Toffoli frustra Tião Viana, que se apressou em comemorar o ‘Lula livre’ e deu com os burros n’água


Decisão de Marco Aurélio Mello, do STF, revogada pelo presidente da Corte, não só beneficiaria o ex-presidente, como poria nas ruas muitos outros bandidos

Foto capa ARCHIBALDO ANTUNES, DA CONTILNET

Não vingou

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, expediu ontem liminar para a soltura de todos os presos sentenciados em segunda instância. Isso, claro, o leitor já sabe. E também deve ter sido informado de que a decisão teria beneficiado Lula, não fosse a ação rápida do presidente do Supremo, Dias Toffoli, que revogou a impertinência.

Açodado

O governador Tião Viana, entusiasta da campanha que tenta livrar da cadeia o ladrão-mor do seu partido, foi às redes sociais comemorar a liminar. Sua alegria durou pouco, já que a justiça, quase sempre muito lenta, desta vez chegou a galope.

Burros n´água

A afronta de um governante rejeitado pelo eleitor e em grande parte responsável pelo esfacelamento da Frente Popular foi repostada em uma faixa, afixada no frontispício do Palácio Rio Branco, na qual o autor debocha de mais uma derrota do companheiro.

Recado

Dizia a mensagem, em letras garrafais: “Lula continua preso, babaca”. Suponho que o ‘babaca’, no caso, seja o governador do PT – que graças ao emprego do vocábulo, em outra ocasião, levou aos tribunais o perito da Polícia Federal Roberto Feres – de quem vossa excelência solicita indenização de R$ 20 mil.

A massa de que eles são feitos

A propósito, por esses dias, o porta-voz do governo, Leonildo Rosas, publicou que este portal será acionado na justiça por ter citado o chefe na Operação Santinhos, da Polícia Federal. Sem me deter no motivo que induz o petista a abrir mais um processo judicial, o fato é que essa gente incorre na contradição de desqualificar a magistratura sempre que o assunto é a condenação de Luiz Inácio, e corre, lépida, aos tribunais assim que se julga moralmente aviltada.

Ponto de vista

De volta à decisão do Sr. Marco Aurélio, ele se diz contra as medidas punitivas de encarceramento antes de esgotados todos os recursos de defesa do réu. Segundo seu entendimento, ninguém é culpado até que se esgotem as petições previstas na Lei. E como elas abundam no universo jurídico do país, sobretudo para quem pode pagar bons advogados, algumas ações penais tendem a se alongar em demasia.

Agitador

Convenhamos, porém: soltar Lula seria o menor dos problemas neste contexto em que o ministro Marco Aurélio trata de corroborar com o agravamento da insegurança jurídica reinante no país. No debate sem fim propiciado pela barafunda de tantas e tão desnecessárias regras legais em vigor, a decisão do ministro só poderia causar ainda mais descrédito ao STF.

País das contradições

Ocorre ainda que o exacerbado legalismo de Marco Aurélio Mello contrasta com a realidade de um país onde, segundo dados do Núcleo de Estudos da Violência e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, há 236 mil presos aguardando julgamento. Culpados ou não, eles nunca foram levados à presença de um juiz e nem por isso receberam a atenção do ministro.

Currículo  

O fato é que o Sr. Marco Aurélio carrega na biografia, por exemplo, a concessão de um habeas corpus, expedido no ano 2000, em favor de Salvatore Cacciola, ex-dono do banco Marka e pivô de um escândalo financeiro que resultou em prejuízo ao sistema financeiro nacional. Após ser beneficiado pela decisão, Cacciola tomou Doril – e só foi capturado sete anos mais tarde, em Mônaco.

De pasmar!

Questionado sobre o caso na época, o ministro (pasme o leitor!) defendeu a tese de que um acusado tem o direito de fugir para não sofrer condenação precipitada.

Vai que é tua, Bruno!

Há ainda o caso do goleiro Bruno, condenado a 22 anos e 3 meses de prisão pela morte e ocultação de cadáver de Eliza Samudio. Ele foi outro beneficiado por decisão de Marco Aurélio, em março de 2013. Solto, Bruno e seu benfeitor chegaram a posar, sorridentes, para uma fotografia.

A vida como ela é

A atitude do ministro do STF e o comportamento coletivo de nossos congressistas – que dias atrás tratoraram a Lei de Responsabilidade Fiscal em favor do aumento de gastos com pessoal nos municípios, em pleno período de crise – me confirmam a convicção de que, por mais bem intencionado que seja o próximo presidente da República, ele acabará refém da obscenidade moral de que somos vítimas, testemunhas omissas e, por vezes, cúmplices.

Finalizando

Pra encerrar esse assunto, acrescento que, atualmente, alegria de petista dura pouco. É que o tempo é o senhor da razão – e a justiça, de uns tempos pra cá, resolveu punir não apenas os criminosos de terno e gravata, como também a desfaçatez dos que insistem em defender seus bandidos de estimação.

Noite da democracia

A noite de ontem (19) foi marcada pela diplomação dos eleitos no pleito de outubro. As grandes estrelas da festa foram o governador eleito Gladson Cameli (Progressista) e o futuro senador Marcio Bittar, do MDB.

Desabafo e emoção

Além do coro que entoou o grito de ordem “Fora PT”, o evento foi marcado pela emoção do empresário Eládio Cameli, que foi às lágrimas ao ver o filho diplomado governador.

Registro

Destaco ainda a presença no evento realizado pelo TRE-AC do deputado federal reeleito Alan Rick (DEM) – e se o faço é por ter torcido por sua recondução à Câmara Federal, onde ele tem atuado com firmeza e destemor em defesa da família e contra a doutrinação ideológica (de esquerda) das nossas crianças em idade escolar.

 Mudança dos ventos

Alan Rick – como eu – é um dos poucos jornalistas conservadores em um estado no qual o grosso da categoria se acostumou a louvaminhar o ideário político dos que permaneceram 20 anos no poder. Muitos, porém, não o fizeram por convicção, já que, naufragado o barco petista, já começam a ensaiar um discurso bem diferente de tudo que defendiam até o dia 7 de outubro. E alguns ainda se dão ao desplante de se autoproclamar ‘formadores de opinião’.

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