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5 agosto 2021 12:09 am
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PF pede indiciamento de Deputado de MS por ‘inventar’ atentado contra si

PF enviou processo ao Supremo Tribunal Federal, para abertura de indiciamento, pois ele tem foro privilegiado. 

POR LÚCIO BORGES ORTEGA - CORRESPONDENTE MS

CAMPO GRANDE (MS) –  O deputado federal por Mato Grosso do Sul, Loester Trutis (PSL-MS), após um ano e quatro mês de ser ou se fazer noticia com possível crime tramado para mata-lo, é ‘desmascarado’ pela PF-MS (Policia Federal em MS). Agora, ele é que irá responder por quatro crimes (veja abaixo) ante a ‘invenção’ do atentado contra si em rodovia do Estado no mês de fevereiro de 2020. A Federal enviou processo ao STF (Supremo Tribunal Federal), para abertura de indiciamento, pois ele tem foro privilegiado.

A Polícia Federal concluiu nesta semana, que o parlamentar simulou o atentado a bala, denunciado-registrado por ele, no dia 16 de fevereiro. Conforme a PF, o inquérito foi fechado oficialmente no último dia 28 de maio e encaminhado nesta quarta-feira (16) para a ministra Rosa Weber, STF, que é responsável pelo caso que investigado pela PF, devido Trutis ser membro da Câmara dos Deputados.

Conforme a PF, agora, o deputado – bolsonarista, fã de armas e então admirador da PF, hoje não mais – deve ser indiciado por quatro crimes. Além disso, ele ainda pode responder pelos crimes de posse ilegal de armas de uso permitido e uso restrito, que foram encontradas em sua residência na Operação Tracker, deflagrada em 12 de novembro de 2020.

O ex-assessor parlamentar e empresário Ciro Nogueira Fidelis (PSL), que estava com ele, foi indiciado por dois crimes, pois foi acusado também de ajudar a ‘inventar’ o atentado e teve até participação no “tiroteio”.

Trutis sempre ostentou armas e é conhecido na Capital como truculento, apesar de ser dono de um bar lanchonete

Crime cinematográfico

Os delegados Glauber Fonseca de Carvalho Araújo, da PF em MS e Fernando Schwengber Casrin, de Brasília, concluíram que Trutis não sofreu nenhum atentado. Assim como aconteceu em histórico caso do ex-prefeito de Dourados, Ari Artuzi, em 2006. Trutis teria simulado o atentado para criar fato político. Ele estaria planejando sair candidato a prefeito da Capital, pois era ano eleitoral.

Contudo, os delegados apontam que a investigação não conseguiu descobrir a real motivação do crime. “A suspeita é de que tenha sido para impulsionar a candidatura a prefeito de Campo Grande, que acabou não se concretizado após ele ser destituído do cargo de presidente do diretório municipal do partido”.

Segundo o relato do deputado, ele e o assessor saíram da Capital na madrugada de domingo, 16 de fevereiro, para cumprir agenda em Sidrolândia, a 70  km de Campo Grande, quando passaram a ser perseguidos por uma caminhonete na BR-060.

O suposto bandido efetuou vários disparos contra o parlamentar, que reagiu e acabou saindo ileso do suposto atentado. Mas, a apuração do ‘crime’ não chegou aos fatos narrados pelo deputado, pois os policiais não encontraram vestígios de tiros nem vidros quebrados no local do atentado na rodovia.

Assim e após ainda ter base em imagens das câmeras de vigilância e do rastreador do carro, que era locado, a PF concluiu que eles pegaram duas estradas vicinais, pararam o veículo e efetuaram os disparos.

O crime foi para ele

Após não “achar o crime” contra Trutis, ele que virou a ser investigado e com tinha vestígios de pólvora nas mãos e chegou para prestar depoimento na superintendência com uma pistola Taurus calibre 380 sem registro.

De acordo com a PF, ele também faltou com a verdade ao repetir na delegacia de que teria sofrido um atentado. “Seria extremamente improvável que o parlamentar, na posição em que se encontrava no interior do veículo, não teria sido atingido por um dos disparos efetuados”, concluiu o delegado.

Outra conclusão é de que não houve a participação de outro carro no atentado a bala. Os peritos concluíram que “não seria possível que um dos disparos que atingiram o veículo ocupado pelo deputado pudesse ser realizado por alguém que estivesse embarcado em outro veículo agressor, ou seja, o atirador deveria necessariamente estar desembarcado”.

Com base na Operação Tracker, deflagrada pela PF no dia 12 de novembro do ano passado, Trutis poderá ser indiciado pelos crimes de posse ilegal de arma de fogo de uso permitido e de uso restrito. O parlamentar estava com um fuzil T4 Taurus, registrado em nome de Jovani Batista da Silva, um revólver 357 e uma pistola 9mm, oficialmente de Ciro Fidelis. A PF concluiu que o parlamentar era o real proprietário das armas. Neste caso, ele será alvo de outro inquérito.

Vai responder se STF deixar

A PF fez sua parte, investigou o caso e como Trutis é atualmente deputado federal, teve que enviar pedido ao STF. A decisão sobre o indiciamento de Trutis caberá à ministra Rosa Weber. Em caso de recebimento da denúncia pelo STF, o parlamentar poderá ser julgado e condenado pelos quatro crimes.

A simulação do atentado na madrugada do dia 16 de fevereiro de 2020, Trutis deveria ser indiciado pelos crimes de falsa comunicação de crime, disparos de arma de fogo, dano (causado no veículo) e porte ilegal de arma de fogo.

A PF não o indiciou porque há jurisprudência no STF de que o parlamentar tem direito a foro privilegiado e só pode ser indiciado com aval da corte. Até ser alvo da investigação, ele era um dos maiores fãs do trabalho realizado pela PF no combate à corrução no País.

Eleição inesperada

Eleito na onda de Jair Bolsonaro (sem partido) em 2018, Loester Trutis se mantém fiel ao presidente e tenta manter a fama com críticas aos meios de comunicação. Ele se apresenta como adversário de organizações criminosas que atuam há vários anos em Mato Grosso do Sul.

O deputado insiste que foi vítima de um atentado a bala e sempre negou que tenha simulado o ataque.

 

 

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