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“Deus me defenda!”: eleitores reagem à fala de Gerlen Diniz sobre Lula

Por Juvenal Pimenta, ContilNet 21/09/2026 07:18 Atualizado em 21/09/2026 10:31
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O prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz, deu um daqueles foras políticos que dificilmente passam despercebidos, principalmente quando ficam registrados em vídeo.

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Durante uma reunião em que pedia votos para seu irmão, Gene Diniz, candidato à reeleição para deputado estadual, e para seu primo, Manoel Gerônimo, candidato a deputado federal, Gerlen citou os números dos dois e, em seguida, pediu votos para Sérgio Petecão, candidato à reeleição ao Senado.

Quando chegou à eleição presidencial, porém, o prefeito decidiu não pedir votos para ninguém. Disse que não pediria porque “sabia” que a maioria das pessoas presentes “era Lula”.

O vídeo, gravado por um dos participantes da reunião, mostra que a declaração provocou reação imediata. E não parece ter sido apenas uma pessoa a discordar. A reação de vários presentes deixa evidente que a leitura feita pelo prefeito sobre o público não foi exatamente recebida com entusiasmo.

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Um eleitor chegou a reagir dizendo: “Deus me defenda! Se tiver algum Lula aqui vamos jogar ele dentro daquele açude!”

É uma cena reveladora.

Não porque o eleitor seja obrigado a votar em Flávio Bolsonaro, Lula ou qualquer outro candidato. O voto é livre e pertence exclusivamente ao eleitor.

Mas porque Gerlen aparentemente tentou falar em nome de um grupo sem antes saber se aquele grupo concordava com ele.

E há uma outra questão política que torna a declaração ainda mais curiosa.

Gerlen é identificado politicamente com a direita e governa um município onde o eleitorado tem demonstrado durante décadas , nas urnas e nas pesquisas, forte preferência por nomes ligados à direita nacional.

No segundo turno de 2022, Jair Bolsonaro recebeu 70,3% dos votos válidos no Acre, contra 29,7% de Lula.

Em 2026, pesquisas estaduais continuam registrando vantagem de Flávio Bolsonaro entre os eleitores acreanos. A Real Time Big Data encontrou 50% para Flávio e 30% para Lula no primeiro turno; a Delta registrou 55,86% para Flávio e 26,44% para Lula em agosto; e a Data Control, em levantamento divulgado em setembro, apontou 51% para Flávio contra 24,8% para Lula. São levantamentos diferentes, com metodologias e períodos distintos, e não resultados eleitorais.

Por isso, afirmar diante de uma reunião política que “a maioria é Lula” não foi apenas uma aposta arriscada. Foi uma leitura que poderia facilmente bater de frente com as preferências de parte significativa daquele público.

E bateu.

Mas talvez o maior problema da fala de Gerlen esteja em outro ponto.

O prefeito parecia muito mais preocupado em garantir os votos para seus parentes e para o candidato ao Senado do que em discutir a eleição presidencial.

Depois da reação dos presentes, teria afirmado que estava “pouco se lixando” para a disputa em Brasília.

A frase é forte.

Porque o mesmo prefeito que diz não se importar com a disputa de Brasília é aquele que, na própria reunião, explica que precisa de um deputado federal para conseguir recursos e fazer ramais, açudes, postos de saúde e escolas.

Ou seja: Brasília aparentemente não importa para a eleição presidencial, mas importa, e muito, quando o assunto é dinheiro para o município.

Essa é uma contradição que merece ser discutida.

Prefeito nenhum é obrigado a apoiar candidato presidencial algum. Pode inclusive declarar voto em quem quiser ou permanecer neutro.

Mas uma coisa é não declarar voto.

Outra é presumir que seus próprios eleitores são lulistas e, diante da reação, simplesmente dizer que não está preocupado com a eleição presidencial.

Ainda mais em um estado onde o eleitorado historicamente deu demonstrações muito expressivas de preferência pela direita nacional.

Gerlen poderia ter simplesmente dito: “Não vou pedir voto para presidente. Cada um escolha o seu.”

Seria uma posição legítima, clara e respeitosa.

Mas preferiu afirmar que sabia em quem aquelas pessoas votariam.

E o vídeo mostrou que talvez não soubesse tanto assim.

A eleição dos parentes parece ter sido o centro daquela reunião. E não há nada de ilegal ou extraordinário em um prefeito trabalhar eleitoralmente por familiares, desde que respeitadas as regras eleitorais.

O problema político aparece quando o interesse pela eleição parece terminar justamente onde começa a disputa presidencial.

Porque o eleitor pode até receber o pedido de voto para o irmão, para o primo e para o senador.

Mas continua sendo dono do próprio voto para presidente.

E o episódio deixa uma lição simples para qualquer político: não existe voto automático, muito menos eleitor que aceite ter sua preferência definida por quem está segurando o microfone.

Gerlen pediu votos para os seus.

Os eleitores, pelo que mostra o vídeo, fizeram questão de lembrar que os votos são deles.

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