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Rio Branco
24 junho, 2021 1:51 pm

Artigo: Não basta estar no poder para vencer uma eleição

POR JAIRO CARIOCA*

No primeiro turno o eleitor vota em quem tem maior afinidade, no segundo, ele escolhe quem não quer ver no poder. De todas as lições que podemos tirar das eleições municipais em Rio Branco, essa é a maior delas.

Alguns resultados das eleições no Brasil foram emblemáticos. No Rio de Janeiro, assim como em outras capitais, o fraco desempenho de Marcelo Crivella – candidato apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro – acende um sinal amarelo para a base bolsonarista e as pautas conservadoras.

Em Rio Branco, não é diferente. Socorro Neri estatisticamente foi uma excelente prefeita, arrisco a dizer que melhor até que o petista Marcus Alexandre. Pecou em não fazer política, por evitar o corpo a corpo com o cidadão. Elitizou a sua gestão de gabinete.

Esse filme eu já vi. Em Senador Guiomard, em 2005, Celso Ribeiro tinha boa aprovação popular e era visto como o prefeito que mais trabalhou para o desenvolvimento do município. Tanto, que este ano liderava toda pesquisa de intenção de votos. Mas não fez política, deixou de ouvir as criticas construtivas, sendo derrotado na reeleição. O candidato que ele apoiou em 2020, a professora Branca, teve a pior votação dos últimos tempos, mesmo com o filho de Celso Ribeiro sendo o vice.

Socorro Neri arrumou os corredores de ônibus, levou asfalto à periferia, iluminou com led, várias ruas que estavam às escuras, porém, não sentou na beira da calçada, não comeu quibe no lanche da esquina mais movimentada e nem tomou o famoso cafezinho da dona Maria na Baixada. Se fez isso, esqueceu ou comunicou muito mal. Em um processo eleitoral cada vez mais profissionalizado, esses erros são cruciais.

O discurso de campanha, sem forte apelo emocional junto às massas foi a gota d’água. Em um ano de pandemia, de enormes dificuldades econômicas, o “esperançar” foi vencido facilmente pela promessa de “arroz e feijão nas mesas”.

O ex-prefeito, ex-governador e ex-senador Jorge Viana tem razão, Tião Bocalom que tinha enorme rejeição e vinha de sucessivas derrotas não foi o melhor candidato. O petista errou em seu comentário quando, praticamente incentivou o voto nulo ou em branco, afirmando que nem Socorro Neri o representava. Embora saibamos a motivação para tanto desencanto, esse tipo de discurso acaba incentivando a escolha do pior.

Como disse o prefeito reeleito de São Paulo, Bruno Covas, em seu primeiro discurso após a vitória neste domingo, “é possível fazer política sem ódio”. Neto de Mario Covas, um dos políticos mais éticos da história brasileira, Bruno traz uma reflexão necessária dentre tantas que saltam aos olhos e que precisam ser levadas em conta como lições para uma urgente mudança de comportamento de quem saiu derrotado nas eleições municipais do Acre.

Em Rio Branco, faltou estratégia e planejamento para as eleições de 2020, o que demonstra uma fraca articulação política.

Não basta estar no poder para ganhar uma eleição.

*Jairo Carioca é radialista e jornalista.

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