Caso Regis: o que se sabe até agora sobre assassinato de professor na fronteira do Acre

O principal suspeito, Victor Oliveira da Silva, 27 anos, vulgo “Coringa”, confessou o crime

O caso do desaparecimento e assassinato do professor de zumba e representante comercial Reginaldo Silva Corrêa, conhecido como “Régis”, teve desdobramentos nesta semana que chocaram a comunidade de Epitaciolândia, no interior do Acre. O corpo do educador foi localizado na quarta-feira (1) em uma cova rasa no quintal do principal suspeito, quase uma semana após ele ser visto pela última vez.

O corpo foi encontrado na última quarta-feira em uma cova rasa | Foto: Reprodução

Régis havia saído para uma entrega no dia 25 de setembro e não foi mais localizado. A família registrou o desaparecimento quatro dias depois, quando perdeu contato com ele. Antes da localização do corpo, o carro do professor foi encontrado em 30 de setembro, abandonado em um ramal próximo à Villa Rosário, na Bolívia, com apenas a chave no interior. As autoridades confirmaram que o corpo encontrado naquele país não era o do professor, mas que o veículo estava relacionado ao crime.

Segundo informações da Polícia Civil do Alto Acre, coordenada pelo delegado Érick Maciel, o homicídio foi cometido por asfixia mecânica, provocada por um golpe conhecido como “mata-leão”. O principal suspeito, Victor Oliveira da Silva, 27 anos, vulgo “Coringa”, confessou o crime e indicou o local onde estava o corpo. Em depoimento, Victor relatou que mantinha um relacionamento amoroso com Régis e que a motivação do assassinato teria sido o término dessa relação.

Veja mais: Professor Régis foi morto por asfixia mecânica após golpe de “mata-leão”, aponta investigação

O suspeito afirmou que chamou Régis para sua casa na noite de 29 de setembro, com a intenção de reatar o relacionamento, mas após uma discussão aplicou o golpe que deixou o professor desacordado. Victor contou acreditar, inicialmente, que a vítima havia desmaiado, mas percebeu posteriormente que ele estava morto. Ele também relatou que permaneceu dormindo ao lado do corpo durante a noite seguinte.

Para ocultar vestígios, Victor contou com a ajuda de Marijane Maffi, de 46 anos, vizinha do suspeito, que teria transportado o carro de Régis para a Bolívia. Ele afirmou que ofereceu pagamento à mulher, mas ela concordou em ajudar sem exigir remuneração. Ainda segundo o depoimento, Victor retornou à casa dela na manhã seguinte para pegar ferramentas utilizadas para abrir a cova onde enterrou o corpo.

Os suspeitos já foram reconhecidos pela polícia/Foto: Reprodução

O carro do professor, levado à Bolívia, estava localizado em um ramal a cerca de 16 quilômetros de Cobija, e a polícia investiga agora se o veículo foi vendido ou trocado por drogas. As autoridades também analisam se outras pessoas podem ter colaborado na ocultação de provas.

Victor e Marijane foram presos em flagrante na quarta-feira (1). Na audiência de custódia, realizada na quinta-feira (2), a Justiça determinou liberdade provisória para Marijane, mediante pagamento de fiança de R$ 10 mil e cumprimento de medidas cautelares, enquanto Victor teve a prisão preventiva decretada. Até o momento, Marijane não efetuou o pagamento da fiança e permanece detida. Ambos serão transferidos para Rio Branco para prosseguimento das investigações e procedimentos legais.

SAIBA MAIS: Suspeita no caso do assassinato de professor no Acre não paga fiança e permanece detida

Segundo informações, os dois suspeitos de envolvimento no assassinato do professor e representante comercial devem ser levados para unidades prisionais em Rio Branco nos próximos dias. As autoridades não divulgaram detalhes sobre a logística da transferência dos acusados, alegando questões de segurança. A operação será conduzida por equipes da Polícia Penal e da Polícia Civil.

VEJA AQUI: Acusados pela morte de professor no Acre serão transferidos para presídios em Rio Branco

O corpo de Régis foi liberado pelo Instituto Médico Legal (IML) de Rio Branco e enterrado na manhã desta sexta-feira (3) no cemitério municipal de Epitaciolândia, em uma cerimônia que reuniu familiares, amigos, colegas de trabalho e moradores locais. Os pais do professor, vindos de Cuiabá (MT), acompanharam o enterro e destacaram o vínculo que o filho mantinha com a comunidade local, optando por sepultá-lo na cidade onde ele trabalhou e atuava socialmente.

Emocionada, a mãe de Régis discursou no momento do enterro: “Eu sou mãe desse maravilhoso e nunca mais vou ver ele. Ai meu filho, eu não tenho palavras. Eu sei que você gostaria que eu falasse muita coisa, mas eu não sei. Você não merecia o que fizeram com você.”

Os pais comentaram sobre a perda do filho/Foto: Reprodução

Ela agradeceu à comunidade e aos amigos que conviveram com o filho: “Hoje você está me deixando, tá deixando seu pai, toda sua família e esse povo maravilhoso que está aqui. Você é querido e amado meu filho, e agradeço quem trabalha com ele, quem conviveu com ele.”

Leia mais: Pais viajam do Mato Grosso para enterro de professor assassinado no Acre: ‘Era amado por todos’

O caso teve grande repercussão regional, mobilizando autoridades de Brasiléia e Epitaciolândia, que enviaram coroas de flores e mensagens de solidariedade à família. A população local também participou do cortejo, prestando homenagens ao educador que desempenhou importante papel social na cidade.

O departamento de investigação da Polícia Civil continua trabalhando para apurar todos os detalhes, incluindo a participação de terceiros na ocultação do corpo e na logística envolvendo o transporte do carro de Régis para a Bolívia. A Polícia também investiga possíveis conexões do veículo com tráfico de drogas, bem como a responsabilidade de outros envolvidos que possam ter contribuído para o crime.

PUBLICIDADE