O Acre tem registrado episódios críticos de poluição do ar durante o período de queimadas, com índices que, em determinados dias, superam os observados em cidades como São Paulo e Nova Déli. O cenário ganhou repercussão após um vídeo publicado pela criadora de conteúdo Marina Guaragna, que está no estado e relatou a situação nas redes sociais.
Na publicação, a influenciadora destaca que o fenômeno não é isolado nem considerado natural da Amazônia. Segundo ela, o problema resulta de uma combinação de fatores que se repetem todos os anos, como estiagem prolongada, baixa umidade do ar, pouca circulação de ventos e, principalmente, a ação humana.
Nesse contexto, a liberação de material particulado fino, conhecido como PM2,5, preocupa autoridades de saúde. Essas partículas são microscópicas e conseguem penetrar profundamente nos pulmões, podendo alcançar a corrente sanguínea. Em situações mais críticas, cidades acreanas já registraram concentrações superiores a 300 µg/m³, podendo chegar a 400 µg/m³, muito acima do limite considerado seguro pela Organização Mundial da Saúde, que é de até 15 µg/m³ na média diária.
Além disso, a comparação com grandes centros urbanos ajuda a dimensionar a gravidade do problema. Enquanto locais como São Paulo convivem com poluição mais constante, no Acre os picos são mais intensos e concentrados em um curto período, o que potencializa os impactos à saúde, especialmente para quem não está adaptado a essas condições.
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Outro fenômeno associado é a chamada “chuva preta”, que ocorre quando partículas de fuligem e carbono presentes na atmosfera são carregadas pela chuva, tornando visível um tipo de poluição que antes estava sendo inalado de forma invisível.
Ainda conforme a criadora, comparações populares, como a equivalência entre respirar esse ar e fumar cigarros, não são literais, mas ajudam a dimensionar o nível de exposição enfrentado pela população.
Por fim, especialistas reforçam que a situação não deve ser tratada como uma característica inevitável da região. A maior parte das queimadas tem origem em atividades humanas ligadas à expansão agropecuária e ao uso do fogo para manejo de áreas. Portanto, os episódios de poluição extrema refletem decisões que impactam diretamente a qualidade do ar e a saúde da população.
