Veja os bastidores dos 50 primeiros dias de Renato GaĂșcho no comando do Flamengo

Por GE 01/09/2021 Ă s 08:35

Os nĂșmeros impressionam, sejam os que fazem parte das estatĂ­sticas ou os de jogadores que melhoraram o rendimento.

O ambiente leve nem de longe lembra cotidiano quase que silencioso dos tempos de RogĂ©rio Ceni. E o Flamengo chega a setembro dependendo apenas de si para ser campeĂŁo da Libertadores, do BrasileirĂŁo e da Copa do Brasil. Mas como Renato GaĂșcho promoveu esta revolução no Ninho do Urubu?

O ge foi atrås dos bastidores dos primeiros 50 dias de trabalho do treinador no Flamengo e, principalmente, em busca de uma resposta: o que tem além do Renato boa-praça que o torcedor brasileiro se acostumou a ver e até rotular? Relatos indicam orientaçÔes ao pé de ouvido, reuniÔes e mais reuniÔes na sala de vídeos e até mesmo um disciplinador.

Das lendas que cercam os trabalhos de Renato, a que mais circula no mundo da bola Ă© de que o auxiliar Alexandre Mendes Ă© seu grande guru tĂĄtico. Profissionais do dia a dia do Ninho definem a parceria como uma “sintonia incomum”, com muitos debates, mas com a palavra final sempre do treinador. Um episĂłdio que chamou a atenção foi a escolha pela saĂ­da de Arrascaeta no intervalo da goleada por 4 a 0 sobre o GrĂȘmio, em Porto Alegre.

Enquanto os jogadores tentavam se recompor da atuação ruim no primeiro tempo com direito a expulsão de Isla, Renato se isolou no vestiårio. Alexandre Mendes e Marcelo Salles avaliavam opçÔes, a saída de Michael, que tinha entrado na vaga do lesionado Bruno Henrique, chegou a ser cogitada, até que o treinador deu a ordem: saem Diego e Arrascaeta para as entradas de Matheuzinho e Thiago Maia.

O silĂȘncio de espanto foi interrompido pela explicação da postura que o GrĂȘmio apresentaria com um a mais justificando que Michael e Everton Ribeiro seriam capazes de dar opçÔes de contra-ataque sem fragilizar a marcação pelos lados do campo. Renato explicou ainda que com as caracterĂ­sticas de Arrascaeta outros jogadores ficariam sobrecarregados na marcação. ApĂłs a goleada, elogios tomaram conta do vestiĂĄrio.

Renato GaĂșcho em jogo c ontra o GrĂȘmio: surpresa ao tirar Arrascaeta — Foto: Pedro H. Tesch / Agif

Renato GaĂșcho em jogo c ontra o GrĂȘmio: surpresa ao tirar Arrascaeta — Foto: Pedro H. Tesch / Agif

Os vĂ­deos, por sua vez, tĂȘm papel fundamental no que Renato deseja passar ao time taticamente. E foi este o artifĂ­cio utilizado logo na primeira semana para tentar resolver um dos principais problemas da equipe: a defesa. O treinador se reuniu com todos os zagueiros e exibiu imagens do que considerava errado fosse no posicionamento, fosse nas tomadas de decisĂŁo.

Dias depois, no vestiĂĄrio de Pituaçu, viu um burburinho com elogios ao desempenho de Gustavo Henrique e LĂ©o Pereira na goleada por 5 a 0 sobre o Bahia. Ao deixar o local a caminho da sala de entrevistas coletivas, passou por Marcos Braz e Bruno Spindel e disse com um sorriso de canto de boca: “De nada”.

LĂ©o Pereira e Gustavo Henrique receberam atenção especial — Foto: Divulgação Conmebol

LĂ©o Pereira e Gustavo Henrique receberam atenção especial — Foto: Divulgação Conmebol

O recurso dos vídeos também é utilizado à exaustão no preparo para os jogos. Só que ao contrårio do que acontecia com Rogério Ceni, o material exibido não tem base nas atuaçÔes do próximo adversårio. Renato se atém às correçÔes e orientaçÔes do que deseja do próprio Flamengo e deixa para falar do rival somente nas preleçÔes, após reunião com seus auxiliares.

O ritual é padrão, seja no Ninho ou em jogos fora de casa: pela manhã, o treinador se junta com os auxiliares, com a equipe de anålise de desempenho, departamento médico, com Juan (gerente técnico), Fabinho (gerente de futebol) e Gabriel Skinner (supervisor) para passar a limpo logística, programação e detalhamento sobre o adversårio. O tema só entra em pauta com os jogadores na preleção e em ajustes finais após a receber a escalação.

Nos primeiros dias de Flamengo, dois jogadores receberam atenção especial do novo comandante: Willian Arão e Everton Ribeiro. O primeiro para um papo bem objetivo: voltaria a ser volante, os tempos de zagueiro tinham chegado ao fim. Jå com Ribeiro o debate foi sobre o que fazer para melhorar o rendimento que tinha caído com as obrigaçÔes defensivas impostas por Rogério.

Everton Ribeiro comemora seu gol com o tĂ©cnico Renato GaĂșcho em Corinthians x Flamengo — Foto: Marcos Ribolli

Everton Ribeiro comemora seu gol com o tĂ©cnico Renato GaĂșcho em Corinthians x Flamengo — Foto: Marcos Ribolli

Quem não precisou nem de reunião para se alinhar com Renato foi Gabigol. A sintonia foi imediata e o treinador logo contornou qualquer clima de tensão por conta da punição imposta pela diretoria na volta da Copa América.

O ponto de destaque aconteceu no vestiĂĄrio da Arena Corinthians, no intervalo da vitĂłria por 3 a 1 pelo BrasileirĂŁo. Mesmo com 3 a 0 no placar, Renato pediu que o time nĂŁo diminuĂ­sse o apetite ofensivo e cobrou mais gols. De imediato, Gabriel se levantou e foi apertar a mĂŁo do treinador na frente dos companheiros dizendo:

– Finalmente. Era o que precisĂĄvamos escutar de um treinador!

O Renato bom de onda se transforma em disciplinador quando o assunto Ă© horĂĄrio. A orientação Ă© para que toda comissĂŁo tĂ©cnica marque em cima os jogadores no cumprimento da programação divulgada internamente: treinos, vĂ­deos, saĂ­da do ĂŽnibus, etc… Em jogos no Rio, ele opta por dormir no CT, mesmo que os jogadores sĂł se apresentem pela manhĂŁ seguinte.

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