratégia, conhecida como engenharia social, está por trás de 40% dos indícios de fraudes financeiras registrados no Brasil./ Foto: Reprodução

Uma ligação aparentemente comum pode ser o início de um golpe. Do outro lado da linha, criminosos se apresentam como funcionários de bancos, policiais ou representantes de instituições e criam situações de urgência para convencer a vítima a agir rapidamente. A estratégia, conhecida como engenharia social, está por trás de 40% dos indícios de fraudes financeiras registrados no Brasil.

Dados da Quod mostram que mais de 9 milhões de indícios de fraude, entre casos suspeitos e confirmados, foram identificados no país durante o primeiro semestre de 2026. O volume representa um aumento de 10,26% em relação ao segundo semestre do ano passado. Desse total, mais de 3,6 milhões de ocorrências tiveram relação com técnicas de manipulação e convencimento.

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O telefone celular se consolidou como a principal porta de entrada para os criminosos,  ele esteve presente em 78% dos casos. Depois de convencer a vítima, o Pix aparece como o principal meio utilizado para movimentar os valores, presente em 85% das ocorrências.

O perfil das vítimas também chama atenção. Pessoas entre 18 e 34 anos correspondem a 49,06% dos atingidos, enquanto 58% têm renda de até dois salários mínimos. No primeiro semestre, aproximadamente 3,1 milhões de brasileiros foram vítimas de fraudes, e cerca de 799 mil sofreram golpes mais de uma vez.

A diferença desse tipo de crime está justamente no alvo. Em vez de tentar invadir diretamente o sistema de um banco, os golpistas buscam explorar a confiança e a reação das pessoas. Uma suposta compra desconhecida, uma investigação policial ou um alerta sobre movimentações na conta podem ser usados para provocar medo e pressionar a vítima a tomar uma decisão imediata.

Segundo José Oliveira, diretor de Tecnologia da Certta, o desafio envolve duas frentes diferentes: enquanto os mecanismos tradicionais de proteção buscam identificar fraudes em sistemas, documentos e identidades, a engenharia social atua diretamente sobre a decisão humana.

O cenário se tornou ainda mais complexo com o avanço da inteligência artificial. Recursos como clonagem de voz, criação de imagens e falsificação de documentos podem tornar os contatos criminosos mais convincentes. Em alguns casos, a vítima é abordada por diferentes canais, como ligações, WhatsApp, SMS e e-mail, em uma estratégia que pode se prolongar por dias antes da tentativa de golpe.

Na tentativa de ampliar a prevenção, o setor financeiro passou a contar com novos mecanismos de compartilhamento de informações sobre suspeitas de fraude. A Resolução 501 do Banco Central ampliou essa troca de dados entre instituições, enquanto o Registro Unificado de Fraudes reúne informações para auxiliar na identificação de padrões.

Ainda assim, especialistas apontam que a tecnologia, sozinha, não é suficiente. Um levantamento da Certta e da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados mostrou que apenas 11% das conversas sobre golpes e fraudes digitais nas redes sociais têm como foco a prevenção. A maior parte das discussões acontece depois que o prejuízo já foi registrado.

Para reduzir os riscos, a principal orientação é desconfiar de situações que exigem uma resposta imediata. Bancos não devem solicitar senhas, códigos de autenticação ou transferências por meio de contatos inesperados. Diante de uma ligação suspeita, a recomendação é encerrar a conversa e procurar diretamente os canais oficiais da instituição.

Também é importante conferir os dados antes de concluir um Pix, evitar links recebidos sem solicitação e não permitir que terceiros utilizem a conta bancária para receber ou transferir dinheiro. Supostas autoridades que pressionam por pagamentos ou dados pessoais também devem ser tratadas com desconfiança.

O crescimento dos golpes mostra que, além de sistemas cada vez mais sofisticados, a prevenção depende da capacidade de reconhecer tentativas de manipulação antes que uma ligação, uma mensagem ou um alerta aparentemente urgente resulte em prejuízo. As informações desta matéria foram retiradas do site Agência Brasil.

Conteúdo Original / Fonte: Agência Brasil

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