Prefeito que nomeou condenados por milícia é indicado por Flávio Bolsonaro ao Senado no RJ

A escolha reacende questionamentos sobre o histórico político do gestor da Baixada Fluminense

Flávio Bolsonaro (PL-RJ): Foto: Reprodução

O senador Flávio Bolsonaro (PL) oficializou nesta semana o prefeito de Belford Roxo (RJ), Márcio Canella (União Brasil), como um dos nomes que integrarão sua aliança ao Senado no Rio de Janeiro. A escolha reacende questionamentos sobre o histórico político do gestor da Baixada Fluminense.

Canella nomeou, no início de sua administração no ano passado, dois ex-vereadores que já enfrentavam condenações ou processos ligados a milícia: Eduardo Araújo (PL) assumiu a Secretaria de Indústria e Comércio, enquanto Fábio Brasil, conhecido como Fabinho Varandão (MDB), ficou à frente da pasta de Esporte e Lazer.

À época da nomeação, Araújo já havia sido condenado em primeira instância, em 2023, a oito anos de prisão por integrar organização paramilitar na região. Segundo a sentença, o grupo atuava gerando “sensação constante de insegurança, medo e intranquilidade” na cidade. Ele teria usado influência como policial militar para favorecer integrantes da milícia.

Fabinho Varandão, por sua vez, foi condenado em junho do ano passado por extorsão e porte ilegal de armas. De acordo com o Ministério Público, ele explorava serviços de internet em bairros de Belford Roxo e intimidava possíveis concorrentes.

Em nota, Canella afirmou que ambos deixaram a administração em setembro do ano passado e que, no momento das nomeações, não havia condenações com trânsito em julgado. “Qualquer cidadão tem direito à ampla defesa garantida pela Constituição”, declarou o prefeito, acrescentando que os dois já haviam exercido cargos no governo anterior.

Canella afirmou que ambos deixaram a administração em setembro do ano passado/Foto: Reprodução

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Eduardo Araújo sustenta que a condenação ocorreu “sem indícios de materialidade” e informou que o processo está em fase de apelação no Tribunal de Justiça. Já o advogado João Carlos Stogmuller, que representa Fabinho Varandão, afirmou que a defesa pediu a anulação da sentença por supostas nulidades processuais e que o ex-secretário deixou o cargo para se dedicar à própria defesa.

Procurado, Flávio Bolsonaro não comentou a relação do aliado com os ex-secretários.

Os dois tiveram as candidaturas à reeleição em 2024 barradas pela Justiça Eleitoral. Para indeferir os registros, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) citou a proibição de envolvimento de partidos com milícia armada.

Mesmo após a exoneração, os ex-secretários seguem participando de eventos públicos e agendas políticas do prefeito. Entre os compromissos, estiveram encontros ligados à pré-campanha de Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil, que deve disputar vaga na Câmara Federal com base eleitoral na região.

O histórico de aproximação de Canella com figuras ligadas a organizações criminosas remonta a 2018, quando disputou vaga na Assembleia Legislativa ao lado do ex-PM Juracy Prudêncio, conhecido como Jura, apontado como líder de milícia na Baixada. Naquele período, Jura cumpria pena em regime semiaberto por homicídio e associação criminosa.

A campanha de 2018 ocorreu em aliança com a então deputada federal Daniela Carneiro, ex-ministra do Turismo do governo Lula. A dupla obteve 49% dos votos em Belford Roxo, um dos maiores percentuais registrados em cidades médias e grandes do país naquele pleito.

Recentemente, Canella rompeu a aliança política com Daniela Carneiro. Entre 2019 e 2023, ele manteve Giane Prudêncio, esposa de Jura, como assessora na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Com informações do Notícias Ao Minuto

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