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14 junho, 2021 8:12 pm

Primeiro teatro construído no Acre, José Potyguara está abandonado

Onde havia um palco, virou esconderijo de morcegos e moradias para mendigos

POR TIÃO MAIA, PARA CONTILNET

Batizado com o nome do antigo promotor de Justiça e escritor José Potyguara, autor do livro “Terra Caída”, um romance em que é narrada a aventura da colonização no Acre no início do século passado, o antigo prédio que já foi sede da Prefeitura de Tarauacá e que vinha servindo como Teatro Municipal, atualmente mais parece um casarão mal assombrado. Apesar de localizado no centro de Tarauacá, o prédio misto em madeira, alvenaria e vidro está em ruinas e abandonado pelo poder público.

O “José Potyguara” foi o primeiro teatro construído no Acre, inaugurado em 26 de janeiro de 1933, na administração municipal do então prefeito José Florêncio da Cunha, um jornalista que também fundou no município o jornal “A Reforma” – Florêncio, aliás, vem a ser avô do cientista Djalma Batista, um taracauense que é nome de rua no centro de Manaus (AM). e avô de Djalma Batista.

O Teatro recebeu encenações das peças de José Potyguara, entre elas “Alma Acreana” e “Rasga coração”, além, das apresentações musicais do maestro Mozart Donizetti, autor da música do Hino Acreano, à época todos residindo em Tarauacá.

Tamanho prestígio, no entanto, não impediu o abandono e a ruína. “ Falta aqui sentimento e amor à nossa história e ao nosso futuro”, disse o presidente do PC do B em Tarauacá, Chagas Batista, ao denunciar o que ele aponta como descaso da administração municipal, tanto na gestão da ex-prefeita Marilete Vitorino, como da atyual Neia Sérgio. “É assim que podemos traduzir o nível de responsabilidade das duas últimas administrações de Tarauacá com o teatro municipal José Pontyguara”, acrescentou.

Com janelas quebradas e portas arrombadas, a histórica casa de espetáculos virou valhacouto ou abrigo para mendigos. Ao longe é possível perceber que o teatro é usado agora como varal para estender roupas dos seus atuais ocupantes. No local onde havia o palco, há agora um esconderijo de morcegos.

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