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24 setembro 2021 11:23 am
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Figueiras plantadas em avenida de Campo Grande e ‘regadas por prefeito todos os dias’ fazem 100 anos

Com o sonho da 'cidade do futuro', Arlindo Gomes montou Código de Posturas e obrigava o plantio. Para dar exemplo, ele plantou árvores na Afonso Pena e, todos os dias ao sair do expediente, ele as regava.

POR G1

Em 1921, quando Campo Grande tinha pouco mais de 8 mil habitantes, o então prefeito Arlindo Gomes passou a revolucionar a administração, criando projetos e realizando o plantio de árvores no canteiro central da avenida Afonso Pena.

Para dar o exemplo, ele mesmo as regava, diariamente, ao sair do expediente. Hoje, as figueiras completam o centenário.

Na época, eram centenas de casas de alvenaria de tijolos, mais de 100 casas comerciais, duas agências bancárias, cinco hotéis e 58 automóveis. Além disso, incluindo a área rural, o município tinha 21.360 habitantes, rede telefônica e iluminação elétrica.

E foi naquele ano que Arlindo Gomes convidou Camillo Boni e Arnaldo Estevão de Figueiredo para ocuparem cargos na administração municipal, deixando marcas de desenvolvimento que se estendem até os dias de hoje.

Prefeito Arlindo Gomes é quem plantou figueiras no canteiro da avenida Afonso Pena — Foto: Arca/Divulgação
Prefeito Arlindo Gomes é quem plantou figueiras no canteiro da avenida Afonso Pena — Foto: Arca/Divulgação

Entre os projetos estão a negociação para que Campo Grande abrigasse os quartéis militares programados pelo Ministro Calógeras.

A área para a construção foi adquirida pela intendência por um conto de réis e doada ao governo federal.

Com esse intento, Arlindo Gomes deslocava o eixo militar mato-grossense de Corumbá para Campo Grande e, assim, a cidade vai atravessar seu segundo grande surto de desenvolvimento, sendo o primeiro em 1914, com a estrada de ferro.

Na época, as tropas foram para os quartéis e “encheram” a cidade de gente e de poder. Os militares necessitaram de uma rede de água própria para abastecer os enormes edifícios e mais uma vez, Arlindo intercede para que a rede, que vinha das nascentes do Segredo, pudessem abastecer as mais de mil casas existentes em Campo Grande.

Em seguida, houve o abastecimento com água potável, o surgimento do primeiro bairro da cidade e a necessidade de uma norma urbanística, que foi feita com mais de 300 artigos. Lá estavam os planos para a cidade do futuro, que o prefeito tanto sonhava.

Publicação da época sobre o plantio das árvores em Campo Grande — Foto: Arca/Divulgação
Publicação da época sobre o plantio das árvores em Campo Grande — Foto: Arca/Divulgação

O Código obrigava o plantio de árvores no terreno e criava condições tributárias para a sua manutenção. Para dar o exemplo, Arlindo Gomes plantou as árvores no canteiro central da avenida Afonso Pena e as regava, diariamente, ao sair do expediente.

Depois, houve a criação de novas quadras e a ferrovia, atraindo novos contingentes populacionais e econômicos.

Na atual Praça Ari Coelho, Arlindo mandou construir o Coreto, em estrutura metálica vinda de São Paulo, lugar de tantas lembranças, por onde passaram bandas e retretas e urbanizar o espaço, com as pérgulas e o calçamento. Os projetos também se estenderam a construção de escolas, ao ensino público.

Atualmente, a administração de Arlindo é considerada revolucionária. Para especialistas, ele era um “juiz de direito que adorava a natureza, mas, que compreendia a importância do urbanismo e do paisagismo para uma cidade, que segundo ele mesmo escreveu em 1936, “ a maior cidade”, numa alusão clara de como seria Campo Grande, 80 anos depois”.

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