Tragédia no Ituxi: vítima deixou colete; caseiro salvou policial que agonizava

Por Suporte 08/06/2015 às 01:53

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Os quatro acreanos (um sobrevivente, dois mortos por afogamento e outro desaparecido nas águas do Rio Ituxi) sonhavam com uma pescaria inesquecível. Tomaram um dos caminhos mais explorados pelos aficcionados da pesca esportiva. O destino seria o farto Rio Marmelo, afluente do Rio Madeira.

Era uma questão pessoal chegar à localidade, fisgar, fotografar, filmar peixes graúdos que, segundo a tradição, são abundantes naquelas águas. Desbravar a fortíssima correnteza por entre pedras e balseiros aumentou a ansiedade do grupo, que estava ciente do grande perigo, mas decidiu partir na quarta-feira (3), véspera do feriado de Corpus Christi, com previsão de voltar para casa neste domingo (7). 

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Os planos, apesar de elaborados há alguns dias, falharam ainda no embarque, em Rio Branco. Eles deixaram de levar equipamentos de proteção pessoal, indispensáveis para quem se aventura nas cachoeiras do Rio Ituxi. 

“Todos poderiam estar aqui agora”, comentou um parente, que pediu para não ser identificado. Nas redes sociais, amigos de Richardson Leitão, de 32 anos, cujo corpo foi encontrado neste domingo, informaram que ele esqueceu o colete salva-vidas sobre uma mesa.

O grupo seguiu pela BR 364 até chegar ao Distrito de Vista Alegre do Abunã (RO). De lá, seguiu por uma estrada extremamente precária, com pontes quebradas e atoleiros diversos.

Foram 110 quilômetros de uma viagem difícil até chegarem a uma fazenda, onde só se tem acesso mediante ordem do proprietário. Um caseiro recebeu Richardson, Jailson, João Paulo e Anderson.

Era 9 horas de quinta-feira e os pescadores avisaram que voltariam para almoçar. Até convidaram o caseiro. O homem, no entanto, ao perceber que o grupo demorava a arrumar a tralha, seguiu na frente, mas deixou o alerta: “tenham cuidado. Esse rio é traiçoeiro demais. Está cheio”.

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Por volta de 17 horas, o caseiro retornava de sua pescaria solitária quando avistou, já há algum tempo lutando pela vida e contra a fortíssima correnteza, o policial civil Joilson Valdomiro, único sobrevivente, agarrado a uma pedra.“Meus amigos desapareceram. Me ajude”, gritou o homem após relatar que o barco tipo voadeira havia batido numa rocha.

Sem sucesso, a dupla fez uma busca rápida. Escurecia, e a angústia do policial só aumentava. O primeiro pedido de socorro foi feito por telefone rural, desde a fazenda, para o Corpo de Bombeiros de Rondônia. “Levem motosserras, uma Hilux e voadeira potente. O acesso é muito ruim, orientou um oficial bombeiro à sua equipe de buscas. Os militares do Acre também se mobilizaram e seguiram para a região. 

O corpo de Richardson Leitão da Silva foi transladado em helicóptero do governo do Acre. O mau tempo prejudicou o resgate, e a aeronave pousou com duas horas de atraso no pátio do 7º Batalhão de Engenharia e Construção, de onde seguiu para o Instituto Médico Legal, já na noite deste domingo. O velório será na Capela São João Batista, ao lado da TV Gazeta, e o sepultamento está previsto para a manhã desta segunda-feira (8).

Conteúdo Original / Fonte: Assem Neto, da ContilNet Notícias

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