05/09/2026

MP recomenda ações contra queimadas em Feijó diante de Super El Niño

Município liderou ranking de área queimada no Acre em 2024

Por Anne Nascimento, ContilNetAtualizado
Super El Niño em 2026 preocupa cientistas e acende alerta no Brasil/Foto: Reprodução

Com alerta para um cenário climático considerado de alto risco, o Ministério Público do Acre (MPAC) e a Defensoria Pública recomendaram uma série de medidas para preparar Feijó para o período de estiagem e queimadas. A recomendação cita a possibilidade de um “Super El Niño” entre 2026 e 2027 e cobra ações integradas de órgãos ambientais, segurança pública, defesa civil e assistência às comunidades mais vulneráveis.

O documento foi emitido pela Promotoria de Justiça Cível e Criminal de Feijó e pelo Núcleo da Defensoria Pública no município, após a abertura de procedimento administrativo para acompanhar ações de prevenção e enfrentamento às queimadas.

Segundo a recomendação, boletins do CPTEC/INPE, NOAA e CEMADEN apontam probabilidade entre 96% e 98% de configuração de um El Niño muito forte, com período mais crítico estimado entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. O MPAC destaca que o fenômeno deve ter impacto mais intenso na Amazônia Ocidental, região onde o Acre está inserido.

A preocupação aumenta diante do histórico recente de Feijó. Conforme dados da Universidade Federal do Acre (Ufac) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o município liderou o ranking estadual de área atingida por queimadas em 2024, com mais de 40 mil hectares consumidos pelo fogo, cerca de 17% de toda a área queimada registrada no estado naquele ano.

LEIA TAMBÉM: Acre tem 81% de chance de enfrentar super El Niño, e Mailza reúne gabinete de crise

Na recomendação, os órgãos afirmam que “a resposta a um cenário de risco dessa magnitude exige atuação integrada” entre instituições de fiscalização ambiental, defesa civil, saúde, educação, segurança pública, extensão rural e proteção aos povos indígenas.

Entre as medidas solicitadas estão a criação ou atualização do plano municipal de contingência para queimadas e estiagem, formação de comitê de crise, reforço das ações de fiscalização, preparação de brigadas e estratégias para atendimento às comunidades rurais e indígenas.

O MPAC também recomendou ações voltadas aos agricultores familiares, apontando que parte das queimadas no município está relacionada ao preparo de áreas para cultivo. A recomendação prevê capacitações sobre alternativas ao uso do fogo, como manejo agroflorestal, compostagem e construção de aceiros.

O documento ainda destaca a necessidade de atenção às terras indígenas existentes no município, com participação das comunidades na elaboração dos planos de resposta, além de medidas para evitar impactos na saúde, segurança alimentar e proteção de mulheres e crianças durante períodos de isolamento provocados pela seca.

Os órgãos e instituições citados na recomendação têm prazo de 30 dias para informar se irão acatar as medidas propostas ou apresentar justificativas para eventual não cumprimento. O MPAC alerta que, em caso de omissão, poderão ser adotadas medidas judiciais cabíveis.

Conteúdo Original / Fonte: MPAC

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensão de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteúdo de qualidade gratuitamente.