Partidos que disputam o Acre terão bilhões em fundo eleitoral; veja quanto cada um recebe
O dinheiro que abastece as campanhas eleitorais de 2026 já permite enxergar, em números, o peso que cada partido terá na disputa. Embora o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) mantenha o mesmo tamanho de 2022, em torno de R$ 4,96 bilhões, a distribuição dos recursos mudou significativamente, e coloca o PL no topo do ranking nacional.
A legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro terá R$ 881,7 milhões, o equivalente a 17,77% de todo o fundo eleitoral. Na prática, quase R$ 1 de cada R$ 5 destinados pelo fundo às campanhas neste ano estará sob o controle do PL.
O PT aparece em segundo lugar, com R$ 615,4 milhões, seguido por União Brasil, com R$ 526,2 milhões; PSD, com R$ 421 milhões; PP, com R$ 417,1 milhões; MDB, com R$ 400 milhões; e Republicanos, com R$ 348,6 milhões.
A mudança mais expressiva é justamente a do PL. Em 2022, o partido recebeu R$ 288,5 milhões e ocupava apenas a sétima posição. Em quatro anos, o valor cresceu 205,6%.
O PT também ganhou espaço, passando de R$ 503,4 milhões para R$ 615,4 milhões, alta de 22,3%. Já o União Brasil, que havia recebido a maior fatia em 2022, viu seus recursos caírem de R$ 782,5 milhões para R$ 526,2 milhões, uma redução de 32,8%.
| partido | em 2022 (R$ mi) | em 2026 (R$ mi) | variação 2026/2022 (%) |
| PL | 288,52 | 881,66 | +205,6 |
| PT | 503,36 | 615,37 | +22,3 |
| União Brasil | 782,55 | 526,24 | -32,8 |
| PSD | 349,92 | 421,01 | +20,3 |
| PP | 344,79 | 417,07 | +21,0 |
| MDB | 363,28 | 400,00 | +10,1 |
| Republicanos | 242,25 | 348,59 | +43,9 |
| Podemos | 267,61 | 245,97 | -8,1 |
| PDT | 253,43 | 169,29 | -33,2 |
| PSB | 268,89 | 152,25 | -43,4 |
| PSDB | 320,01 | 147,90 | -53,8 |
| Psol | 100,04 | 131,51 | +31,5 |
| Solidariedade | 204,36 | 88,53 | -56,7 |
| Avante | 69,24 | 72,52 | +4,7 |
| PRD | 200,98 | 71,82 | -64,3 |
| PCdoB | 76,08 | 60,53 | -20,4 |
| Cidadania | 87,94 | 60,17 | -31,6 |
| PV | 50,58 | 45,18 | -10,7 |
| Novo | 90,11 | 37,04 | -58,9 |
| Rede | 69,67 | 35,80 | -48,6 |
| Agir | 3,10 | 3,31 | +6,7 |
| DC | 3,10 | 3,31 | +6,7 |
| Democrata | 3,10 | 3,31 | +6,7 |
| Missão | não existia | 3,31 | – |
| Mobiliza | 3,10 | 3,31 | +6,7 |
| PCB | 3,10 | 3,31 | +6,7 |
| PCO | 3,10 | 3,31 | +6,7 |
| PRTB | 3,10 | 3,31 | +6,7 |
| PSTU | 3,10 | 3,31 | +6,7 |
| UP | 3,10 | 3,31 | +6,7 |
A distribuição ajuda a explicar por que o fundo eleitoral é tão importante na montagem das campanhas. Não se trata apenas de pagar material de divulgação. O dinheiro financia estrutura, publicidade, produção de conteúdo, deslocamentos e toda a operação necessária para uma candidatura competitiva.
E, no Acre, a fotografia nacional do fundo eleitoral ganha um componente político próprio.
O dinheiro e as alianças no Acre
As maiores legendas do país estão distribuídas entre os principais projetos que disputam o governo acreano.
O PL, que terá a maior fatia do fundo, está na aliança que apoia a governadora Mailza Assis (PP). A sigla tem como principal liderança no Estado o senador Márcio Bittar.
