Das 4 espécies de sucuris existentes no mundo, 3 delas são encontradas no Brasil; conheça todas e veja vídeo

Por G1 09/09/2021 Ă s 07:54 Atualizado: hĂĄ 5 anos

Elas jĂĄ foram atĂ© tema de filmes. Em alguns flagrantes na natureza, causam medo e espanto, mas, por sua imponĂȘncia, se destacam no reino animal.

Em todo o mundo hå quatro espĂ©cies das sucuris, todas com registros na AmĂ©rica do Sul (e trĂȘs sĂŁo encontradas no Brasil).

Segundo especialistas, a sucuri de bene Ă© a Ășnica que atĂ© hoje nĂŁo teve registros em biomas brasileiros e pode ser vista somente na BolĂ­via (CLIQUE AQUI e assista ao vĂ­deo).

Juliana Terra, doutora em ecologia pela Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora de um projeto voltado para as sucuris na região de Bonito (MS), explica que apesar de as quatro espécies ter suas particularidades, todas compartilham algumas características em comum. São elas:

  • Eunectes murinus (Sucuri-verde)
  • Eunectes notaeus (Sucuri-amarela)
  • Eunectes beniensis (Sucuri de bene)
  • Eunectes deschauenseei (Sucuri malhada) 

    [videopress ZWHLZQmC]

“SĂŁo espĂ©cies encontradas sempre associadas a ambientes aquĂĄticos, onde desempenham suas atividades como caça e reprodução, entre outras. Tanto que o gĂȘnero das sucuris Ă© o Eunectes, palavra grega. Se separar o ‘eu’, esta significa bom e fĂĄcil; e ‘Nektes’ significa nadador, ou seja, Ă© um bom nadador”, explica Juliana.

Sucuri-verde – Eunectes murinus

Sucuri-verde - Eunectes murinus  — Foto: Daniel De Granville / Photo in Natura

Sucuri-verde – Eunectes murinus — Foto: Daniel De Granville / Photo in Natura

A Eunectes murinus é conhecida como a anaconda verdadeira, mas especificamente como a sucuri-verde, porque ela tem um cor de fundo que é um verde oliva. Esse tom de cor ainda pode ser um pouco mais escuro ou claro, chegando até a uma coloração marrom.

“É a espĂ©cie de sucuri com mais informaçÔes disponĂ­veis atĂ© o momento. Ela tem uma ampla distribuição geogrĂĄfica e pode ser amplamente encontrada na AmĂ©rica do Sul em paĂ­ses como a Venezuela, ColĂŽmbia, Paraguai, Equador, BolĂ­via, Peru, Guiana Francesa, Suriname e Brasil”, ressalta Juliana.

Ainda de acordo com a especialista, as sucuris verde não costumam ser muito encontradas ao sul da América do Sul, sendo o Paraguai, provavelmente, o limite sul da distribuição delas. Uma característica interessante da espécie é o sistema de acasalamento.

“O acasalamento Ă© bem diferente. É um sistema poliĂąndrico e em agregação, chamado de bolo de reprodução, ou seja, Ă© uma fĂȘmea que libera o ferormĂŽnio que atrai um ou mais machos. Eles encontram as fĂȘmeas por meio da quimiorrecepção e elas podem ficar com atĂ© mais de 10 machos no bolo. Como as fĂȘmeas sĂŁo muito maiores que os machos, as pessoas normalmente confundem os machos do bolo de reprodução com filhotes, e acham que se trata de um ninho, quando na verdade sĂŁo adultos se reproduzindo”, diz Juliana.

Pesada e longa, a sucuri-verde Ă© tambĂ©m a maior espĂ©cie de sucuris que existe. Os machos podem alcançar uma mĂ©dia de 3,5m de comprimento, jĂĄ as fĂȘmeas adultas podem chegar a 5 metros. Em casos mais raros, podem atingir tamanhos maiores, de atĂ© 6m.

“Devido a imponĂȘncia e ao porte grande das fĂȘmeas, elas sempre aparentam ser maiores do que sĂŁo. Todas tem dimorfismo sexual, ou seja, os machos sempre sĂŁo menores que as fĂȘmeas”, afirma Juliana.

