PF estima rombo de R$ 40 bi em esquema de Daniel Vorcaro

Operação Compliance Zero levou à prisão do banqueiro e ao bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens e ativos

Daniel Vorcaro/Foto: Reprodução
Daniel Vorcaro/Foto: Reprodução

Polícia Federal estima que as irregularidades investigadas na Operação Compliance Zero, que resultou na prisão de Daniel Vorcaro, tenham provocado um rombo de quase R$ 40 bilhões no mercado financeiro. Segundo os investigadores, parte do impacto estaria sendo absorvida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), responsável por assegurar depósitos e aplicações de clientes do sistema bancário.

O banqueiro, fundador e controlador do Banco Master, foi detido nesta quarta-feira (4/3) por determinação do ministro André Mendonça, do STF. A decisão atendeu a pedido da PF, que apontou indícios de irregularidades com potencial impacto bilionário no sistema financeiro.

De acordo com os investigadores, o esquema envolvia a emissão e a comercialização de títulos de crédito sem lastro, conhecidos como “ativos podres”, utilizados para inflar artificialmente o patrimônio da instituição e ocultar fragilidades financeiras. Na avaliação da corporação, a prática elevou o risco sistêmico no mercado e contribuiu para o colapso do banco.

Além da prisão preventiva, a nova fase da operação determinou o bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens e ativos ligados aos investigados. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços em São Paulo e Minas Gerais, além do afastamento de pessoas de funções consideradas estratégicas para o funcionamento do suposto esquema.

Em etapa anterior, a Justiça havia determinado o bloqueio de R$ 2,2 bilhões depositados na conta de Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, junto à CBSF DTVM (REAG). Segundo a PF, a movimentação teria como objetivo dificultar o rastreamento dos recursos e preservar parte do patrimônio sob investigação.

Em 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, diante de crise de liquidez e de indícios de irregularidades na gestão. Vorcaro já havia sido preso no âmbito da mesma apuração, mas foi liberado posteriormente mediante medidas cautelares.

A PF aponta indícios de crimes como organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro, ameaça e invasão de dispositivos informáticos. A defesa do empresário ainda não se manifestou sobre a decisão judicial. As investigações continuam em andamento.

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