Mestre da cozinha acreana é sepultado na tarde desta segunda em Rio Branco

Por Wania Pinheiro, ContilNet 26/05/2015 às 19:50

DSC 0012dor e saudade

“Você sempre estará presente em nossos corações”. A mensagem escrita em uma das muitas coroas de flores enviadas ao empresário Élcio Matsuo traduz o sentimento de milhares de acreanos que continuam consternados com a morte deste empreendedor. Ele foi enterrado no cemitério Morada da Paz, no final a tarde desta segunda-feira (25).

Élcio era querido por políticos, empresários, funcionários púbicos e pelas pessoas mais simples que tiveram o prazer de conhecer seu coração. Vivia para o trabalho e para a família. Passou muitos anos comandando o famoso restaurante que leva o seu nome. Seu lugar preferido era atrás de um balcão, onde clientes e amigos faziam questão de cumprimentá-lo a cada final de um almoço ou de um jantar.

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Na sepultura, várias coroas de flores, uma delas se destacou: “Você sempre estará presente em nossos corações”/Foto: Wania Pinheiro/ContilNet Notícias

Era um ser humano que sorria com os olhos. Aqueles olhinhos orientais, bem apertados.

O sabor da comida servida em seu restaurante conquistou – e certamente irá continuar conquistando – pessoas não somente do Acre, mas de diversas partes do Brasil e do mundo.

Só ele, sua esposa e os filhos sabem o segredo do teppanyaki, um dos pratos mais pedidos em seu restaurante, servido em uma grelha de ferro com muitos legumes e verduras, que pode ser feito com peixe, filé de boi ou frango, porco ou camarão.

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O primogênito de Élcio, Ronaldo Matsuo, se despede do pai/Foto: ac24horas

A moqueca do Élcio é famosa em todo o Acre. Pessoas que moram em municípios isolados como Santa Rosa do Purus conhecem e apreciam o sabor deste prato e de muitos outros, como a galinha caipira, também um dos mais pedidos.

Lembro do meu filho Pedro Mariano sentava em uma cadeira de bebê para comer no Matsuo, um dos primeiros restaurantes do Élcio que ficava na rua Rio Grande do Sul. Isso faz uns 20 anos, mas o sabor do teppanyaki continua o mesmo até hoje.

Elcio Keiji Matsuo nasceu em Londrina, no Paraná, mas um dia disse-me que amava o Acre como sua terra natal. Além de conhecer como poucos a arte de cozinhar, Élcio também foi um dos cabeleireiros mais requisitados do Acre.

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Um dia triste, diz vice-governadora

A vice-governadora Nazaré Araújo (PT), acompanhada de sua mãe, Maria Lúcia Araújo, esposa do primeiro governador eleito do Estado, José Augusto de Araújo, e do irmão, ex-vereador Ricardo Araújo, também foi à capela do cemitério para se despedir deste mestre da cozinha.

“É uma perda muito grande para o nosso Estado. Um empreendedor que estava no Acre desde a década de 80, que sempre trazia novidades para os acreanos. Hoje é um dia triste para todos nós, e devemos prestar solidariedade a toda a família, e que possamos passar aos familiares a alegria que ele nos passava em seu restaurante. Temos o Élcio como uma pessoa honesta, que sempre acreditou no potencial do Acre”, disse Nazaré.

Uma das cenas mais comoventes que ocorreu durante o funeral foi a presença da mãe de Élcio, dona Tereza, que com seus 87 anos de idade esteve por várias horas sentada em uma cadeira ao lado do caixão. Quem chegava podia sentir um pouco de sua dor.

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Pilares do Élcio

A esposa de Élcio, Josinete Matsuo, lhe deu três filhos: Ronaldo, o primogênito, Pedro Henrique e Luana. Junto com o marido, ela ajudou a construir o nome e toda a estrutura de um dos restaurantes mais conceituados da capital acreana.

Nos últimos meses, os clientes notaram a ausência de Élcio. Em sua cadeira, atrás do balcão, o filho Ronaldo fez o possível para receber bem as pessoas que costumavam cumprimentar seu pai no momento em que chegavam ou que saiam do restaurante.

Na cozinha, junto com os funcionários, Josinete ajudava a preparar os pratos para atender os clientes que chegavam ao restaurante, e as centenas de pedidos de vários bairros da cidade.

“A saudade do meu pai vai ser eterna, vou fazer de tudo o que poder para seguir tudo o que ele me ensinou”, disse o jovem Ronaldo Matsuo.

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A mãe de Élcio, dona Tereza, chora ao lado do caixão do filho

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