“Eu queria fazer esse vídeo sem chorar.” Foi assim que Ludmilla Cavalcante decidiu tornar pública uma parte íntima da própria história no Dia Mundial das Doenças Raras, celebrado neste sábado (28). Há mais de 15 anos, ela convive com a acalasia – uma doença rara que compromete o funcionamento do esôfago e não tem cura.
A enfermidade impede que o órgão realize o movimento peristáltico, contração involuntária responsável por levar o alimento da boca ao estômago. “É como se fosse um órgão morto”, descreve. Na prática, isso significa dificuldade para engolir, risco constante de vômitos e até de broncoaspiração alimentar – quando o alimento vai para os pulmões, situação que pode ser grave.
Segundo Ludmilla, o início foi marcado por incertezas e sofrimento. Ela perdeu peso rapidamente e precisou sair do estado para conseguir realizar exames específicos, como a manometria esofágica, que confirmou o diagnóstico. “Foram muitos anos sem informação e sem contato com outras pessoas que também tivessem a doença”, relata.
LEIA TAMBÉM: Ludmilla Cavalcante celebra aniversário e reforça sua força como influenciadora acreana
A adaptação também foi dolorosa. Reaprender a comer, lidar com as limitações e aceitar que a condição a acompanhará por toda a vida foram etapas difíceis. “Eu não consigo beber um copo d’água sem risco de vomitar. Já broncoaspirei alimento e quase morri”, conta.
Ao compartilhar a própria vivência, Ludmilla diz que o objetivo é informar e gerar empatia. Doenças raras, embora pouco conhecidas, impactam profundamente a qualidade de vida de quem convive com elas. “A informação gera empatia e a empatia muda tudo”, afirma.
Mesmo sem cura, ela busca forças para seguir. “A minha doença ainda me permite viver – com riscos, mas viver. E eu desejo para quem também enfrenta uma doença rara o mesmo que desejo para mim: que a gente consiga aprender a conviver com ela e, quem sabe um dia, encontrar a cura”.
