A declaração do ministro da Educação, Camilo Santana, sobre a criação de um hospital universitário no Acre reacendeu o debate sobre o futuro da rede pública de saúde no estado. Em resposta, a presidente da Fundação Hospitalar do Acre (Fundhacre), Sóron Steiner, afirmou que a unidade não será cedida ao governo federal e classificou a possibilidade como “inegociável”.
A manifestação ocorreu nesta segunda-feira (2), durante entrevista ao podcast Em Cena, do ContilNet. Segundo Steiner, embora reconheça a importância de investimentos federais, a estrutura da Fundhacre é essencial para o atendimento da população e não pode ser substituída.
“O recurso é bem-vindo, o Acre precisa de investimentos, mas a Fundação é um patrimônio do povo acreano. Ela atende não só pacientes do estado, mas também de regiões vizinhas e até de países próximos. Não podemos abrir mão disso”, afirmou.
Entenda a polêmica
A discussão ganhou força após a visita de Camilo Santana ao Acre, na última semana. Durante agenda na Universidade Federal do Acre, em Rio Branco, o ministro afirmou que o estado é o único do país que ainda não possui um hospital universitário.
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Segundo ele, desde 2023 há um compromisso do governador Gladson Camelí de doar uma unidade hospitalar estadual para que o Ministério da Educação possa transformá-la em hospital de ensino.
O projeto já conta com R$ 50 milhões reservados no Novo PAC para reforma, aquisição de equipamentos e adaptação da estrutura. No entanto, os recursos seguem parados, aguardando uma definição formal do governo estadual.
“O mais caro de um hospital não é construir, é manter. Por isso buscamos uma estrutura já existente, o que tornaria o processo mais rápido”, explicou o ministro.
Ele também destacou que os hospitais universitários, além de formar profissionais, ampliam o atendimento de alta complexidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS), contribuindo para reduzir filas.
“Fundação não está em negociação”
Apesar da sinalização anterior sobre a possível doação, Sóron Steiner afirmou que o governo estadual já se posicionou contra a entrega da Fundhacre à gestão federal.
Segundo ela, a realidade do Acre exige a ampliação da rede, e não a substituição de uma unidade estratégica.
“A partir do momento que você doa uma unidade como a Fundação, você assume que ela não faz mais falta. E isso não é verdade. O estado precisa ampliar, não reduzir”, pontuou.
A presidente reforçou que a instituição já atua como espaço de formação, recebendo estudantes e mantendo programas de residência médica e multiprofissional, inclusive em parceria com a própria UFAC.
Defesa de um novo hospital
Embora descarte a cessão da Fundhacre, Steiner afirmou que é favorável à criação de um hospital universitário no estado — desde que seja construída uma nova estrutura.
“A nossa defesa é de que haja uma nova unidade para complementar a rede. Precisamos de mais leitos, mais especialistas e mais espaços de formação”, disse.
Ela acrescentou que a Fundhacre passa por processos para fortalecer seu papel como hospital de ensino, incluindo a busca por acreditação oficial nessa categoria.
O ministro Camilo Santana afirmou que pretende retomar o diálogo com o governo estadual para tentar viabilizar o projeto. Caso a doação de uma unidade existente não avance, o Ministério da Educação deve estudar alternativas, como a construção de um hospital do zero, opção considerada mais cara e demorada, com custos estimados entre R$ 200 milhões e R$ 250 milhões.
“A decisão do presidente é que nenhum estado brasileiro fique sem hospital universitário. O Acre é o único que ainda falta”, declarou.
Veja o vídeo e assista a entrevista na íntegra:
