Corregedoria investiga denĂșncia de motorista de aplicativo que teria sido preso injustamente e torturado

Por G1 03/05/2022 Ă s 10:26 Atualizado: hĂĄ 4 anos

A Corregedoria da PolĂ­cia Civil de Mato Grosso do Sul investiga o caso de um motorista de aplicativo que alega ter sofrido tortura apĂłs ser preso injustamente, em Campo Grande. Diego Cardoso Roberto, 32 anos, afirma que foi abordado por trĂȘs policiais em uma viatura descaracterizada e preso sem saber o motivo.

Na delegacia, ele afirma ter passado por sessão de tortura com socos, tapas e sufocamento, além de ter sido coagido a confessar que era membro de uma quadrilha que roubava condomínios de luxo na capital.

Diego diz que foi abordado por volta das 6h de quinta-feira (28) quando estava com uma passageira no veículo. “Eles me deram voz de prisão, simplesmente não citaram o motivo, me algemaram e já me levaram diretamente para a delegacia”, relata.

“Na delegacia, eu fui questionado sobre um suposto roubo e suposta quadrilha que eu integraria. Me mostraram a foto de um carro lateral, com um vĂ­deo de um carro que nĂŁo mostra em nenhum momento a placa do veĂ­culo. Nisso começaram as agressĂ”es, tapas, xingamentos, momento em que um dos investigadores foi buscar um saco preto e sufocaram a minha cabeça atĂ© eu desmaiar. AgressĂ”es no meu pĂ© com mangueira, xingamentos, socos”, detalha Diego.

Segundo ele, as agressĂ”es duraram horas. “Eu apanhei durante horas atĂ© a chegada do delegado, aĂ­ que eu fui saber o que seria, que eu estaria envolvido em um crime de condomĂ­nio de luxos”, diz.

Segundo o motorista, ele foi agredido com mangueira. — Foto: Reprodução/TVMorena

Segundo o motorista, ele foi agredido com mangueira. — Foto: Reprodução/TVMorena

Álibi

De acordo com o motorista de aplicativo, ele também atua hå 12 anos como entregador e auxiliar de cozinha em um restaurante da capital. O advogado dele, Fåbio Trad Filho, afirma que o cliente estava em outro local, no momento do crime ao qual foi atribuído.

“Ele estava em aniversĂĄrio de primos, tem fotos, vĂ­deos e provas cabais disso”, pontua o advogado.

O representante legal do motorista diz que o cliente jĂĄ esteve no MinistĂ©rio PĂșblico Estadual (MPE), na Corregedoria da PolĂ­cia Civil. “Ele fez o exame de corpo de delito, que constatou e comprovou as alegaçÔes que ele faz de que sofreu tortura. O prĂłximo passo Ă© apresentar uma representação criminal contra os agentes do estado que praticaram o crime de tortura para que sejam processados nas esferas criminal e cĂ­vel”, detalha FĂĄbio Trad Filho.

Em nota, a PolĂ­cia Civil de Mato Grosso do Sul afirma que o caso estĂĄ sendo investigado pela corregedoria.

Quadrilha roubava condomĂ­nios de luxo

A organização criminosa, a qual Diego afirma ter sido apresentado como membro, Ă© especializada no furto de casas em condomĂ­nios de luxo. Integrantes foram presos na quinta-feira (28), pela Delegacia Especializada de RepressĂŁo a Roubos e Furtos (DERF), em Campo Grande. O grupo invadiu pelo menos quatro residĂȘncias e um dos suspeitos chegou, inclusive, a ir para SĂŁo Paulo para vender as joias furtadas, avaliadas em cerca de R$ 500 mil.

Cinco pessoas foram presas: Bruno Norberto Artur, de 21 anos, Rafael Ferreira Fernandes, de 27, Luiz Gustavo Brunetto, de 24 anos e a mãe dele, Solange Ferreira Lima, de 47 anos, além de Valdeir Pereira de Moraes, de 27 anos.

Algumas peças furtadas foram recuperadas pela polícia — Foto: Geisy Garnes

Algumas peças furtadas foram recuperadas pela polícia — Foto: Geisy Garnes

Segundo as investigaçÔes, Luiz Gustavo é cunhado de Rafael Ferreira e tinha um papel fundamental nos crimes. Ele trabalhava como pedreiro nos condomínios e durante o tempo em que permanecia nas obras, observava os locais. Depois, repassava as informaçÔes para a quadrilha, que definia a melhor maneira de invadir os imóveis.

Segundo o delegado FĂĄbio Brandalise, em cada condomĂ­nio os bandidos entravam de uma maneira diferente. Em um dos casos, por exemplo, usaram uma escada para pular o muro. Em outro, cortaram as grades para ter acesso Ă s casas.

Objetos das vítimas recuperados pela polícia — Foto: Geisy Garnes

Objetos das vítimas recuperados pela polícia — Foto: Geisy Garnes

JĂĄ dentro, escolhiam o “alvo” e monitoravam a residĂȘncia por horas, atĂ© terem certeza que estava vazia, sĂł entĂŁo invadiam. O foco do grupo, segundo Brandalise, eram joias e dinheiro, mas, nas açÔes levavam tambĂ©m todos os objetos de valor que encontravam, como televisĂ”es, computadores, bolsas e atĂ© arma de fogo.

A polícia descobriu que além de Luiz Gustavo, a mãe dele, Solange, também participou dos crimes. A polícia conseguiu imagens dela e do filho em um dos furtos.

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