Até o dia 1º de fevereiro, quando foi eleito presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) era desconhecido pela maioria dos brasileiros. Com o apoio de 13 partidos, ele conseguiu derrotar o candidato do PT e chegou ao nível mais alto de poder em toda a carreira. Mas agora, as denúncias de corrupção colocam em risco a vida política dele.
A Operação Lava Jato é apenas o escândalo mais recente em que Cunha aparece. Durante o governo de Fernando Collor, ele assumiu a presidência da antiga Telerj e foi acusado de envolvimento nos esquemas de corrupção de PC Farias, seu padrinho político. Ainda no cargo, foi acusado de superfaturamento, após assinar um aditivo de contrato de US$ 92 milhões com uma empresa de tecnologia japonesa.
Antes mesmo de ter qualquer mandato, Cunha também foi acusado desvio de dinheiro da Cehab (Companhia Estadual de Habitação do Rio de Janeiro), onde ocupava o cargo de presidente, por indicação do então governador Anthony Garotinho. Em 2011, voltou à mídia, suspeito de participar de superfaturamento em Furnas. Ele teria relações com o grupo empresarial envolvido no caso.
Mesmo com toda a exposição negativa, ele foi eleito deputado federal por quatro vezes seguidas desde 2002. No ano passado, o peemedebista teve 232,7 mil votos de eleitores fluminenses.
O ex-deputado federal Ciro Gomes deu uma entrevista, antes da eleição de Cunha para a presidência da Casa, em que falava que o político “banca os colegas” e que “todo mundo sabe disso”. Ele ainda o classificou como “picareta”.
Apesar dessa imagem entre algumas pessoas do meio político, Eduardo Cunha conseguiu 267 votos e garantiu a presidência da Câmara dos Deputados. Arlindo Chinaglia, candidato do PT, teve 136 votos. Naquele dia, ele chegou a se comprometer com a estabilidade política e econômica ao dizer que não faria “nenhum tipo de batalha”.
— Não será a presidência da Câmara que vai provocar instabilidade. Não vamos ter estabilidade econômica sem estabilidade política. Somos responsáveis o suficiente para saber que o País precisa de estabilidade política.
Não demorou muito para o País perceber que o que ele havia dito foi apenas da boca para fora. Cunha já era um adversário do Planalto durante o primeiro mandato da presidente Dilma. Em 2013, o deputado — integrante da base aliada e líder da bancada do PMDB — criou um impasse com o governo ao fazer lobby para barrar a votação da medida provisória que regulamentava os portos.
