A Corregedoria da PolĂcia Civil de Mato Grosso do Sul investiga o caso de um motorista de aplicativo que alega ter sofrido tortura apĂłs ser preso injustamente, em Campo Grande. Diego Cardoso Roberto, 32 anos, afirma que foi abordado por trĂȘs policiais em uma viatura descaracterizada e preso sem saber o motivo.
Na delegacia, ele afirma ter passado por sessĂŁo de tortura com socos, tapas e sufocamento, alĂ©m de ter sido coagido a confessar que era membro de uma quadrilha que roubava condomĂnios de luxo na capital.
Diego diz que foi abordado por volta das 6h de quinta-feira (28) quando estava com uma passageira no veĂculo. âEles me deram voz de prisĂŁo, simplesmente nĂŁo citaram o motivo, me algemaram e jĂĄ me levaram diretamente para a delegaciaâ, relata.
Segundo ele, as agressĂ”es duraram horas. âEu apanhei durante horas atĂ© a chegada do delegado, aĂ que eu fui saber o que seria, que eu estaria envolvido em um crime de condomĂnio de luxosâ, diz.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2022/A/6/l1v3bJSrOT3ItjkN4sxw/design-sem-nome-2022-05-02t160327.277.jpg)
Segundo o motorista, ele foi agredido com mangueira. â Foto: Reprodução/TVMorena
Ălibi
De acordo com o motorista de aplicativo, ele tambĂ©m atua hĂĄ 12 anos como entregador e auxiliar de cozinha em um restaurante da capital. O advogado dele, FĂĄbio Trad Filho, afirma que o cliente estava em outro local, no momento do crime ao qual foi atribuĂdo.
O representante legal do motorista diz que o cliente jĂĄ esteve no MinistĂ©rio PĂșblico Estadual (MPE), na Corregedoria da PolĂcia Civil. âEle fez o exame de corpo de delito, que constatou e comprovou as alegaçÔes que ele faz de que sofreu tortura. O prĂłximo passo Ă© apresentar uma representação criminal contra os agentes do estado que praticaram o crime de tortura para que sejam processados nas esferas criminal e cĂvelâ, detalha FĂĄbio Trad Filho.
Em nota, a PolĂcia Civil de Mato Grosso do Sul afirma que o caso estĂĄ sendo investigado pela corregedoria.
Quadrilha roubava condomĂnios de luxo
A organização criminosa, a qual Diego afirma ter sido apresentado como membro, Ă© especializada no furto de casas em condomĂnios de luxo. Integrantes foram presos na quinta-feira (28), pela Delegacia Especializada de RepressĂŁo a Roubos e Furtos (DERF), em Campo Grande. O grupo invadiu pelo menos quatro residĂȘncias e um dos suspeitos chegou, inclusive, a ir para SĂŁo Paulo para vender as joias furtadas, avaliadas em cerca de R$ 500 mil.
Cinco pessoas foram presas: Bruno Norberto Artur, de 21 anos, Rafael Ferreira Fernandes, de 27, Luiz Gustavo Brunetto, de 24 anos e a mãe dele, Solange Ferreira Lima, de 47 anos, além de Valdeir Pereira de Moraes, de 27 anos.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2022/u/b/6brObZRIKWgse69Fn13Q/whatsapp-image-2022-04-29-at-13.57.55.jpeg)
Algumas peças furtadas foram recuperadas pela polĂcia â Foto: Geisy Garnes
Segundo as investigaçÔes, Luiz Gustavo Ă© cunhado de Rafael Ferreira e tinha um papel fundamental nos crimes. Ele trabalhava como pedreiro nos condomĂnios e durante o tempo em que permanecia nas obras, observava os locais. Depois, repassava as informaçÔes para a quadrilha, que definia a melhor maneira de invadir os imĂłveis.
Segundo o delegado FĂĄbio Brandalise, em cada condomĂnio os bandidos entravam de uma maneira diferente. Em um dos casos, por exemplo, usaram uma escada para pular o muro. Em outro, cortaram as grades para ter acesso Ă s casas.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2022/1/l/Q8SIs9RyOCpiYXLmBVtA/whatsapp-image-2022-04-29-at-13.58.05.jpeg)
Objetos das vĂtimas recuperados pela polĂcia â Foto: Geisy Garnes
JĂĄ dentro, escolhiam o âalvoâ e monitoravam a residĂȘncia por horas, atĂ© terem certeza que estava vazia, sĂł entĂŁo invadiam. O foco do grupo, segundo Brandalise, eram joias e dinheiro, mas, nas açÔes levavam tambĂ©m todos os objetos de valor que encontravam, como televisĂ”es, computadores, bolsas e atĂ© arma de fogo.
A polĂcia descobriu que alĂ©m de Luiz Gustavo, a mĂŁe dele, Solange, tambĂ©m participou dos crimes. A polĂcia conseguiu imagens dela e do filho em um dos furtos.
