Em novo vĂ­deo motorista morto na BolĂ­via relata emboscada

Jovem nega ter armado 'fita' e cita dinâmica de cativeiro

Por Redação ContilNet 02/06/2026 às 06:40
Antes de ser morto a tiros, Antônio Marcos dos Santos Filho foi gravado sob a mira de armas mandando mensagem aos pais/ Foto: Reprodução

Um novo trecho em vídeo do interrogatório clandestino que antecedeu a execução do motorista de aplicativo Antônio Marcos dos Santos Filho, de 23 anos, passou a circular nas redes sociais e em fóruns da internet. Conhecido popularmente como “Gordinho da Revoada”, o jovem teve o corpo localizado na última segunda-feira (1º) em uma área de mata densa em Guayaramerín, na Bolívia.

O novo material audiovisual detalha o momento em que a vítima, mantida sob a mira de armas de fogo em uma região de floresta na fronteira, tenta explicar sua versão dos fatos aos captores e relata como foi atraída para o que descreve como uma armadilha. A gravação expõe a dinâmica de coação e o teor das acusações feitas pela facção criminosa antes do homicídio.

Na transcrição do diálogo com os executores, AntĂ´nio Marcos Ă© severamente questionado sobre a sua suposta participação no planejamento de um crime anterior — jargĂŁo conhecido no meio policial como “passar a fita” ou “dar a ponta” de uma mercadoria ou valor. O motorista nega veementemente o envolvimento em qualquer esquema de traição.

“NĂŁo, nĂŁo passei a fita nĂŁo”, defende-se o jovem no registro, explicando que foi rendido previamente e mantido refĂ©m sob violĂŞncia psicolĂłgica. “Esses caras entraram comigo dentro do meu carro, aĂ­ pegaram e ficaram com a arma tudo em cima de mim”, relatou a vĂ­tima aos homens que o gravavam.

Durante o interrogatĂłrio, os criminosos pressionam AntĂ´nio Marcos sobre uma quantia de R$ 5.000 que estaria em sua posse. Sob forte estresse, ele argumenta que o dinheiro pertencia Ă  sua esposa e implora por sua integridade fĂ­sica: “Por favor, nĂŁo faz nada comigo. SĂł esse dinheiro tambĂ©m eu nĂŁo tenho”.

O motorista tambĂ©m descreve aos interrogadores como teria funcionado a articulação para levá-lo atĂ© o local de isolamento, mencionando que foi convidado por terceiros para uma residĂŞncia, onde outros indivĂ­duos, incluindo um homem referido como “Pedrinho”, foram acionados para compor o grupo.

Ainda de acordo com o relato forçado de AntĂ´nio Marcos no vĂ­deo, os envolvidos tentaram minimizar a gravidade da abordagem momentos antes de consumarem o sequestro, alegando que o objetivo da ação seria restrito. “Eles falaram assim: ‘nĂŁo, nĂŁo Ă© sĂł que vocĂŞ cai entĂŁo, Ă© sĂł pra tirar um vĂ­deo e tal'”, explicou o jovem, segundos antes de os criminosos mudarem a postura e decretarem a sua morte na fronteira.

O caso segue sob forte repercussão e debate entre internautas e moradores de Rondônia, que acompanham os desdobramentos da investigação transnacional. Os novos arquivos digitais de mídia estão sendo monitorados por peritos criminais e forças de segurança para tentar mapear e identificar a identidade dos executores que aparecem dando ordens na gravação.

Veja o vídeo: 

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