Os senadores acrianos Sérgio Petecão (PSD) e Gladson Cameli (PP) votaram a favor da admissibilidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) enquanto o senador Jorge Viana (PT) votou contra o afastamento da companheira de partido durante votação no Senado Federal na madrugada desta quinta-feira (12).
Petecão (PSD)

Senador Petecão
O primeiro senador do Acre a se pronunciar durante os discursos no plenário foi Petecão, que afirmou que o impeachment é um processo dramático e doloroso mesmo sendo previsto na Constituição, mas que votará pela saída de Dilma após ouvir a população, que espera o fim da corrupção.
“Após ouvir os moradores do meu estado eu voto sim pelo impeachment. A população está preocupada com os escândalos de corrupção no País”, disse.
Petecão pede aos responsáveis pela administração do Brasil nos próximos meses que deem mais atenção ao povo do Acre, que, segundo o senador, está esquecido pelo poder público.
“Sabemos que o Brasil passa por dificuldade, mas o Acre vive um momento de grande dificuldade e penúria. Que o próximo governo olhe pela região do Juruá, que sofre com uma BR que nunca foi concluída”‘.
Por fim, Petecão diz que os governistas insistem e dizer que o impeachment é um golpe orquestrado pela oposição, mas esquecem que o pedido foi iniciado por um ex-integrante do PT.
“O processo não foi iniciado pela oposição, mas sim pelo fundador do Partido dos Trabalhadores. Esse argumento de que é golpe é pífio”, finalizou.

Senador Jorge Viana (PT)
Jorge Viana (PT)
O senador Jorge Viana foi o segundo senador acriano a se pronunciar no Senado e fez uma forte defesa do governo da presidenta Dilma Rousseff e dos outros governos do PT, ressaltando a importância do ex-presidente Lula da Silva. Na sessão do Senado, Viana lembrou que Lula foi “quase uma unanimidade” no país e reconhecido internacionalmente pelo combate à pobreza.
“Foi o nosso governo, o governo do PT, do presidente Lula, que tirou o Brasil do mapa da fome, reconhecido pela ONU [Organização das Nações Unidas]. E é esse governo que é satanizado pela oposição e sofre com a traição. Tem gente que adora uma traição, mas tem horror ao traidor”, afirmou.
O senador petista também fez um apanhado dos últimos acontecimentos relevantes da vida política do país e afirmou que o Brasil passa por um momento de “anarquia”, onde o equilíbrio dos poderes está afetado.
“Alguns dizem que estamos vivendo a normalidade institucional. Eu discordo. Estamos vivendo um momento de muita gravidade, estamos vivendo um momento crítico. Um senador foi preso há pouco tempo sem autorização do Congresso. O presidente da Câmara foi afastado outro dia sem que a Câmara tivesse sido ouvida. Hoje estamos apreciando uma matéria que, se aprovada, cassa o voto de 54 milhões de brasileiros por maioria simples do plenário do Senado. E alguns se arvoram a dizer que estamos vivendo a normalidade institucional. Eu digo para quem quiser ouvir: nós estamos vivendo a anarquia”, afirmou.
Jorge Viana disse ainda que o vice-presidente Michel Temer não poderá subir a rampa do Palácio do Planalto pela frente.
“Estão fazendo uma rampa atrás do Palácio do Planalto. Espero que seja para a mobilidade, porque se for para o novo presidente é a única rampa que ele pode subir. Porque a da frente é para os eleitos”, disse.

Senador Gladson Cameli (PP)
Gladson Cameli (PP)
O último senador acriano a se pronunciar na tribuna do Senado foi Gladson Cameli (PP), que discursou por volta das 21:40 horas (horário do Acre). Cameli defendeu a abertura do processo de impeachment.
“O momento de hoje não é para festa, mas para julgar e fazer cumprir nossa Constituição, à luz do rito ditado pela guardiã da nossa Lei maior, a Suprema Corte. O PT não pode mais administrar a coisa pública como se fosse um bem particular. Precisamos recuperar a confiança econômica e devolver os empregos aos pais de famílias”, refletiu Gladson Cameli.
Com a aprovação da admissibilidade do processo, a presidente deverá ser afastada por até 180 dias para que o Senado investigue o mérito da denúncia de que Dilma Rousseff cometeu crime de responsabilidade por abrir créditos suplementares sem autorização do Congresso Nacional e a contratar, de maneira ilegal, operações de crédito com instituições financeiras controladas pela União.
“Esses atos mostraram sérios indícios de graves e repetidos atentados a princípios da Constituição Federal, no caso, a separação dos Poderes, o controle parlamentar das finanças públicas, a boa gestão do dinheiro público e o respeito às leis orçamentárias, elementos imprescindíveis da boa governança e da democracia”, observou o senador.
Após a fase de investigação, haverá uma segunda votação em plenário que definirá o impeachment ou não. Essa sessão será presidida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e para destituir a presidente é necessário o voto favorável de 54 senadores (dois terços da composição da Casa). “Estou plenamente convencido da necessidade de examinarmos nesta Casa, como mandam a Constituição e o Supremo Tribunal Federal, o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff”, declarou Gladson Cameli.
