“Se o consulado funcionasse no Haiti os problemas do Acre diminuíram”, diz diplomata

Por Suporte 28/04/2015 às 17:26

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Cerca de 800 haitianos amanhecem na porta do consulado do Brasil no Haiti esperando pelo cônsul Vitor Hugo Irigaray em busca de um carimbo para o “eldorado”. O escritório do consulado fica em Pétion Ville, bairro de classe média alta de Porto Príncipe, e a cena, descrita por jornalistas brasilerios, se repete há muito tempo e está chegando a uma situação insustentável.

Vitor Hugo corrobora com a posição do governador Tião Viana, que insistentemente vem pedindo para que os documentos dos haitianos sejam emitidos em Porto Princípe com o destino brasileiro já anotado, uma vez que a imensa maioria deles não fica no Acre. “Se tivéssemos um serviço consular funcionando, com investimentos, os problemas do Acre poderiam diminuir”, confirmou o cônsul.

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Apesar de boatos da crise econômica já terem ecoado por terras caribenhas, a demanda haitiana pelo visto brasileiro não diminuiu. A cota mensal de 650 permissões é esgotada com facilidade.mOs haitianos passaram a ter o direito ao visto humanitário permanente em 2012, por meio de uma medida do governo após o terremoto que devastou o país em 2010.

Desde então, 15.370 vistos foram entregues somente no Haiti, além de outros 4.790 nos consulados de Quito, no Equador, e de Lima, no Peru. Mais de 36 mil haitianos passaram pelo Acre desde 2010. Naquele foram só 36 mas seguiu-se uma explosão imigratória que atraiu outras onze nacionalidades, inclusive nigerianos, a cruzarem a fronteira de Assis Brasil com destino à capital acreana e daqui para os centros mais desenvolvidos do País, especialmente São Paulo. O problema é que a miséria do Haiti e a dura crise vivida pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil afetam o consulado, que trabalha sem estrutura nenhuma, segundo o relato dos jornalistas. “No consulado, não tem nada informatizado, é mais ou menos tudo na mão e no olho. É difícil. Faço esse trabalho sozinho, não tem quem faça”, diz Irigaray.

De setembro de 2014 a fevereiro de 2015, o consulado recebeu 80 mil ligações relacionadas à situação de visto. Diante desse cenário, haitianos optam por meios ilícitos para chegar ao Brasil. Segundo o Ministério da Justiça, 46.806 haitianos vivem no país; desses, 35.659 chegaram pelas fronteiras brasileiras do Acre e do Amazonas sem passar por um setor consular. ( A Tribuna)

Conteúdo Original / Fonte: Da Redação da ContilNet Notícias

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