Interlocutores de Bolsonaro sondam nomes para o lugar de Paulo Guedes

Por VALDO CRUZ, G1 22/10/2021 Ă s 12:34

Apesar de o presidente da RepĂșblica, Jair Bolsonaro, afirmar que o ministro da Economia, Paulo Guedes, segue no cargo, dois interlocutores do presidente estiveram recentemente em SĂŁo Paulo sondando um nome para substituir o chefe da equipe econĂŽmica. Segundo apurou o blog, os interlocutores tinham o aval do presidente para fazer a sondagem.

Na avaliação de assessores prĂłximos ao presidente da RepĂșblica, Ă© preciso começar a avaliar nomes para substituir Guedes por dois motivos. O primeiro Ă© que o ministro pode decidir pedir demissĂŁo. O segundo Ă© que uma ala do governo jĂĄ tenta convencer Bolsonaro a trocĂĄ-lo, dentro do argumento de que o ministro da Economia nĂŁo estaria entregando o que prometeu.

Guedes chegou a dizer na semana passada que deseja ficar no governo para seguir aprovando as reformas estruturais que sempre defendeu, mas admitiu que sua permanĂȘncia tinha um limite. Caso fosse obrigado a tomar medidas que colocassem em risco a responsabilidade fiscal, ele nĂŁo teria condiçÔes de seguir no posto.

Agora, Guedes tem ajustado seu discurso, dizendo que o governo precisa amparar famĂ­lias que ainda estĂŁo em situação de vulnerabilidade por causa da pandemia de Covid. E defendeu a decisĂŁo do presidente da RepĂșblica de elevar para R$ 400 o benefĂ­cio do AuxĂ­lio Brasil, que a equipe econĂŽmica defendia que ficasse em R$ 300, exatamente para se encaixar dentro do teto dos gastos pĂșblicos.

Debandada

Nesta quinta-feira (21), quatro secretĂĄrios do MinistĂ©rio da Economia decidiram deixar seus cargos diante da estratĂ©gia do governo de mudar as regras do teto dos gastos pĂșblicos para abrir espaço para o aumento do AuxĂ­lio Brasil e tambĂ©m para outras despesas, como o auxĂ­lio a caminhoneiros.

Na avaliação desses secretårios, entre eles o principal da equipe de Paulo Guedes, o secretårio Especial de Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, o governo sinaliza um descompromisso com a responsabilidade fiscal, tirando totalmente a credibilidade da política econÎmica.

Esses secretĂĄrios nĂŁo sĂŁo contra o aumento do valor do AuxĂ­lio Brasil, mas defendem que a medida deveria ser adotada com cortes de gastos, e nĂŁo com aumento do endividamento pĂșblico.

 

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