Quanto a alimentação, as fĂȘmeas adultas de grande porte podem se alimentar de mamĂ­feros de mĂ©dio porte. JĂĄ para os machos, as aves aquĂĄticas sĂŁo importantes recursos alimentar.

Sucuri-amarela – Eunectes notaeus

Sucuri-amarela - Eunectes notaeus  — Foto: Ernane Junior/Foto

Sucuri-amarela – Eunectes notaeus — Foto: Ernane Junior/Foto

A Sucuri-amarela, também conhecida como a sucuri do Pantanal, tem como nome cientifico Eunectes notaeus, por causa do seu fundo amarelado. A espécie ocorre em åreas alagåveis das bacias dos rios Paraguai e Paranå.

“Na bacia do Paraguai, ela ocorre na regiĂŁo do Pantanal que abrange Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, alĂ©m de Paraguai e BolĂ­via. JĂĄ na bacia do ParanĂĄ, ela pode ser encontrada em ĂĄreas alagadas da Argentina”, relata Juliana.

Conforme a especialista, Ă© uma espĂ©cie considera de grande porte. As fĂȘmeas podem atingir no mĂĄximo 4m de comprimento e os machos em torno de 2,5m. As fĂȘmeas tambĂ©m podem se alimentar de animais de mĂ©dio porte, e as aves aquĂĄticas tambĂ©m sĂŁo presas consumidas por ambos sexos.

Sucuri de Bene – Eunectes beniensis

Sucuri de Bene - Eunectes beniensis — Foto: Lutz Dierken/Imagem

Sucuri de Bene – Eunectes beniensis — Foto: Lutz Dierken/Imagem

A Sucuri de bene, que tem nome cientifico Eunectes beniensis, foi assim identificado por causa do local onde primeiro foi vista, no Departamento de bene, na Bolívia, e logo depois, no mesmo país, no Departamento de Pando.

Quanto a morfologia, ela fica entre as duas espĂ©cies anteriores (sucuris amarela e verde). Tanto que os primeiros indivĂ­duos foram considerados hĂ­bridos dessas duas espĂ©cies. É uma serpente pouco estudada e por isso sabe-se pouco de informaçÔes bĂĄsicas sobre a biologia deste animal.

Quanto ao tamanho, a espĂ©cie Ă© considera de mĂ©dio porte. Os machos adultos medem por volta de 2m de comprimento e as fĂȘmeas, por volta de 3m.

Sucuri Malhada – Eunectes deschauenseei

Sucuri Malhada - Eunectes deschauenseei — Foto: Haddad Jr V et al. Sucuris: Biologia, Conservação, Realidade e Mitos de uma das maiores Serpentes do Mundo/Imagem

Sucuri Malhada – Eunectes deschauenseei — Foto: Haddad Jr V et al. Sucuris: Biologia, Conservação, Realidade e Mitos de uma das maiores Serpentes do Mundo/Imagem

No Brasil, a sucuri malhada, Eunectes deschauenseei, é encontrada em åreas sazonalmente alagadas no estado do Parå, na Ilha de Marajó, em Santarém, e no Amapå, na região do Baixa AmazÎnia. Além do Brasil, ela pode ser encontrada na Guiana Francesa.

Em relação a morfologia, ela fica entra as sucuris amarela e verde, se assemelhando um pouco mais a amarela. Essa, assim como a Sucuri de bene, é outra espécie muito pouco estudada. A maioria das informaçÔes existentes são de observaçÔes de campo:

“Faltam informaçÔes bĂĄsicas sobre a histĂłria natural das espĂ©cies, como dieta, atividade, reprodução, uso do ambiente. Todas essas informaçÔes bĂĄsicas sĂŁo extremamente importantes para se pesar em planos de conservação, por exemplo”, reforça Juliana.

Das quatros espĂ©cies de sucuris, essa, possivelmente, Ă© a menor delas. Os machos mal chegam a dois metros e as fĂȘmeas, por volta de 3 metros.

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensĂŁo de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteĂșdo de qualidade gratuitamente.