Caso Regis: o que se sabe até agora sobre assassinato de professor na fronteira do Acre

O principal suspeito, Victor Oliveira da Silva, 27 anos, vulgo “Coringa”, confessou o crime

Por Vitor Paiva, ContilNet 04/10/2025 Ă s 17:36 Atualizado: hĂĄ 7 meses

O caso do desaparecimento e assassinato do professor de zumba e representante comercial Reginaldo Silva CorrĂȘa, conhecido como “RĂ©gis”, teve desdobramentos nesta semana que chocaram a comunidade de EpitaciolĂąndia, no interior do Acre. O corpo do educador foi localizado na quarta-feira (1) em uma cova rasa no quintal do principal suspeito, quase uma semana apĂłs ele ser visto pela Ășltima vez.

Caso Regis: o que se sabe até agora sobre assassinato de professor na fronteira do Acre

O corpo foi encontrado na Ășltima quarta-feira em uma cova rasa | Foto: Reprodução

Régis havia saído para uma entrega no dia 25 de setembro e não foi mais localizado. A família registrou o desaparecimento quatro dias depois, quando perdeu contato com ele. Antes da localização do corpo, o carro do professor foi encontrado em 30 de setembro, abandonado em um ramal próximo à Villa Rosårio, na Bolívia, com apenas a chave no interior. As autoridades confirmaram que o corpo encontrado naquele país não era o do professor, mas que o veículo estava relacionado ao crime.

Segundo informaçÔes da PolĂ­cia Civil do Alto Acre, coordenada pelo delegado Érick Maciel, o homicĂ­dio foi cometido por asfixia mecĂąnica, provocada por um golpe conhecido como “mata-leĂŁo”. O principal suspeito, Victor Oliveira da Silva, 27 anos, vulgo “Coringa”, confessou o crime e indicou o local onde estava o corpo. Em depoimento, Victor relatou que mantinha um relacionamento amoroso com RĂ©gis e que a motivação do assassinato teria sido o tĂ©rmino dessa relação.

Veja mais: Professor RĂ©gis foi morto por asfixia mecĂąnica apĂłs golpe de “mata-leĂŁo”, aponta investigação

O suspeito afirmou que chamou Régis para sua casa na noite de 29 de setembro, com a intenção de reatar o relacionamento, mas após uma discussão aplicou o golpe que deixou o professor desacordado. Victor contou acreditar, inicialmente, que a vítima havia desmaiado, mas percebeu posteriormente que ele estava morto. Ele também relatou que permaneceu dormindo ao lado do corpo durante a noite seguinte.

Para ocultar vestígios, Victor contou com a ajuda de Marijane Maffi, de 46 anos, vizinha do suspeito, que teria transportado o carro de Régis para a Bolívia. Ele afirmou que ofereceu pagamento à mulher, mas ela concordou em ajudar sem exigir remuneração. Ainda segundo o depoimento, Victor retornou à casa dela na manhã seguinte para pegar ferramentas utilizadas para abrir a cova onde enterrou o corpo.

Caso Regis: o que se sabe até agora sobre assassinato de professor na fronteira do Acre

Os suspeitos jå foram reconhecidos pela polícia/Foto: Reprodução

O carro do professor, levado à Bolívia, estava localizado em um ramal a cerca de 16 quilÎmetros de Cobija, e a polícia investiga agora se o veículo foi vendido ou trocado por drogas. As autoridades também analisam se outras pessoas podem ter colaborado na ocultação de provas.

Victor e Marijane foram presos em flagrante na quarta-feira (1). Na audiĂȘncia de custĂłdia, realizada na quinta-feira (2), a Justiça determinou liberdade provisĂłria para Marijane, mediante pagamento de fiança de R$ 10 mil e cumprimento de medidas cautelares, enquanto Victor teve a prisĂŁo preventiva decretada. AtĂ© o momento, Marijane nĂŁo efetuou o pagamento da fiança e permanece detida. Ambos serĂŁo transferidos para Rio Branco para prosseguimento das investigaçÔes e procedimentos legais.

SAIBA MAIS: Suspeita no caso do assassinato de professor no Acre não paga fiança e permanece detida

Segundo informaçÔes, os dois suspeitos de envolvimento no assassinato do professor e representante comercial devem ser levados para unidades prisionais em Rio Branco nos prĂłximos dias. As autoridades nĂŁo divulgaram detalhes sobre a logĂ­stica da transferĂȘncia dos acusados, alegando questĂ”es de segurança. A operação serĂĄ conduzida por equipes da PolĂ­cia Penal e da PolĂ­cia Civil.

VEJA AQUI: Acusados pela morte de professor no Acre serĂŁo transferidos para presĂ­dios em Rio Branco

O corpo de Régis foi liberado pelo Instituto Médico Legal (IML) de Rio Branco e enterrado na manhã desta sexta-feira (3) no cemitério municipal de Epitaciolùndia, em uma cerimÎnia que reuniu familiares, amigos, colegas de trabalho e moradores locais. Os pais do professor, vindos de Cuiabå (MT), acompanharam o enterro e destacaram o vínculo que o filho mantinha com a comunidade local, optando por sepultå-lo na cidade onde ele trabalhou e atuava socialmente.

Emocionada, a mĂŁe de RĂ©gis discursou no momento do enterro: “Eu sou mĂŁe desse maravilhoso e nunca mais vou ver ele. Ai meu filho, eu nĂŁo tenho palavras. Eu sei que vocĂȘ gostaria que eu falasse muita coisa, mas eu nĂŁo sei. VocĂȘ nĂŁo merecia o que fizeram com vocĂȘ.”

Caso Regis: o que se sabe até agora sobre assassinato de professor na fronteira do Acre

Os pais comentaram sobre a perda do filho/Foto: Reprodução

Ela agradeceu Ă  comunidade e aos amigos que conviveram com o filho: “Hoje vocĂȘ estĂĄ me deixando, tĂĄ deixando seu pai, toda sua famĂ­lia e esse povo maravilhoso que estĂĄ aqui. VocĂȘ Ă© querido e amado meu filho, e agradeço quem trabalha com ele, quem conviveu com ele.”

Leia mais: Pais viajam do Mato Grosso para enterro de professor assassinado no Acre: ‘Era amado por todos’

O caso teve grande repercussão regional, mobilizando autoridades de Brasiléia e Epitaciolùndia, que enviaram coroas de flores e mensagens de solidariedade à família. A população local também participou do cortejo, prestando homenagens ao educador que desempenhou importante papel social na cidade.

O departamento de investigação da Polícia Civil continua trabalhando para apurar todos os detalhes, incluindo a participação de terceiros na ocultação do corpo e na logística envolvendo o transporte do carro de Régis para a Bolívia. A Polícia também investiga possíveis conexÔes do veículo com tråfico de drogas, bem como a responsabilidade de outros envolvidos que possam ter contribuído para o crime.

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensĂŁo de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteĂșdo de qualidade gratuitamente.