Colégio Santa Juliana chega a 103 anos e pede socorro para salvar prédio abandonado em Sena

Em décadas passadas, em virtude de seus resultados, chegou a ser considerado um dos melhores colégios do Norte do Brasil

Por Redação ContilNet 08/09/2025 às 11:21 Atualizado: hå 8 meses

Fundado em 7 de setembro de 1922, o colĂ©gio Instituto Santa Juliana, em Sena Madureira, celebrou no Ășltimo domingo (7) 103 anos de existĂȘncia. Em dĂ©cadas passadas, em virtude de seus resultados, chegou a ser considerado um dos melhores colĂ©gios do Norte do Brasil.

Colégio Santa Juliana chega a 103 anos e pede socorro para salvar prédio abandonado em Sena

Prédio completou 103 anos neste domingo/Foto: Reprodução

De acordo com o professor Marcos Sampaio, pedagogo e estudioso da histĂłria de Sena Madureira, as Servas de Maria tiveram um papel determinante na implantação do Santa Juliana, em Sena Madureira. À Ă©poca, o Bispo Dom PrĂłspero Bernardi escreveu uma carta para a coordenação da Ordem dos Servos de Maria, na ItĂĄlia, relatando a situação precĂĄria em que muitas adolescentes vinham enfrentando, especialmente na zona rural.

“Com a falĂȘncia dos seringais, muitas crianças e adolescentes ficaram ĂłrfĂŁs, entĂŁo, o Bispo escreveu essa carta pedindo ajuda. A meta era fundar uma escola para abrigar as meninas”, relembrou.

As Servas de Maria vieram da ItĂĄlia. Passaram cinco meses para chegar ao Acre, visto que, a viagem toda foi feita de barco. “Pelos relatos, foi uma expedição muito difĂ­cil. Da ItĂĄlia, elas chegaram primeiramente em BelĂ©m e, em seguida, se destacaram para o Acre – uma verdadeira epopĂ©ia. Aqui, chegaram em 14 de novembro de 1921”, destacou.

Com o lema “Amar, servir, cuidar e reparar”, as Servas de Maria conseguiram fundar o colĂ©gio Santa Juliana. “O primeiro Santa Juliana era uma casa de paxiĂșba, uma espĂ©cie de paiol, tinha muitas goteiras. Para se ter uma ideia, quando chovia a ĂĄgua caĂ­a dentro do prato das Servas. HĂĄ relatos nesse sentido. Mesmo assim, os obstĂĄculos eram superados dia apĂłs dia”, acrescentou.

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Posteriormente, o juiz federal JoĂŁo Virgulino de Alencar fez a doação definitiva de um terreno e em 1922 foi lançada a pedra fundamental do colĂ©gio Santa Juliana. “Em torno de 30 a 40 crianças carentes eram atendidas no regime de semi-internato ou internato. O modelo era rĂ­gido, com vĂĄrias regras estabelecidas. As freiras eram muito bem disciplinadas e imprimiam esse modelo no decorrer das atividades. Os alunos nĂŁo aprendiam apenas o PortuguĂȘs ou a MatemĂĄtica, mas tambĂ©m aprendiam a bordar, a pintar e costurar para que pudessem sair dali com um ofĂ­cio. Essas mulheres, ou seja, as freiras, foram importantĂ­ssimas na Educação de Sena Madureira. Temos uma dĂ­vida grande com as Servas de Maria e com a histĂłria do Santa Juliana”, completou Sampaio.

VĂĄrias personalidades Acreanas estudaram no referido colĂ©gio, dentre elas: a Desembargadora Eva Evangelista, Iolanda Fleming (1ÂȘ governadora do Acre), o advogado e ex-prefeito Ulisses Modesto, dentre outros. O prĂłprio professor Marcos Sampaio, entrevistado do ContilNet, foi aluno do Santa Juliana. Depois atuou como professor e teve a oportunidade de ser Diretor por dois mandatos.

PRÉDIO ANTIGO COMPLETAMENTE DETERIORADO

Apesar de toda sua relevĂąncia para a histĂłria de Sena Madureira, hĂĄ alguns anos o seu prĂ©dio original, que Ă© de dois andares, estĂĄ em situação extremamente caĂłtica, precisando urgentemente de uma intervenção. “É preciso a uniĂŁo de todos para que possamos reativar o local e nĂŁo deixar acabar de vez essa parte tĂŁo marcante da histĂłria de Sena Madureira”, finalizou.

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