26 anos sem chico
No dia que marca 26 anos do assassinato do seringueiro Chico Mendes, morto a balas na pequena Xapuri, governos continuam se elegendo usando como mote eleitoral o ambientalismo defendido pelo seringueiro.
A família de Chico Medes, ou parte dela, amarga condenações na Justiça por improbidade administrativa e outros escândalos relacionados a supostos desvios de recursos.
Em outubro deste ano, o Tribunal de Justiça do Acre condenou Elenira Mendes e Ilzamar Mendes, filha e viúva de Chico Mendes, respectivamente, por improbidade administrativa e desvio de verbas do Instituto Chico Mendes.
Davi Marques Cunha, ex-marido de Elenira, também foi condenado. Na segunda-feira, 22 de dezembro, exatos 26 anos após o assassinato de Chico, os petistas locais continuam tirando proveito da popularidade do morto.
Tão logo amanheceu o dia, o governador Tião Viana (PT) publicou uma foto em que aparece abraçado a Ângela Mendes, filha do líder seringueiro, e outras pessoas.
“Nesta segunda-feira, 22, data que marca os 26 anos do assassinato do líder seringueiro Chico Mendes, recebi a filha do líder seringueiro, Ângela Mendes, que estava acompanhada por Abrahim Farhat (Lhé), Júlia Feitosa e Raimunda Bezerra”, escreveu Viana na legenda da autoexplicativa fotografia.
O senador Jorge Viana (PT), que governou o Acre por oito anos e é tido como o pai do conceito de florestania por estas terras, e que sempre usou a imagem de Chico Mendes como uma espécie de patrono do ambientalismo, não usou as redes sociais para falar dos 22 anos da morte, mas jamais perde uma oportunidade de citá-lo em seus discursos.
Elenira Mendes, a filha condenada por improbidade, concedeu entrevista à imprensa em outubro e negou o suposto crime. Atualmente, ela aparece em fotos no Facebook em um local não identificado, mas onde é possível identificar parte do litoral brasileiro. Até o ano passado, Ângela Mendes prestava serviços para o governo do Acre.
O legado de Chico Mendes ajudou a eleger o governo petista por cinco mandatos seguidos. Ajudou, também, a eleger os senadores Marina Silva e Jorge Viana, por exemplo, além de diversos deputados, vereadores e prefeitos.