Guerra de facções na fronteira com Brasil faz Bolívia liberar sede da PF no país
A escalada da violência na região de fronteira levou o governo da Bolívia a adotar novas medidas de cooperação com o Brasil no enfrentamento ao crime organizado. Entre as ações anunciadas está a instalação de um escritório permanente da Polícia Federal (PF) em território boliviano, que passará a atuar em conjunto com a Polícia Boliviana em ações de inteligência e operações contra organizações criminosas.
As medidas foram anunciadas pelo ministro do Governo da Bolívia, Marco Antonio Oviedo, que confirmou que as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) disputam o controle das rotas utilizadas para o tráfico de drogas no país.
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Segundo o ministro, o fortalecimento dessas organizações criminosas ao longo das últimas décadas fez com que a Bolívia se tornasse um dos principais corredores utilizados pelo narcotráfico na América do Sul. Diante desse cenário, os dois governos decidiram ampliar a cooperação entre as forças de segurança.
Um dos principais pontos do acordo prevê a presença permanente da Polícia Federal brasileira na Bolívia para intensificar o compartilhamento de informações de inteligência. A PF atuará lado a lado com a Polícia Boliviana, permitindo uma resposta mais rápida às ações do crime organizado. Em contrapartida, a Polícia Boliviana também manterá uma representação permanente no Brasil, fortalecendo a troca de informações e a coordenação das investigações.
A iniciativa foi anunciada no mesmo dia em que uma ação conjunta entre autoridades brasileiras e bolivianas resultou na prisão de Neno Razuk, investigado por envolvimento com o crime organizado transnacional. Para os governos dos dois países, a operação reforçou a necessidade de ampliar o intercâmbio de informações para localizar e prender integrantes de facções.
Além da cooperação policial, Brasil e Bolívia lançarão nas próximas semanas a operação “Fronteiras Seguras”, voltada ao combate ao tráfico de drogas, armas e outros crimes transnacionais. A força-tarefa reunirá policiais brasileiros e bolivianos em operações integradas nas cidades de Cobija, Guayaramerín, San Matías e Puerto Suárez, consideradas estratégicas para a movimentação de drogas e integrantes de facções criminosas.
Ministro do Governo da Bolívia, Marco Antonio Oviedo | Foto:reprodução
Um dos principais pontos do acordo prevê a presença permanente da Polícia Federal brasileira na Bolívia. /Foto:reprodução
De acordo com Marco Antonio Oviedo, essas localidades funcionam como corredores utilizados pelo narcotráfico para o envio de entorpecentes ao Brasil e a outros mercados internacionais. O objetivo é ampliar a fiscalização, impedir a circulação de criminosos e enfraquecer as rotas exploradas pelas organizações criminosas.
O anúncio das novas medidas ocorre em meio a uma sequência de episódios violentos registrados no departamento de Santa Cruz. Nas últimas semanas, nove pessoas morreram em ataques atribuídos ao crime organizado. Entre as vítimas está o subtenente Yerson Salazar, integrante da Polícia Boliviana, morto durante uma investigação sobre a execução de quatro pessoas no município de San Matías.
Após os crimes, o governo boliviano reforçou o efetivo policial na região de fronteira e anunciou que pretende ampliar as ações de inteligência para conter o avanço das organizações criminosas. Segundo Oviedo, a atuação conjunta entre Brasil e Bolívia será fundamental para reduzir a influência das facções e combater o narcotráfico na região de fronteira.