A mãe e o padrasto de Davi Lucas Santos Maia, de 3 anos, continuam presos após a audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (9). A informação foi confirmada ao ContilNet pelo delegado Carlos Bayma, responsável pelas investigações sobre a morte da criança.
Durante a audiência, a Justiça acolheu o pedido do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) e converteu as prisões em flagrante dos dois investigados em prisões preventivas. Com a decisão, Ana Clara dos Santos, de 18 anos, e Tacio Gomes dos Santos, de 23, permanecem detidos enquanto as investigações avançam.
O pedido de prisão preventiva foi apresentado pelo promotor de Justiça Flávio Bussab Della Líbera, da Promotoria de Justiça Cível de Porto Acre, e posteriormente acolhido pela Justiça.
Davi morreu após ser levado pelo casal de barco até uma unidade hospitalar de Porto Acre. A criança chegou ao município já sem vida. Segundo a investigação, o corpo apresentava diversas marcas e lesões em diferentes partes.
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O caso é tratado pela Polícia Civil como uma investigação de possível homicídio. O delegado Carlos Bayma afirmou anteriormente que uma das linhas de apuração considera a possibilidade de que o menino tenha sido submetido a agressões e tortura.
“Trabalha já com homicídio. Possível tortura”, declarou o delegado ao comentar o andamento das investigações.
A polícia ainda aguarda laudos periciais que devem ajudar a esclarecer a causa da morte e a dinâmica das lesões encontradas no corpo da criança.
Segundo o MPAC, os elementos reunidos até o momento justificam a manutenção dos dois investigados presos para o aprofundamento das investigações e a apuração de eventual responsabilidade na morte de Davi.
Contradições
A manifestação do Ministério Público também aponta divergências nas versões apresentadas pela mãe e pelo padrasto sobre o que teria acontecido com a criança.
Entre os pontos levantados estão inconsistências relacionadas ao suposto acidente que teria provocado os ferimentos e à descrição de como o episódio teria ocorrido.
Outro aspecto considerado pelos investigadores foi a demora para buscar atendimento médico. Conforme apontado pelo MPAC, teria transcorrido mais de quatro horas entre o momento em que a criança supostamente sofreu o acidente e a procura por atendimento.
O órgão também mencionou a existência de um registro anterior relacionado a possíveis maus-tratos envolvendo o padrasto.
Além disso, outra filha do casal, ainda bebê, estava na residência. Diante da situação, o Ministério Público apontou a necessidade de adoção de medidas para garantir a proteção da criança.
Investigação continua
Tacio Gomes nega envolvimento nas agressões e, segundo a Polícia Civil, não apresentou uma explicação considerada suficiente para os elementos investigados. A mãe também é investigada por possível negligência em relação aos cuidados com Davi.
A prisão preventiva não representa condenação. Os dois permanecem presos enquanto a Polícia Civil reúne provas para esclarecer as circunstâncias da morte e definir eventual responsabilidade criminal.
O inquérito deve continuar com a realização de perícias e a tomada de depoimentos de pessoas que possam ajudar a reconstruir os últimos momentos de vida de Davi. Entre elas estão moradores da região e integrantes do Conselho Tutelar.
