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Povos originários do Acre lideram estratégias de conservação no Dia das Florestas

Por Fhagner Soarres, ContilNet

Povos originários do Acre lideram estratégias de conservação no Dia das Florestas

Formação de brigadistas Huni Kuin na APA reforça a vigilância comunitária e a resposta rápida contra queimadas no Acre./Foto: Alexandre Cruz-Noronha/Sema.

Neste 21 de março, o Dia Mundial das Florestas ganha um significado profundo no Acre. Em meio à intensificação das pressões climáticas globais, o estado reafirma o papel estratégico dos povos originários como os verdadeiros guardiões da biodiversidade. Sob o protagonismo da Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas (Sepi), a preservação ambiental deixa de ser apenas um discurso e se torna uma prática de gestão territorial integrada.

A secretária Francisca Arara destaca que a eficácia da conservação no Acre está diretamente ligada à articulação entre governo, sociedade civil e organismos internacionais. Por meio dos Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs), as políticas públicas são desenhadas para respeitar as vozes de quem vive na floresta. “A proteção dos territórios exige investimento e o reconhecimento de que manter a floresta em pé tem custo e requer compromisso contínuo”, afirma a secretária.

Agentes agroflorestais indígenas, como os da TI Puyanawa, são os guardiões diretos da biodiversidade na fronteira com o Peru./Foto: Reprodução

Sentinelas da Mudança Climática

Embora os efeitos do clima atinjam as cidades, é nos territórios indígenas que as transformações são sentidas de forma mais imediata. Na Terra Indígena Puyanawa, em Mâncio Lima, o cenário é de alerta. Lucas Azevedo, coordenador da Associação do Movimento dos Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre (AMAAIAC), relata que os últimos quatro anos foram marcados por um aumento perceptível nas temperaturas.

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“Percebo maior conscientização sobre o aumento do calor. Apesar disso, há mais incentivo à conservação e maior preocupação com o desmatamento. Desenvolver não é errado, mas precisa ser planejado”, ressalta o agente agroflorestal, evidenciando que a vigilância constante é a chave para a sobrevivência do ecossistema.

Cooperação e Vigilância

A estratégia acreana une a expertise da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) com a capilaridade da Sepi. Essa parceria tem gerado frutos práticos, como a formação de brigadistas comunitários Huni Kuin na comunidade Área Viva. Esses brigadistas atuam na linha de frente da prevenção e combate aos incêndios florestais, ampliando a capacidade de resposta do estado em áreas de preservação.

Além disso, a execução dos Planos de Gestão das Terras Indígenas (PGTIs) garante que as próprias lideranças definam onde aplicar os investimentos, seja na aquisição de equipamentos ou em insumos que fortaleçam a autonomia local. No Acre, o Dia Mundial das Florestas é celebrado com a certeza de que a floresta só permanece em pé porque há mãos indígenas trabalhando diariamente para protegê-la.

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