A cantora Anitta lançou a faixa “Oke”, obra que reúne elementos do rap indígena e da música urbana para abordar a força e a preservação das tradições dos povos originários do Brasil. Na composição, a artista faz menção direta ao povo Ashaninka, etnia com presença marcante no estado do Acre, além de citar outros povos indígenas como Pataxó, Tikuna, Kayapó e Guarani-Kaiowá.
A produção conta com a participação do grupo Brô MC’s, primeiro grupo de rap indígena do país, formado por integrantes das etnias Guarani e Kaiowá, e da cantora e ativista Katú Mirim. A colaboração busca dar protagonismo aos próprios artistas indígenas no cenário musical de grande alcance nacional.
A letra da canção utiliza metáforas ligadas ao ecossistema e à rotina na floresta para simbolizar a resistência política e cultural. O refrão traz versos como “Nada na mata me mata, nada me escapa”, associando a sabedoria ancestral à proteção da biodiversidade. Em outro trecho, a dinâmica da caça é empregada para retratar o planejamento necessário na defesa de territórios: “Eu preparo a emboscada, eu te espero aparecer / Caçadora que tem pressa, vai pra casa sem comer”.
A composição também agrega referências ao uso de ervas medicinais, ao manejo da colheita, à simbologia do boto e a elementos de risco como a cascavel e tempestades, que remetem aos conflitos históricos enfrentados por essas populações ao longo dos séculos.
Com a citação aos Ashaninka, conhecidos na região do Alto Juruá pela defesa da integridade territorial e pelo manejo sustentável da floresta, o lançamento amplia a visibilidade sobre as pautas dos povos originários do Acre e da Amazônia Ocidental na indústria do entretenimento.