O PP, partido de Mailza, receberá R$ 417,1 milhões nacionalmente. A chapa da governadora também conta com MDB, que indicou a vice Jéssica Sales, além de União Brasil e PDT, entre outras siglas.
É justamente aí que o tamanho do fundo eleitoral começa a produzir efeito político: a candidatura de Mailza está apoiada por partidos que, somados, têm acesso a uma parcela expressiva dos recursos disponíveis nacionalmente.
Do outro lado, o Republicanos, partido do senador Alan Rick, terá R$ 348,6 milhões. A legenda integra a aliança formada ainda por PSD, Novo e Avante.
O PSD, que tem como principal liderança no Acre o senador Sérgio Petecão, terá R$ 421 milhões para as eleições de 2026.
Já o PT, que terá a segunda maior fatia do fundo eleitoral, decidiu apoiar a candidatura do médico Thor Dantas (PSB)ao governo. A aliança reúne ainda Podemos e a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV.
O dado financeiro dá uma dimensão adicional ao peso da aliança. O PT sozinho terá R$ 615,4 milhões. O PSB, partido de Thor, receberá R$ 152,3 milhões, enquanto o Podemos terá R$ 246 milhões.
Ou seja: embora o PT não esteja na chapa majoritária de Thor, sua presença na coligação representa mais do que tempo de propaganda eleitoral. Representa também capacidade financeira para a campanha.
PL dispara e PSDB perde espaço
A divisão de 2026 também mostra uma mudança importante no equilíbrio de forças entre os partidos.
Além do salto do PL, o Republicanos aumentou sua fatia em 43,9%, passando de R$ 242,3 milhões em 2022 para R$ 348,6 milhões.
PSD e PP também avançaram, com altas de 20,3% e 21%, respectivamente.
Na outra ponta, partidos tradicionais perderam recursos.
O PSDB, que em 2022 recebeu R$ 320 milhões, terá R$ 147,9 milhões em 2026, uma queda de 53,8%. A legenda é comandada no Acre pelo ex-prefeito Tião Bocalom, que disputa o governo estadual.
O PSB, de Thor Dantas, também perdeu recursos: passou de R$ 268,9 milhões para R$ 152,3 milhões, redução de 43,4%.
O PDT terá R$ 169,3 milhões, contra R$ 253,4 milhões em 2022. O Podemos receberá R$ 246 milhões, queda de 8,1%.
No Acre, portanto, a eleição será travada não apenas entre nomes e alianças, mas também entre estruturas partidárias com capacidades financeiras bastante diferentes.
Quem tem mais dinheiro não necessariamente tem mais voto
O fundo eleitoral é um ingrediente importante, mas não determina sozinho o resultado de uma eleição.
Dinheiro ajuda a montar uma campanha competitiva, ampliar presença nas ruas, produzir propaganda e contratar estrutura. Mas não substitui voto, candidato, alianças, tempo de televisão e rádio ou capacidade de comunicação com o eleitor.
O que os números mostram, porém, é que algumas candidaturas chegam à corrida eleitoral com uma vantagem estrutural.
No Acre, Mailza, Alan Rick, Thor Dantas e Bocalom estão apoiados por partidos com diferentes níveis de acesso ao fundo eleitoral. E essa diferença tende a aparecer de forma mais clara à medida que a campanha avançar.
No caso de Thor, a presença do PT pode ser particularmente relevante. O partido tem a segunda maior fatia do fundo nacional e, mesmo sem ocupar a cabeça da chapa, leva para a aliança recursos e estrutura que o PSB sozinho não teria.
Na disputa entre Mailza e Alan, por sua vez, o cenário também é revelador: de um lado, uma candidatura apoiada por PP, PL, MDB e União Brasil; do outro, uma aliança liderada pelo Republicanos e com PSD.
No fim, a matemática do fundo eleitoral não escolhe o próximo governador. Mas ajuda a explicar quem terá mais munição para tentar convencer o eleitor acreano.
E, em uma eleição cada vez mais profissionalizada, essa diferença pode pesar.