O jornalista e escritor acreano Chico Araújo lançou o livro Drogas que Destroem Vidas — Do Vício à Redenção, obra que reúne histórias acompanhadas ao longo de mais de três décadas de carreira, pesquisas científicas e depoimentos de pessoas afetadas pela dependência química. A publicação também busca chamar atenção para os impactos do álcool e das drogas sobre famílias, saúde pública e economia.
Com 214 páginas, o livro foi publicado pela Editora Social, de Brasília, em parceria com a Uiclap, e tem prefácio do professor Francisco Dandão, jornalista e membro da Academia Acreana de Letras. Para comprar, basta acessar este link.
Segundo Chico, a obra nasceu de experiências acumuladas tanto no jornalismo quanto na advocacia. Ao longo dos anos, ele acompanhou casos envolvendo dependência química, violência doméstica e famílias afetadas pelo consumo de álcool e outras drogas.
“Esse livro, na verdade, nasceu de um acúmulo de histórias que eu fui colecionando ao longo da minha carreira como jornalista e também, depois, como na carreira do direito, como advogado.”
A experiência como advogado, segundo o autor, permitiu que ele observasse de maneira ainda mais próxima as consequências provocadas pelo consumo de substâncias. “Há uma droga lícita [referindo-se ao álcool], que ela é usada na sociedade; as pessoas dizem que bebem socialmente, mas, na verdade, ela [a droga] virou uma epidemia no Brasil.”

A experiência como advogado, segundo o autor, permitiu que ele observasse de maneira ainda mais próxima as consequências provocadas pelo consumo de substâncias. — Foto: Reprodução
Histórias por trás dos números
Para escrever o livro, Chico conta que pesquisou dados científicos e acompanhou reuniões de grupos como Narcóticos Anônimos e Alcoólicos Anônimos. Também ouviu pessoas que passaram pela dependência e conseguiram reconstruir a própria vida.
“Peguei muito depoimento de pessoas que tiveram a vida destruída e conseguiram se reerguer na sociedade. E como eu vi os números muito alarmantes, eu resolvi escrever esse livro”, enfatizou, acrescentando ainda que o primeiro capítulo da obra é justamente intitulado como “Uma epidemia silenciosa que devora almas”. “Por ser uma droga lícita e de fácil acesso, ela vai criando um ciclo que não para”, afirma Chico.
O autor também chama atenção para o impacto da dependência sobre pessoas que não aparecem diretamente nas estatísticas relacionadas ao consumo.
“Você tem um país dentro do país, de pessoas que estão morrendo silenciosamente. As políticas públicas não conseguem ver o problema por dentro, com uma posição mais forte.”
Álcool e impacto na economia
Além das consequências para a saúde e para as famílias, o livro aborda os impactos econômicos provocados pelo consumo de álcool e outras drogas.
Durante a entrevista, Chico citou estimativas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) relacionadas aos custos para o país, incluindo despesas com o Sistema Único de Saúde (SUS), aposentadorias precoces, previdência, afastamentos e perda de produtividade.
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Segundo o autor, quando esses fatores são considerados em conjunto, o impacto econômico chega a cerca de R$ 370 bilhões por ano, o equivalente a aproximadamente 7,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Chico também relaciona o consumo de álcool a episódios de violência doméstica e afirma que o problema precisa ser tratado de maneira mais ampla pelas políticas públicas, especialmente na prevenção entre crianças e adolescentes.
“É uma coisa para alertar a sociedade que esse é um problema que deve ser colocado nas políticas sociais de forma mais inteligente, principalmente em escolas.”
‘Um país dentro do país’
Entre os números apresentados no livro está uma estimativa de aproximadamente 11,7 milhões de pessoas com dependência relacionada ao álcool, segundo dados citados pelo autor. “É o tamanho da cidade de São Paulo”, diz.
O escritor ressalta, porém, que as estatísticas podem não representar toda a dimensão do problema, já que os efeitos do consumo de álcool vão além dos casos diretamente registrados como consequência da bebida. O autor cita doenças relacionadas ao consumo, além de problemas psicológicos e sociais. Também destaca que a Organização Mundial da Saúde classifica o alcoolismo como uma doença que precisa de tratamento.
“As pessoas acham que é vício. Então, é uma doença como outra qualquer que precisa ser tratada.”
Do Acre aos bastidores de Brasília
Nascido em um seringal na região de Jordão, no Acre, Chico Araújo iniciou sua trajetória no jornalismo ainda estudante, em Tarauacá, onde criou um jornal escolar mimeografado.
Ao longo da carreira, trabalhou em veículos como Folha do Acre, Diário do Acre, O Branco, A Gazeta e TV Acre. Também atuou como correspondente de O Estado de S. Paulo.
Mais tarde, estabeleceu-se em Brasília, onde passou a atuar como advogado, jornalista e profissional de comunicação e assessoria política. É formado em Direito pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) e possui formação em Teologia pela Arquidiocese de Brasília.
O novo livro é o quarto trabalho solo do autor. Chico também publicou Quando Convivi com os Ratos, Sombras do Poder e Memórias de um Repórter, além de ser coautor, ao lado de Pitter Lucena, de Os Milhões do Governador.
