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22 setembro 2021 2:53 am

Farinha de mandioca produzida no PR ameaça produtores locais no Acre; entenda

Deputado alerta para os riscos de prejuízos de produtores locais com a falta de competitividade

POR TIÃO MAIA, PARA CONTILNET

Última atualização em 10/08/2021 16:08

A produção de farinha de mandioca por produtores do Paraná, no Sul do país, está avançando sobre o mercado da Amazônia e já competindo com a produção regional. Com isso, estados como Rondônia e o Acre, que se jactava de produzir a melhor farinha do mundo, estão perdendo mercado e muitos produtores já começam amargar prejuízos e muitos até já admitem deixar a atividade.

O alerta foi feito na tribuna da Assembleia Legislativa do Estado do Acre (Aleac), pelo deputado Luiz Gonzaga ( PSDB). Natural da região do Juruá, onde mantém sua base eleitoral, o deputado disse que vem sendo procurado por produtores de farinha que lhe pedem socorro e intervenção política para evitar maiores prejuízos.

O deputado disse ter procurado se informar sobre o assunto e descobriu que um das causas de a farinha de mandioca, principalmente na região do Vale do Juruá, vir sendo encalhada e perdendo preço, é a produção paranaense do mesmo produto. Embora não tenha a mesma qualidade da farinha acreana, aquela produzida no Paraná chega ao mercado nacional, inclusive na região Amazônica, a preços mais em conta. “Não há como o produtor acreano concorrer e eu vejo, para os nossos produtores, tempos muito difíceis”, disse Gonzaga.

A competição desleal, segundo o deputado, começa o com a produção automatizada das casas de farinha do Paraná. “Eles têm máquinas, tem estradas e apoio governamental, como assistência técnica. Os nossos produtores chegam a trabalhar até 18 horas por dia, como escravos desta produção, e não alcançam os números industriais do Parana”, apontou o deputado. ” Nosso modelo de produção de farinha ainda é muito arcaico, atrasado”, acrescentou.

Gonzaga disse ainda ter feito levantamentos sobre os valores da automatização. As máquinas, que incluem forno e palhetas, além de lavatórios, custam em torno de R$ 70 mil por unidade. Os produtores que não dispõem de recursos, segundo o deputado, poderiam ter apoio de órgãos como Susan (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia) para o financiamento. ” No Governo Jorge Viana, em seu primeiro mandato, foram criadas algumas casas de farinha que podem servir como exemplo. Com automação, a nossa farinha, além de manter a qualidade, teria menos impurezas e seus preços poderiam ser competitivos com a produção de outros estados”, disse.

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