A paralisação dos motoristas de ônibus em Rio Branco segue com força nesta quarta-feira (15) e já impacta diretamente a circulação do transporte público na capital. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Público do Acre (SINTTPAC), Antônio Neto, o movimento começou com 30% da frota parada e pode chegar a 50% ao longo do dia.
“A gente vai parar 30%, a gente parou até agora 9 horas, 30%. E aí a partir das 9 horas até as 16, a gente pode parar 50%”, explicou o sindicalista, ao detalhar a dinâmica da mobilização ao ContilNet.
De acordo com ele, a paralisação segue em escalonamento. “A gente tá começando a parar mais carros agora. Das 9 às 16, 50%”, reforçou. Após esse período, a previsão é de redução gradual: “Às 16 horas, volta de novo a 30% parado e volta a 20% a rodar”.
Apesar da organização do movimento, o cenário é ainda mais crítico por conta da redução na própria frota disponibilizada pela empresa. Segundo Antônio Neto, dos 96 ônibus previstos para circulação, apenas parte saiu da garagem. “O correto é rodar 96 carros. Hoje saíram 76. Então a própria empresa já segurou 20 carros lá”, afirmou. Ele ainda acrescenta: “A gente tá parando 60% dos 76 que saíram pra rodar, não dos 96”.
Salários atrasados e descontos irregulares
A paralisação, segundo o sindicato, é motivada principalmente pelo atraso no pagamento dos salários referentes ao mês de março, além de uma série de irregularidades trabalhistas.
“Os pedidos são vários. O primeiro é salário. Hoje já são quinze dias e até agora nada”, disse Antônio Neto. Além disso, a categoria denuncia problemas com encargos e descontos. “FGTS, INSS, consignado que a empresa desconta do trabalhador e não passa para os bancos. Os trabalhadores hoje estão com o nome negativado por causa disso”.
O sindicato afirma que não houve abertura de negociação por parte da empresa responsável pelo transporte coletivo na capital.
“Em nenhum momento eles nos procuraram. A gente sempre colocou disposição para negociar, mas até agora não fomos procurados”, declarou o presidente.
Diante disso, a paralisação segue por tempo indeterminado. “Sem data de finalização. A gente só vai parar quando tiver uma posição da empresa, na verdade quando o pagamento sair”, afirmou.
Ele também ressaltou que a categoria não pretende retomar as atividades sem que ao menos os salários sejam quitados. “A gente não vai voltar a trabalhar sem cair o pagamento do mês”, disse, acrescentando que futuras negociações devem contar com participação do poder público.
Frota reduzida agrava situação
Além da paralisação, o número reduzido de ônibus em circulação tem agravado a situação para os usuários do transporte público em Rio Branco.
“Nem todos os carros saíram da empresa. Isso mostra o descaso com a população”, criticou Antônio Neto. A empresa Ricco Transportes, responsável pelo serviço na capital, não se manifestou oficialmente até o momento.

