“Não tenho vergonha de quem sou, quero ser vista pelo meu trabalho social” diz Mona Lisa

Por Marina, ContilNet 12/09/2016 às 16:09
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Mona Lisa trabalha na reabilitação e auxílio na vida de jovens e adolescentes /Foto: Arquivo pessoal

Talvez você já tenha visto nesta eleição ou ouvido falar da candidata Mona Lisa — como é chamada carinhosamente pelos amigos —, a transexual que concorre à uma vaga na Câmara Municipal de Rio Branco.

Natural de Canindé, no Ceará, ela veio para o Acre com o intuito de passar 6 meses dando cursos de química e tintura em cabelos para uma loja de cosméticos da Capital e não foi mais embora. Hoje residente do bairro da Base, realiza há mais de 5 anos um trabalho social com crianças de rua, fora e dentro de alguns abrigos e creches de Rio Branco.

Segundo Mona Lisa, a maioria das crianças que ela atende tem pais usuários de drogas ou que estão presos, deixando as totalmente desassistidas. “Recolho e levo para os abrigos. Lá eu faço o que posso para mantê-los, dou desde atenção até produtos de higiene pessoal, medicamentos, roupas e sapatos, na maioria das vezes, com o dinheiro que consigo com meu trabalho no salão. Mas isso é apenas a ponta do problema, eles precisam de acompanhamento para que saiam de lá prontos para o mercado de trabalho, que consigam sair de maneira digna, para a independência, eu sei que não é fácil, impossível também não é”, explica.

whatsapp-image-2016-09-12-at-12-58-49A candidata destaca que este mesmo trabalho desenvolvido aqui já era feito no Maranhão, onde morou antes de se mudar para o Acre. “Em São Luiz do Maranhão, consegui formar dois garotos de rua, são meu orgulho e inspiração para acreditar que há esperança, um é administrador e o outro advogado. Por que não posso tentar a mesma coisa com os daqui, através de políticas públicas voltadas para isso? Não deveria ser problema, eles têm prioridade, é lei!”

Motivo de piadas e preconceitos por causa da sua aparência, Mona Lisa diz não se incomodar: “De alguma maneira estou sendo vista, gostaria mesmo de ser vista pelo trabalho social que faço, não por ser uma transexual, ou pela minha aparência, essa sou eu e não nego quem sou e nem tenho vergonha disso”.

Mona Lisa afirma que o apoio de amigos próximos é o que motiva ela a continuar neste pleito: “Agradeço às duas pessoas que viram o meu coração, estão botando a cara e acreditando em mim que é minha querida amiga Raquel Paiva e o meu querido amigo Antônio Klemer, não tenho palavras para agradecer o que estão fazendo por mim e eu sei o que eles têm passado por terem tomado a decisão de me apoiar, o jingle da minha campanha e meu vídeo estão engraçados, estão exatamente como sou: alegre, para cima, feliz e cheia de vida”, finaliza.

Conteúdo Original / Fonte: NANY DAMASCENO, DA CONTILNET

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