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A ex-presidente da Petrobras, Graça Foster, que depõe nesta quinta-feira na CPI da Petrobras, disse que a empresa está impedida de contratar “excelentes” empresas devido à corrupção na empresa, descoberta pela Operação Lava-Jato. Foster respondia a uma pergunta do relator Luiz Sérgio (PT-RJ) sobre a existência de cartel para as obras na Petrobras. A ex-presidente disse que essa questão está sendo apurada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Ela começou seu depoimento às 10h35. Ela chegou escoltada por vários parlamentares do PT.
– Se tem cartel ou não, o Cade está nesta fase para avaliar isso. Temos excelentes empresas que hoje a Petrobras não pode contratar por causa da Operação Lava-Jato. Eu não considero que a Petrobras tenha grandes sub-fornecedores. Precisamos ter mais — afirmou.
Graça Foster defendeu a construção da rede de gasodutos entre o Rio e a Bahia, passando pelo Espírito Santo, operada pela Gasene. De acordo com a ex-presidente da Petrobras, ela teria orgulho de ter trabalhado nessa operação, caso não houvesse propina.
— Ouvi dizer que houve propina. Eu teria imenso orgulho de ter trabalhado nesse projeto. Continuo muito orgulhosa, mas envergonhada pela propina — afirmou.
A ex-presidente da Petrobras defendeu ainda o cálculo de R$ 88,6 bilhões de perdas verificadas na Petrobras. A divulgação do número, na época em que ela estava à frente da empresa, deixou a presidente Dilma Rousseff irritada, o que precipitou a demissão de Graça Foster. Mesmo assim, ela disse que não é possível saber quanto, desse valor, refere-se à corrupção.
De acordo com a ex-presidente da Petrobras, no cálculo de R$ 88,6 bilhões há muitas variáveis, como propina, corrupção, projetos ineficientes, período de chuvas. Ela afirmou que, antes de divulgar os números, conversou com a presidente.
– Estive com a presidente Dilma dias antes, expliquei para ela, para o ministro (Guido Mantega), para o conselho. Este método não traria para nós a resposta sobre o número da corrupção. Foi um número calculado e medido. Nós entendíamos que nossos acionistas e o mercado deveria entender esses números em toda sua dimensão. Disse a presidente que era importante mostrar. Ela não me disse para não mostrá-los. Entendi que o mercado deveria conhecer. A metodologia era inadequada, mas deveria conhecer os números.
Sobre as Sociedades de Propósito Específico (SPEs), ela observou que o modelo é adotado no mundo inteiro, e a Petrobras se valeu dele em pelo menos 25 projetos. Mas essa prática deixou de ser aplicada depois que a empresa passou à categoria de grau de investimento, o que reduz o custo de empréstimos.
— A grande vocação (das SPEs) é buscar recursos, e nosso grau de investimento nos permitiu abrir mão das SPEs porque nosso acesso ao mercado de capitais foi mais facilitado e, com isso, abrimos mão das SPEs.
Ela renunciou ao cargo de presidente da estatal em fevereiro, desgastada pelo escândalo de corrupção da empresa. A gestão da companhia enfrentava, além das denúncias de corrupção e resultados negativos, dificuldades para quantificar e explicar os prejuízos com as fraudes em contratos de obras.
Em fevereiro, logo depois da saída de Graça da Petrobras, o Tribunal de Contas da União (TCU) livrou a ex-presidente da estatal do bloqueio de bens em análise sobre o prejuízo de US$ 792,3 milhões na compra da refinaria de Pasadena, no Texas.
BARUSCO NÃO TERIA AGIDO SOZINHO
A ex-presidente da Petrobras acha que o ex-gerente Pedro Barusco não tenha agido sozinho no recebimento de propinas. Ela respondia a uma pergunta do deputado Valmir Prascidelli (PT-SP), que insistia na tese de que havia um esquema de corrupção institucionalizada na Petrobras antes de 2003, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.
— Eu posso até aceitar e mudar de ideia de que (a corrupção) ficasse no nível da diretoria, de um diretor e de outro, e o presidente não soubesse. Posso até aceitar isso. Mas tenho dificuldade de aceitar por que um gerente possa receber uma vantagem por alguma coisa sem que outro soubesse. Acho que nosso colega Barusco pode não ter falado porque está num processo de delação premiada. Não consigo imaginar que uma pessoa no meio da estrutura possa fazer uma coisa isoladamente.
Ela, no entanto, não quis entrar na discussão se haveria ou não um esquema de corrupção institucionalizada.