Jovem com esquizofrenia morre e famĂ­lia acusa ex-namorado

Por Marina, ContilNet 18/10/2021 Ă s 19:58

Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) investiga a morte de Joice Giarolla Carneiro Hernandes, de 21 anos. Portadora de esquizofrenia, a jovem deu entrada já em óbito, no início da noite deste domingo, no Posto de Saúde de Fragoso, em Magé, na Baixada Fluminense. Ela chegou à unidade levada por um ex-namorado, Diego Medeiros de Souza, de 33 anos. Uma ordem de restrição impedia que ele se aproximasse da ex-companheira, em virtude de uma acusação de estupro de vulnerável a que ele responde na Justiça.

AlĂ©m do acompanhamento por conta da doença psiquiátrica, que exigia medicação constante, Joice tambĂ©m fazia tratamento contra a dependĂŞncia quĂ­mica em cocaĂ­na. A declaração de Ăłbito elaborada no posto nĂŁo aponta causa da morte e frisa a necessidade de “exames complementares”. Segundo a famĂ­lia, porĂ©m, um funcionário da unidade citou, informalmente, indĂ­cios de que ela pode ter sofrido uma overdose. AlĂ©m disso, tambĂ©m havia marcas avermelhadas no pescoço da jovem, cujas causas ainda serĂŁo analisadas.

A DHBF já solicitou as imagens das câmeras de segurança do local e oficiou o Instituto Médico-Legal (IML) para pedir rapidez na elaboração do laudo cadavérico, que apontará o que, efetivamente, ocasionou a morte de Joice. Na manhã desta terça-feira, Diego, que foi intimado na tarde desta segunda, é esperado na especializada para prestar depoimento sobre o episódio.

A famĂ­lia de Joice conta que sĂł soube da morte a partir de uma postagem em um perfil de notĂ­cias da cidade no Facebook, administrado por Diego. No texto, ele afirma que a jovem “morreu devido ao consumo excessivo de drogas no dia do aniversário da nossa filha”. Joice, de fato, era mĂŁe de uma menina que completou 3 anos no domingo. Contudo, ela nĂŁo tem nome paterno na certidĂŁo de nascimento, e Joice sempre negou que Diego fosse o pai. Por conta dos problemas de saĂşde da mĂŁe, a criança Ă© criada por uma parente que a adotou.

Ainda de acordo com a famĂ­lia da jovem, Diego afirmou, ao chegar ao posto de saĂşde, que Joice seria apenas uma moradora de rua. Ao ser informado de que os profissionais da unidade teriam de comunicar o Ăłbito Ă  PolĂ­cia Militar, ele teria deixado o local. Esse relato teria sido repassado aos parentes por uma assistente social, no momento em que eles chegaram ao posto para se inteirar do ocorrido. Contatada pela reportagem, a Secretaria municipal de SaĂşde de MagĂ© respondeu apenas que “acolheu a paciente”, mas que ela “já chegou em Ăłbito Ă  unidade”, sem fornecer maiores detalhes.

Já Diego, também procurado, informou que só daria declarações depois de prestar depoimento na DHBF. Segundo o advogado dele, Alexandre Peçanha Aldighiéri, os dois foram realmente namorados no passado, e Joice teria aparecido repentinamente na porta do ex no domingo, aparentando estar sob efeito de drogas. Em seguida, ainda conforme o relato fornecido pela defesa de Diego, ela começou a passar muito mal, e ele a levou de imediato para o hospital.

Diego responde a um processo criminal pelo estupro de vulnerável de Joice, ocorrido entre os anos de 2017 e 2018. Na denĂşncia elaborada pelo MinistĂ©rio PĂşblico, a promotora Elke Schlesinger Royo Visconti de AraĂşjo pontuava que, “sendo portadora de psicose”, a vĂ­tima era “absolutamente incapaz” e nĂŁo tinha o “necessário discernimento para a prática do ato”.

Em maio de 2018, quando a Justiça aceitou a denúncia contra ele, Diego chegou a ter a prisão preventiva decretada, já que estaria tentando manter contato com Joice no curso do processo. Ele passou alguns meses na cadeia e acabou libertado, mediante uma medida cautelar que impedia qualquer aproximação com a ex-namorada.

Na investigação sobre o estupro de vulnerável, a 66ÂŞ DP (Piabetá) descobriu que Diego fornecia drogas em troca de sexo com a jovem, que tinha Ă  Ă©poca 17 anos. “Verifica-se que o nacional Diego Medeiros de Souza, mesmo ciente de que Joice Giarolla Carneiro Hernandes era portadora de distĂşrbios mentais, manteve por diversas vezes relações sexuais com a mesma, fatos ocorridos desde o inĂ­cio de 2017, quando Joice já contava com 17 anos de idade, pagando tais relações sexuais com entrega de drogas ilĂ­citas para uso da mesma”, diz um trecho do relatĂłrio.

A DHBF já solicitou as imagens das câmeras de segurança do local e oficiou o Instituto Médico-Legal (IML) para pedir rapidez na elaboração do laudo cadavérico, que apontará o que, efetivamente, ocasionou a morte de Joice. Na manhã desta terça-feira, Diego, que foi intimado na tarde desta segunda, é esperado na especializada para prestar depoimento sobre o episódio.

ConteĂşdo Original / Fonte: AGĂŠNCIA O GLOBO

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