O tabuleiro polĂtico do Acre começa a ganhar contornos mais definidos rumo Ă s eleições estaduais, e alguns nomes já se consolidam como protagonistas naturais da disputa pelo Palácio Rio Branco. AlĂ©m da vice-governadora Mailza Assis (PP) e do senador Alan Rick (Republicanos), o prefeito de Rio Branco, TiĂŁo Bocalom, volta ao centro do debate polĂtico ao oficializar seu retorno ao PSDB e assumir, sem rodeios, o antigo, e nunca abandonado, sonho de governar o estado.
Engana-se, porĂ©m, quem acredita que Bocalom entrará como figurante ou candidato protocolar. Sua trajetĂłria polĂtica mostra exatamente o contrário: resiliĂŞncia eleitoral, capacidade de sobrevivĂŞncia partidária e, principalmente, um eleitorado fiel construĂdo ao longo de dĂ©cadas.
Um filme polĂtico que já passou antes
A recente saĂda do PL e a necessidade de buscar abrigo em outra legenda nĂŁo representam novidade na carreira do prefeito. Ao longo da vida pĂşblica, Bocalom já precisou mudar de partido mais de uma vez para manter projetos polĂticos vivos, situação que ele prĂłprio reconhece.
“Eu infelizmente já é a quarta vez que sou obrigado a deixar o partido. Em 2024, que me pediram pra sair do partido, e eu tive que sair (…) o que me interessa é o povo”, afirmou durante coletiva nesta quinta-feira (19), após a filiação.
O retorno ao PSDB, portanto, não é apenas estratégico. É simbólico. Trata-se da volta ao partido onde construiu seus momentos eleitorais mais competitivos.
Quando fala em governo do estado, Bocalom inevitavelmente retorna a 2010, uma eleição que ainda serve de referĂŞncia para medir sua força polĂtica.
Naquele pleito, Bocalom, carregando apenas o nome, pelo PSDB alcançou 49,18% dos votos válidos, perdendo para Tião Viana, que com o peso do apoio da máquina pública e do Governo Federal, venceu a disputa com 50,51%, diferença inferior a cinco mil votos.
Foi uma das disputas mais apertadas da história do Acre, e a prova concreta de que o prefeito já demonstrou capacidade real de competitividade estadual.
O discurso que estrutura alianças
Mais do que nostalgia polĂtica, o retorno ao PSDB vem acompanhado de um movimento claro: a construção de alianças em torno de sua prĂ©-candidatura ao governo.
E aqui está o ponto central da estratĂ©gia. Bocalom nĂŁo busca alianças amplas a qualquer custo, pelo menos no discurso pĂşblico. Ele tenta estabelecer um eixo polĂtico baseado em identidade programática.
“Para fazer aliança a gente não faz pacto de qualquer jeito. Não estamos atrás daquela história de fazer negócios por fazer negócios. Vamos atrás daqueles que querem defender um projeto de desenvolvimento estadual.”
O prefeito insiste em uma narrativa que o acompanha desde Acrelândia: gestĂŁo austera, incentivo ao setor produtivo e combate ao desperdĂcio de recursos pĂşblicos.
“Nunca mudei. Vou continuar defendendo o projeto produzir para empregar e não roubar o dinheiro. Quem estiver dentro dessa linha estará com a gente.”
Essa fala funciona como recado polĂtico direto: aliados serĂŁo escolhidos por alinhamento, nĂŁo apenas por conveniĂŞncia eleitoral.
Um candidato que nĂŁo pode ser subestimado
No atual cenário, Mailza Assis carrega o peso da máquina estadual e Alan Rick possui recall eleitoral consolidado. Ainda assim, ignorar Bocalom pode ser um erro estratégico semelhante ao cometido por adversários em eleições passadas.
Ele nĂŁo surge como novidade polĂtica, e justamente por isso representa risco real. Possui base eleitoral consolidada, discurso ideolĂłgico estável e histĂłrico de votação expressiva fora da capital.
Se há algo que a polĂtica acreana já ensinou Ă© que Bocalom raramente entra em disputas apenas para marcar presença.
Ele entra para competir, e, desta vez, tudo indica que não será diferente.

