Um novo trecho em vĂdeo do interrogatĂłrio clandestino que antecedeu a execução do motorista de aplicativo AntĂ´nio Marcos dos Santos Filho, de 23 anos, passou a circular nas redes sociais e em fĂłruns da internet. Conhecido popularmente como “Gordinho da Revoada”, o jovem teve o corpo localizado na Ăşltima segunda-feira (1Âş) em uma área de mata densa em GuayaramerĂn, na BolĂvia.
O novo material audiovisual detalha o momento em que a vĂtima, mantida sob a mira de armas de fogo em uma regiĂŁo de floresta na fronteira, tenta explicar sua versĂŁo dos fatos aos captores e relata como foi atraĂda para o que descreve como uma armadilha. A gravação expõe a dinâmica de coação e o teor das acusações feitas pela facção criminosa antes do homicĂdio.
Na transcrição do diálogo com os executores, AntĂ´nio Marcos Ă© severamente questionado sobre a sua suposta participação no planejamento de um crime anterior — jargĂŁo conhecido no meio policial como “passar a fita” ou “dar a ponta” de uma mercadoria ou valor. O motorista nega veementemente o envolvimento em qualquer esquema de traição.
“NĂŁo, nĂŁo passei a fita nĂŁo”, defende-se o jovem no registro, explicando que foi rendido previamente e mantido refĂ©m sob violĂŞncia psicolĂłgica. “Esses caras entraram comigo dentro do meu carro, aĂ pegaram e ficaram com a arma tudo em cima de mim”, relatou a vĂtima aos homens que o gravavam.
Durante o interrogatĂłrio, os criminosos pressionam AntĂ´nio Marcos sobre uma quantia de R$ 5.000 que estaria em sua posse. Sob forte estresse, ele argumenta que o dinheiro pertencia Ă sua esposa e implora por sua integridade fĂsica: “Por favor, nĂŁo faz nada comigo. SĂł esse dinheiro tambĂ©m eu nĂŁo tenho”.
O motorista tambĂ©m descreve aos interrogadores como teria funcionado a articulação para levá-lo atĂ© o local de isolamento, mencionando que foi convidado por terceiros para uma residĂŞncia, onde outros indivĂduos, incluindo um homem referido como “Pedrinho”, foram acionados para compor o grupo.
Ainda de acordo com o relato forçado de AntĂ´nio Marcos no vĂdeo, os envolvidos tentaram minimizar a gravidade da abordagem momentos antes de consumarem o sequestro, alegando que o objetivo da ação seria restrito. “Eles falaram assim: ‘nĂŁo, nĂŁo Ă© sĂł que vocĂŞ cai entĂŁo, Ă© sĂł pra tirar um vĂdeo e tal'”, explicou o jovem, segundos antes de os criminosos mudarem a postura e decretarem a sua morte na fronteira.
O caso segue sob forte repercussĂŁo e debate entre internautas e moradores de RondĂ´nia, que acompanham os desdobramentos da investigação transnacional. Os novos arquivos digitais de mĂdia estĂŁo sendo monitorados por peritos criminais e forças de segurança para tentar mapear e identificar a identidade dos executores que aparecem dando ordens na gravação.
Veja o vĂdeo:Â


