22 de fevereiro de 2024

Coordenadora desarmou e segurou atirador em escola até a chegada da PM

Funcionária da Escola Estadual Sapopemba manteve autor de ataque na sala da diretoria após ele matar aluna de 17 anos e ferir outras duas

A Escola Estadual Sapopemba, na zona leste de São Paulo, foi alvo de um ataque a tiros1

Reprodução TV Globo

A coordenadora pedagógica da Escola Estadual Sapopemba desarmou e conteve, até a chegada da Polícia Militar, o adolescente de 16 anos que promoveu um ataque na instituição de ensino da zona leste de São Paulo, no início da manhã desta segunda-feira (23/10).

A mulher de 43 anos, segundo registros da Polícia Civil, manteve o jovem na sala da direção, local onde ele foi encontrado por policiais militares durante a varredura que fizeram na escola, assim que foram notificados sobre o ataque.

Instantes depois, os PMs encontraram a estudante Giovanna Bezerra da Silva, de 17 anos, caída perto de uma escadaria da escola, ferida com um tiro na nuca. Ela foi a única vítima que morreu no ataque. Uma câmera de monitoramento registrou o momento em que ela foi atingida pelo disparo, dado à queima roupa.

Outras duas jovens, de 15 anos, também foram atingidas pelos tiros. Uma delas no lado direito da clavícula e a outra no lado esquerdo do abdômen. Um rapaz, de 18 anos, se machucou com estilhaços de vidro, em uma das mãos, quando fugia do tiroteio. As três vítimas seguiam internadas até a publicação desta reportagem, sem risco de morrer.

O autor do crime disparou quatro vezes, usando um revólver calibre 38. A arma, que pertencia ao pai do garoto, estava com a documentação em dia, de acordo com a polícia.

Os pais do atirador são separados. Segundo a Polícia Civil, a arma e a munição estavam guardadas em locais distintos da casa e o jovem precisou “vasculhar” os cômodos para encontrá-la.

O armamento estava registrado desde 1994. O pai do adolescente ainda não foi ouvido na delegacia. Além do estudante, as autoridades também investigam a participação indireta de outros suspeitos.

Ameaça e rotina de agressões

A investigação aponta que o atirador de 16 anos contou à mãe, em abril deste ano, que vinha recebendo ameaças on-line de pessoas que pareciam ser de “grupos rivais”. As ameaças eram feitas nas redes sociais.

Um boletim de ocorrência registrado pelo adolescente, em 24 de abril, menciona que o jovem foi agredido por “diversos alunos”, não identificados, da Escola Estadual de Sapopemba, a mesma onde ocorreu o ataque desta segunda-feira (assista abaixo).

Metrópoles localizou dois registros, em vídeo, nos quais o adolescente é agredido. Um deles seria do caso registrado no B.O. Já o outro ocorreu no bairro da Liberdade, na região central da capital paulista.

Segundo alunos da escola, o adolescente era alvo de bullying por ser homossexual. Esse teria sido o motivo para o ataque desta segunda-feira.

Grupos rivais

Em alguns vídeos postados no TikTok e Instagram, o adolescente aparece chorando após sofrer violência física. As redes sociais eram usadas por ele, seus seguidores e um grupo rival para alimentar as desavenças entre os jovens.

De acordo com o registro da ocorrência, “a vítima [autor do ataque] tem muitas visualizações de tudo o que lhe acontece”. Além disso, segundo o B.O., “as agressões sofridas pela vítima se generalizaram na internet, e foi percebido que os agressores ganharam muitos seguidores”. Por fim, o estudante diz à polícia que “teme por sua integridade física e que as ameaças se espalhem”.

Segundo a família do adolescente, o Conselho Tutelar e a Diretoria de Ensino foram procurados na ocasião da denúncia. Acionada, a Secretaria de Estado da Educação não se manifestou. O espaço está aberto.

 

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