‘NĂŁo tenho como saber o que acontece nos ministĂ©rios’, diz Bolsonaro sobre o caso Covaxin

Por Everton Damasceno, ContilNet 28/06/2021 Ă s 14:33

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta segunda-feira (28) que “não tem como saber o que acontece nos ministérios”, ao comentar com apoiadores o caso da compra da vacina Covaxin.

A compra pelo governo federal de doses da vacina indiana Covaxin se tornou o principal tema da CPI da Covid nos Ăşltimos dias.

Em depoimento à comissão, o servidor do Ministério da Saúde e ex-chefe do setor de importação da pasta Luis Ricardo Miranda disse que identificou suspeitas de irregularidades na compra.

Ele e o irmão, o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), disseram que alertaram o presidente Jair Bolsonaro, em reunião no dia 20 de março, sobre as suspeitas.

Nesta segunda, ao sair do Palácio da Alvorada, Bolsonaro disse a apoiadores que tem “confiança nos ministros” e não sabe de tudo o que acontece nas pastas.

“Eu recebo todo mundo. Ele que apresentou, eu nem sabia da questão, de como estava a Covaxin, porque são 22 ministérios. Só o ministério do Rogério Marinho [Desenvolvimento Regional], tem mais de 20 mil obras”, declarou.

“Então, eu não tenho como saber o que acontece nos ministérios. Vou na confiança em cima de ministros e nada fizemos de errado”, completou Bolsonaro.

LĂ­der do governo

Ă€ CPI, o deputado Luis Miranda contou ainda que, quando fez a denĂşncia de suspeitas sobre o contrato ao presidente, Bolsonaro reagiu dizendo: “Isso Ă© coisa de fulano”, em referĂŞncia a um parlamentar.

“Ele diz: ‘Isso Ă© coisa do fulano. [PalavrĂŁo], mais uma vez’. E dá um tapa na mesa”, relatou o parlamentar.

Miranda resistiu a apresentar o nome do parlamentar citado por Bolsonaro, mas, ao final de seu depoimento, afirmou que o era o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR).

Senadores da CPI devem ir ao Supremo Tribunal Federal (STF) na tarde desta segunda para apresentar uma notĂ­cia-crime contra o Bolsonaro.

Os parlamentares vão alegar que Bolsonaro cometeu prevaricação. Nesse caso, a prevaricação se configuraria, segundo os senadores, pela omissão de Bolsonaro ao não comunicar uma suspeita de irregularidade.

Suspeitas de irregularidades

Luis Ricardo Miranda, ex-chefe do setor de importação do Ministério da Saúde, disse que se recusou a assinar um documento (espécie de nota fiscal internacional) da compra da Covaxin, porque, segundo ele, havia suspeitas de irregularidades.

Entre os pontos suspeitos apresentados pro Luis Ricardo estĂŁo:

preço acima do contratado
nĂşmeros de doses menor que o contratado
documento em nome da empresa Madison, com sede em Cingapura. A fabricante da Covaxin, que consta no contrato, Ă© a Barath Biotech

ConteĂşdo Original / Fonte: G1

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