Jorge Natal
Muitas são as causas da violência. Isso não pode ser assunto apenas para sociólogos ou ‘especialistas’ em segurança. Nos países tidos como desenvolvidos, cujos povos há alguns séculos eram chamados de ‘bárbaros’, investiu-se maciçamente em prevenção. Mesmo com uma formação político-econômica liberal, eles foram se aprimorando nas relações sociais até chegarem na consolidação do Estado do Bem Social.
Não que não existiam desigualdades naquelas nações, todavia algumas conquistas já foram incorporadas na sociedade e, mesmo num eventual governo fascista, não se conseguiria suprimi-las. Pois é… O Brasil é o país das desigualdades, da corrupção e a violência é mera consequência dessas e de outas contradições. A pobreza não é causa da violência.
Mas quando aliada à dificuldade dos governos em oferecer melhor distribuição dos serviços públicos, torna os bairros mais pobres e atraentes para a criminalidade e a ilegalidade.
Ao invés do Estado Democrático de Direito, estamos vivendo no Estado da Insegurança. A violência nos faz reféns do medo. Esse medo também é fruto da insegurança de cidadãos que vivem a mercê do perigo, de pessoas que saem de casa, mas não têm certeza se voltam. Perdeu-se o respeito e a tolerância. Antigamente havia liberdade de ir e vir, hoje, temos toque de recolher.
Independente do ponto que partamos, uma coisa é certa: a violência revela indubitavelmente a ausência do Estado. Onde o Estado não chega, a violência e o poder paralelo se instala. Quase sempre isso se dá nos chamados espaços segregados, áreas urbanas em que a infraestrutura urbana e serviços (saneamento básico, sistema viário, energia elétrica e iluminação pública, transporte, lazer, espaços culturais, segurança pública e acesso à justiça) é precária ou insuficiente, além da baixa oferta de postos de trabalho. Neste sentido, portanto, a violência resulta da inoperância e inabilidade administrativa dos gestores públicos.
O mapa da violência no Brasil mostra que nosso país segue com a marca de 20,4 homicídios por 100 mil habitantes. O Brasil se encontra na 8 pior colocação entre as 100 nações com estatísticas consideradas relativamente confiáveis sobre o assunto. E Rio Branco é a 15 capital mais violenta do Brasil.
Os sucessivos governos petistas ignoraram isso. Negaram veementemente que exista crime organizado no Estado, mesmo com as ameaças e mortes de agentes penitenciários. Ao contrário, diziam que éramos o ente federativo que mais investia em segurança pública. O tempo é senhor da verdade.
O Acre amarga o pior PIB do Brasil e, proporcionalmente, somos o segundo estado com maior déficit fiscal. A tal florestania nos sentenciou há quase duas décadas de atraso econômico e social. A chamada ‘economia verde’ impediu as pessoas de melhorarem de vida, obrigando-as a viver de programas sociais. Sem perspectiva, todo o futuro de uma geração ficou comprometido.
Enquanto isso nas cidades a miséria e a violência campeiam. Cerca de 135 mil pessoas vivem abaixo da linha de pobreza. Em recente pesquisa sobre IDH do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), dois municípios acreanos estão entre os piores para se viver. Sem emprego, a juventude está sendo tragada pelo consumo e tráfico de drogas. Não é por acaso que temos, proporcionalmente, a maior e mais jovem população carcerária do país.
E foi isso que eclodiu nos últimos dias no Acre. O crime organizado está desafiando o poder público, que esta perdendo essa guerra e colocando em risco a vida de operadores da segurança e da população em geral. Não precisamos de fórmulas e super-heróis, mas de políticas públicas eficazes para fazer aquilo que o petismo apregoou e nunca fez: a propalada inversão de prioridades.
Jorge Natal é jornalista
