Seca no Acre é a mais severa desde dezembro de 2024, diz monitor
O Monitor de Secas, do governo federal, divulgou uma nova atualização sobre a situação da estiagem em todo o país. No Acre, o fenômeno se intensificou e o estado registrou a maior severidade no Brasil em agosto.
A condição é a mais severa no Acre desde dezembro de 2024. De acordo com o Monitor, a seca saiu de fraca para grave entre julho e agosto deste ano.
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Segundo o levantamento, a seca já atingiu 100% do território do Acre, que junto com Roraima foram os únicos do Norte a terem todo o estado atingido pelo fenômeno em agosto.
No Norte do país, o quadro evoluiu em ritmo acelerado, com a intensificação da seca avançando até duas categorias em relação a julho. Regiões que antes registravam apenas seca fraca (S0) saltaram diretamente para seca grave (S2). Em outras localidades onde a situação era de normalidade, o indicador passou para seca moderada (S1).
Situação crítica no Acre
O estado do Acre foi um dos pontos mais afetados no mapa da estiagem. Na porção leste do estado, a deterioração dos indicadores fez com que a classificação mudasse diretamente de seca fraca (S0) para grave (S2).
“No Acre, devido à piora nos indicadores, a seca se agravou, passando de fraca (S0) para grave (S2) no leste. Nas demais áreas, a seca passou de fraca (S0) para moderada (S1). Os impactos são de curto prazo (C)”, destacou o monitor.
Nas demais regiões acreanas, o cenário evoluiu da condição fraca para moderada (S1). No momento, os relatórios indicam que os impactos no estado concentram-se no curto prazo (C), afetando diretamente o nível das águas e o abastecimento local.
Avanço do El Niño
O avanço do El Niño tem elevado a possibilidade do fenômeno se transformar em um dos mais fortes registrado em mais de 70 anos.
De acordo com a atualização mais recente do relatório da Administração Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA), divulgada na última quinta-feira (10), há 75% de chance de o evento alcançar uma intensidade sem precedentes desde 1950 durante o trimestre entre outubro e dezembro.
No Brasil, os efeitos do El Niño variam conforme a região e com a época do ano. No Norte e em parte do Nordeste, o fenômeno tende a reduzir as chuvas e pode agravar períodos de seca. O Acre deve enfrentar um período mais seco e quente nos próximos meses.
A informação foi segundo a terceira edição do Painel El Niño 2026-2027, divulgada nesta terça-feira, 1º de setembro. A previsão para o trimestre de setembro a novembro aponta chuvas abaixo da média e temperaturas acima do normal na região, cenário que pode prolongar a estação seca, reduzir a disponibilidade de água e aumentar o risco de incêndios florestais.
Na Amazônia Legal, o boletim aponta previsão de chuvas abaixo da média no Acre, além de outros estados como Amapá, Roraima, Pará, Maranhão, Amazonas e no norte de Mato Grosso.
Para o Acre, a combinação entre menos chuva e temperaturas mais elevadas pode favorecer o prolongamento da estação seca e diminuir a disponibilidade hídrica. O cenário também pode aumentar a vulnerabilidade da vegetação e favorecer a ocorrência e propagação de queimadas e incêndios florestais.
O alerta ganha importância durante o período de estiagem, quando a redução da umidade e a falta de chuva podem deixar áreas de vegetação mais suscetíveis ao fogo.
Situação de emergência
O governo federal, por intermédio da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, formalizou o reconhecimento de situação de emergência em todos os 22 municípios do estado do Acre em razão da severidade da seca. A decisão consta da Portaria nº 2.659, assinada pelo secretário Wolnei Wolff Barreiros e publicada no Diário Oficial da União (DOU).
A medida abrange a totalidade do território acreano: Acrelândia, Assis Brasil, Brasiléia, Bujari, Capixaba, Cruzeiro do Sul, Epitaciolândia, Feijó, Jordão, Mâncio Lima, Manoel Urbano, Marechal Thaumaturgo, Plácido de Castro, Porto Acre, Porto Walter, Rio Branco, Rodrigues Alves, Santa Rosa do Purus, Sena Madureira, Senador Guiomard, Tarauacá e Xapuri.
A decretação federal baseia-se na homologação prévia efetuada pelo governo estadual por meio do Decreto nº 11.932, publicado em 31 de julho. O ato administrativo busca desburocratizar o repasse de recursos financeiros da União para ações de assistência humanitária, suporte ao abastecimento de água e socorro à população atingida pela escassez hídrica.