Elas jĂĄ foram atĂ© tema de filmes. Em alguns flagrantes na natureza, causam medo e espanto, mas, por sua imponĂȘncia, se destacam no reino animal.
Em todo o mundo hĂĄÂ quatro espĂ©cies das sucuris, todas com registros na AmĂ©rica do Sul (e trĂȘs sĂŁo encontradas no Brasil).
Segundo especialistas, a sucuri de bene Ă© a Ășnica que atĂ© hoje nĂŁo teve registros em biomas brasileiros e pode ser vista somente na BolĂvia (CLIQUE AQUI e assista ao vĂdeo).
Juliana Terra, doutora em ecologia pela Universidade de SĂŁo Paulo (USP) e coordenadora de um projeto voltado para as sucuris na regiĂŁo de Bonito (MS), explica que apesar de as quatro espĂ©cies ter suas particularidades, todas compartilham algumas caracterĂsticas em comum. SĂŁo elas:
- Eunectes murinus (Sucuri-verde)
- Eunectes notaeus (Sucuri-amarela)
- Eunectes beniensis (Sucuri de bene)
- Eunectes deschauenseei (Sucuri malhada)
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“SĂŁo espĂ©cies encontradas sempre associadas a ambientes aquĂĄticos, onde desempenham suas atividades como caça e reprodução, entre outras. Tanto que o gĂȘnero das sucuris Ă© o Eunectes, palavra grega. Se separar o ‘eu’, esta significa bom e fĂĄcil; e ‘Nektes’ significa nadador, ou seja, Ă© um bom nadador”, explica Juliana.
Sucuri-verde –Â Eunectes murinus
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Sucuri-verde – Eunectes murinus â Foto: Daniel De Granville / Photo in Natura
A Eunectes murinus é conhecida como a anaconda verdadeira, mas especificamente como a sucuri-verde, porque ela tem um cor de fundo que é um verde oliva. Esse tom de cor ainda pode ser um pouco mais escuro ou claro, chegando até a uma coloração marrom.
“Ă a espĂ©cie de sucuri com mais informaçÔes disponĂveis atĂ© o momento. Ela tem uma ampla distribuição geogrĂĄfica e pode ser amplamente encontrada na AmĂ©rica do Sul em paĂses como a Venezuela, ColĂŽmbia, Paraguai, Equador, BolĂvia, Peru, Guiana Francesa, Suriname e Brasil”, ressalta Juliana.
Ainda de acordo com a especialista, as sucuris verde nĂŁo costumam ser muito encontradas ao sul da AmĂ©rica do Sul, sendo o Paraguai, provavelmente, o limite sul da distribuição delas. Uma caracterĂstica interessante da espĂ©cie Ă© o sistema de acasalamento.
“O acasalamento Ă© bem diferente. Ă um sistema poliĂąndrico e em agregação, chamado de bolo de reprodução, ou seja, Ă© uma fĂȘmea que libera o ferormĂŽnio que atrai um ou mais machos. Eles encontram as fĂȘmeas por meio da quimiorrecepção e elas podem ficar com atĂ© mais de 10 machos no bolo. Como as fĂȘmeas sĂŁo muito maiores que os machos, as pessoas normalmente confundem os machos do bolo de reprodução com filhotes, e acham que se trata de um ninho, quando na verdade sĂŁo adultos se reproduzindo”, diz Juliana.
Pesada e longa, a sucuri-verde Ă© tambĂ©m a maior espĂ©cie de sucuris que existe. Os machos podem alcançar uma mĂ©dia de 3,5m de comprimento, jĂĄ as fĂȘmeas adultas podem chegar a 5 metros. Em casos mais raros, podem atingir tamanhos maiores, de atĂ© 6m.
“Devido a imponĂȘncia e ao porte grande das fĂȘmeas, elas sempre aparentam ser maiores do que sĂŁo. Todas tem dimorfismo sexual, ou seja, os machos sempre sĂŁo menores que as fĂȘmeas”, afirma Juliana.
Quanto a alimentação, as fĂȘmeas adultas de grande porte podem se alimentar de mamĂferos de mĂ©dio porte. JĂĄ para os machos, as aves aquĂĄticas sĂŁo importantes recursos alimentar.
Sucuri-amarela –Â Eunectes notaeus
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Sucuri-amarela – Eunectes notaeus â Foto: Ernane Junior/Foto
A Sucuri-amarela, também conhecida como a sucuri do Pantanal, tem como nome cientifico Eunectes notaeus, por causa do seu fundo amarelado. A espécie ocorre em åreas alagåveis das bacias dos rios Paraguai e Paranå.
Conforme a especialista, Ă© uma espĂ©cie considera de grande porte. As fĂȘmeas podem atingir no mĂĄximo 4m de comprimento e os machos em torno de 2,5m. As fĂȘmeas tambĂ©m podem se alimentar de animais de mĂ©dio porte, e as aves aquĂĄticas tambĂ©m sĂŁo presas consumidas por ambos sexos.
Sucuri de Bene – Eunectes beniensis
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Sucuri de Bene – Eunectes beniensis â Foto: Lutz Dierken/Imagem
A Sucuri de bene, que tem nome cientifico Eunectes beniensis, foi assim identificado por causa do local onde primeiro foi vista, no Departamento de bene, na BolĂvia, e logo depois, no mesmo paĂs, no Departamento de Pando.
Quanto a morfologia, ela fica entre as duas espĂ©cies anteriores (sucuris amarela e verde). Tanto que os primeiros indivĂduos foram considerados hĂbridos dessas duas espĂ©cies. Ă uma serpente pouco estudada e por isso sabe-se pouco de informaçÔes bĂĄsicas sobre a biologia deste animal.
Quanto ao tamanho, a espĂ©cie Ă© considera de mĂ©dio porte. Os machos adultos medem por volta de 2m de comprimento e as fĂȘmeas, por volta de 3m.
Sucuri Malhada –Â Eunectes deschauenseei
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Sucuri Malhada – Eunectes deschauenseei â Foto: Haddad Jr V et al. Sucuris: Biologia, Conservação, Realidade e Mitos de uma das maiores Serpentes do Mundo/Imagem
No Brasil, a sucuri malhada, Eunectes deschauenseei, é encontrada em åreas sazonalmente alagadas no estado do Parå, na Ilha de Marajó, em Santarém, e no Amapå, na região do Baixa AmazÎnia. Além do Brasil, ela pode ser encontrada na Guiana Francesa.
Em relação a morfologia, ela fica entra as sucuris amarela e verde, se assemelhando um pouco mais a amarela. Essa, assim como a Sucuri de bene, é outra espécie muito pouco estudada. A maioria das informaçÔes existentes são de observaçÔes de campo:
“Faltam informaçÔes bĂĄsicas sobre a histĂłria natural das espĂ©cies, como dieta, atividade, reprodução, uso do ambiente. Todas essas informaçÔes bĂĄsicas sĂŁo extremamente importantes para se pesar em planos de conservação, por exemplo”, reforça Juliana.
Das quatros espĂ©cies de sucuris, essa, possivelmente, Ă© a menor delas. Os machos mal chegam a dois metros e as fĂȘmeas, por volta de 3 metros.
