operação da PF
A quadrilha de tráfico de drogas desbaratada pela Polícia Federal no Acre, responsável por movimentar 1,3 toneladas de drogas no Estado, usava as calhas dos rios Iaco e Acre como rota do transporte dos entorpecentes.
Esta era uma tentativa de fugir das barreiras policiais montadas nas rodovias que ligam os municípios de fronteira com Bolívia e Peru a Rio Branco. Por conta desta estratégia, a PF batizou as investigações de “Operação Iaco”, numa referênciaao rio que nasce no Peru, atravessa Assis Brasil e Sena Madureira.
As investigações duraram um ano e resultaram na identificação de 30 pessoas acusadas de envolvimento com o tráfico de drogas. Deste total, 14 foram presas. Além da prisão e da condução de outras 10 pessoas para prestar depoimentos na superintendência, a polícia apreendeu bens, armas e uma quantia de US$ 6,2 mil.
De acordo com a PF, os traficantes cooptavam os ribeirinhos do rio Iaco para ajuda-los com informações sobre os caminhos no meio da floresta para se chegar à capital, de onde a droga era enviada para o Paraná. Em Maringá, a polícia prendeu o acusado de ser o financiador da quadrilha no Acre, responsável pela compra da droga.
A atuação da organização foi descoberta a partir de informações coletadas na região de fronteira, dando conta de que traficantes estariam usando rotas fluviais para o transporte de cocaína saída do Peru. A partir de então, a PF começou as investigações e a combater o tráfico pelo Iaco. Como alternativa, os criminosos recorreram ao rio Acre.
Com os lucros reduzidos pela repressão policial, os traficantes, então, decidiram “importar” maconha do Mato Grosso do Sul; um caminhão com mais de uma tonelada de maconha foi interceptado e apreendido quando entrava no Acre.
Droga refinada
A quadrilha comercializava uma droga considerada como “pura” e de alto valor no mercado do tráfico. Para a PF, o cloridato de cocaína comercializado era vendido para outros países.
“Esta é uma cocaína com alto grau de pureza, o que indica que a organização tem um perfil mais refinado, este é um tipo de entorpecente muito usado para a exportação”, afirma o agente Maurício Pinheiro, um dos investigadores. Ao todo, mais de 100 kg de cloridato de cocaína foram apreendidos pela PF nas calhas do rio Acre e Iaco.
Descapitalizar
Para o delegado Leandro Ribeiro, muito mais importante do que a prisão dos acusados e a apreensão das drogas, é a descapitalização das organizações de tráfico de drogas. A polícia apreendeu bens pertencentes aos presos como carros e motos, além de pedir o bloqueio das contas bancárias; a PF apreendeu cinco carros e uma moto.
“O nosso foco investigativo, além de apreender drogas e prender os criminosos, é descapitalizar as organizações para que possamos desestruturar. Depois dos líderes presos essas organizações não tenham condições de ir se substituindo, continuarem as atividades criminosas”, diz o delegado Leandro Ribeiro, da Delegacia de Repressão ao Entorpecente.