19 de abril de 2024

“Don Juan” seduz mulher, torra R$ 700 mil e faz vítima perder tudo

Em poucos meses de relacionamento, a vítima perdeu o apartamento próprio, o carro, um emprego estável de 15 anos e todo o dinheiro no banco

Reprodução

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga um caso de estelionato amoroso, no qual uma mulher teve a vida financeira destruída e amargou um prejuízo de pelo menos R$ 700 mil após se envolver com um Don Juan. Em poucos meses de relacionamento, a vítima perdeu o apartamento próprio, o carro, um emprego estável de 15 anos e todo o dinheiro que tinha no banco.

Com lábia afiada e personalidade aparentemente encantadora, o vendedor de carros Júlio César Santos de Morais Lima, 43 anos, conheceu Weslaine Moura Neves, 37, na loja de escapamentos onde ela trabalhava. O golpista havia levado o carro para fazer uma instalação de um engate. Em pouco tempo, os dois começaram a se relacionar.

Ao fim de 2022, após poucas semanas de namoro, o casal decidiu morar no apartamento de Weslaine, em Ceilândia. “Ele sempre teve uma capacidade muito grande enredar e fazer tudo parecer um sonho. Eu caí no conto dele e deixei que conduzisse a minha vida”, contou. Em pouco tempo, o estelionatário fez com que a companheira pedisse demissão do emprego de 15 anos e mudasse com ele para Balneário Camboriú, em Santa Catarina.

Veja imagens do estelionatário:

homem ao lado de lago

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Homem de máscara em avião

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Avalanche de contas

A vítima relatou que todas as despesas eram arcadas por ela. O golpista não tinha cartão de crédito, muito menos contas em banco. “Ele gostava de viver uma rotina de alto poder aquisitivo. Só almoçava e jantava fora e tomava café em padarias chiques”, explicou a vítima.

Weslaine contou que o Don Juan a convenceu a vender o ágio de seu apartamento — quase quitado — por R$ 180 mil e se desfazer de um Honda Civic. “Ele pegou uma Land Rover e R$ 25 mil em espécie após vender meu apartamento. Logo depois, nós nos mudamos para Santa Catarina, onde ele me fez assinar um contrato de locação de uma casa por R$ 5 mil mensais”, lembrou.

Paralelamente aos gastos nababescos do companheiro, Weslaine abriu novas contas e teve cartões de crédito com limites superiores a R$ 100 mil usados pelo golpista. “Pelo menos seis carros foram comprados e financiados em meu nome. Além disso, até a irmã dele usou meu dinheiro para comprar cinco televisões. Toda a família se esconde sob o falso manto da religiosidade”, contou.

Desespero

Com o passar dos meses e vendo a vida financeira se esvair em dívidas, a vítima disse que não ficaria mais em Balneário Camboriú e que voltaria para Brasília. O golpista se recusou, em um primeiro momento, mas resolveu acompanhar Weslaine. “Mesmo na volta, ele fez com que eu alugasse um apartamento de Águas Claras por R$ 3,8 mil”.

A vítima descobriu, depois, que ele respondia a uma série de processos judiciais por estelionato. A mulher ainda achou um cartão em nome do pai de Júlio César, no qual ele escondia dinheiro retirado da conta dela. “Cheguei a pensar em tirar a minha vida, pois não via saída. Quando percebi, eu não tinha mais um centavo na conta, havia uma infinidade de carros financiados em meu nome e eu estava desempregada”, explicou.

A mulher expulsou o golpista de casa, registrou ocorrência de estelionato e solicitou medidas protetivas para que o golpista se afastasse dela. Ao voltar para o DF, a mulher conseguiu recuperar o mesmo emprego do qual havia pedido demissão e, até hoje, tenta reerguer sua vida. “Graças a Deus, estou me reconstruindo. Muitas vezes, as mulheres não percebem quando vivem uma relação abusiva e acham que estão fazendo bem para o companheiro. Mas o que existe é apenas uma relação de subjugação e exploração”, contou.

A coluna tentou entrar em contato com o homem investigado por estelionato amoroso, mas ele não atendeu às ligações.

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